Djalba Lima

Uma deputada federal por São Paulo cotada para vice na chapa do pré-candidato a vice-presidente da República pelo PL, Flávio Bolsonaro, disse: “Não vejo como um católico pode apoiar a esquerda”. Eu respondo a sua excelência.

Veja minha resposta:

Há uma passagem poderosa no Bíblia que raramente entra no debate político contemporâneo: Atos 4:32.

Nela, a comunidade cristã primitiva é descrita como um grupo de pessoas que viviam “com um só coração e uma só alma”, onde ninguém considerava suas posses como exclusivamente suas, e tudo era colocado em comum para que ninguém passasse necessidade.

Não se trata de retórica; trata-se de prática social concreta. A partilha de bens, o cuidado com os mais vulneráveis e a rejeição do acúmulo como valor moral central aparecem ali como expressão direta da fé.

Esse modelo não era um programa de governo, mas um ideal ético: a ideia de que a dignidade humana está acima da propriedade, e de que a justiça se realiza na solidariedade.

É justamente nesse ponto que o cristianismo encontra afinidade com valores humanistas modernos frequentemente associados à esquerda: redução das desigualdades, proteção dos mais frágeis e compromisso com o bem comum.  Negar essa convergência não é apenas uma escolha política — é também uma leitura seletiva da própria tradição cristã.

Tenho dito! — melhor, tenho respondido à pretensa candidata direitista.

Djalba Lima, jornalista, é colaborador do Jornal Opção.