Em entrevista exclusiva, Presidente da Serra Verde detalha venda e futuro da produção de terras raras fora da China
23 abril 2026 às 14h00

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Em entrevista exclusiva ao Jornal Opção, o presidente da Serra Verde Group, Ricardo Grossi, afirmou que a venda da companhia para a USA Rare Earth deve reforçar o papel de Goiás na cadeia global de terras raras, com manutenção da operação em Minaçu, expansão da produção e integração a um sistema industrial fora da Ásia.
Segundo o executivo, a prioridade imediata da empresa é avançar nas etapas formais de fechamento da transação, ao mesmo tempo em que mantém o foco na operação brasileira. “A operação em Minaçu segue avançando no ramp-up e na otimização, com continuidade na expansão da Fase I”, afirmou.
A expectativa é que a mina alcance produção de cerca de 6,4 mil toneladas anuais de óxidos de terras raras até o fim de 2027. Além disso, a companhia avalia uma segunda fase de expansão que pode dobrar a produção antes de 2030.
O CEO destacou que a transação insere Goiás em uma cadeia global mais diversificada, em meio à tentativa de reduzir a concentração da produção de terras raras na Ásia. “Nossa operação no Brasil desempenhará um papel central na primeira cadeia de suprimentos de mina a ímã fora da Ásia”, disse.
Qual a próxima etapa agora?
A próxima etapa é avançar nas etapas formais de fechamento da transação e, ao mesmo tempo, manter o foco total na execução do nosso plano operacional no Brasil. A operação em Minaçu segue avançando no ramp-up e na otimização, sob a equipe atual, com continuidade na expansão da Fase I.
Em relação à aquisição da Serra Verde pela USA Rare Earth, quais são os impactos previstos para o futuro da mineração em Goiás, especialmente no posicionamento do estado no mercado global de terras raras?
Essa transação reforça a relevância de Goiás e, em especial, de Minaçu em uma cadeia global de terras raras que busca ser mais diversificada, resiliente e menos concentrada. Esperamos que o progresso que estamos alcançando sirva de inspiração para outras empresas interessadas em desenvolver minas de terras raras no estado e no Brasil como um todo, ajudando a consolidar uma nova indústria importante para o país.
Nossa operação de mineração e processamento no Brasil desempenhará um papel central na primeira cadeia de suprimentos de mina a ímã fora da Ásia, e a empresa combinada terá acesso à tecnologia de ponta em separação, processamento e fabricação de metais de terras raras por meio de suas próprias operações e de parcerias estratégicas. Isso fortalece a posição do Brasil como fornecedor relevante de minerais críticos e ajuda a projetar Goiás como parte importante desse movimento.
Desde a fundação da Serra Verde Group até o momento da venda, qual é o balanço da operação em Goiás em termos de investimentos realizados, volume de produção, geração de empregos e arrecadação para o estado e municípios?
Ao longo dessa trajetória, foram realizados mais de US$ 1,1 bilhão em investimentos de capital ao longo de cerca de 16 anos. Entramos em produção comercial em 2024 e estamos expandindo e otimizando nossa mina integrada e planta de processamento.

Hoje, empregamos aproximadamente 360 pessoas, excluindo contratados, das quais 66% são da comunidade local e 31% são mulheres. Em relação aos volumes de produção e vendas, essas informações são comercialmente confidenciais. A Serra Verde já contribui para a comunidade e a economia locais e agora temos a segurança necessária para continuar investindo e desenvolvendo nossa operação ao longo do ciclo, o que deverá impulsionar de forma significativa o desenvolvimento econômico de Minaçu, Goiás e do Brasil.
A nova estrutura empresarial prevê expansão da produção na mina de Minaçu? Há metas concretas de aumento de capacidade ou novos investimentos no estado nos próximos anos?
Sim. A nova estrutura prevê a continuidade da expansão da produção em Minaçu. Nossa meta na Fase I é alcançar cerca de 6.400 toneladas de terras raras por ano até o fim de 2027. Além disso, seguimos avaliando uma potencial Fase II, que poderá dobrar a produção antes de 2030. A combinação com a USA Rare Earth, os US$ 565 milhões já assegurados em financiamento e o acordo de fornecimento nos dão uma base mais robusta para sustentar investimentos e crescimento no estado nos próximos anos.
Quais são as próximas etapas formais para a conclusão da aquisição da Serra Verde Group pela USA Rare Earth? Há um cronograma detalhado até o fechamento previsto no terceiro trimestre de 2026?
O fechamento da transação está previsto para o terceiro trimestre de 2026, sujeito às condições usuais de fechamento e às aprovações regulatórias aplicáveis. A transação já foi aprovada pelos conselhos de administração de ambas as companhias e ainda está sujeita à aprovação dos acionistas da USA Rare Earth.
Quais órgãos brasileiros precisarão autorizar ou analisar a operação?
A transação não exige autorização de nenhuma autoridade brasileira.
A empresa já iniciou tratativas com entidades como o Conselho Administrativo de Defesa Econômica, a Agência Nacional de Mineração e outros órgãos federais?
No momento, não posso comentar negociações específicas com autoridades ou entidades.
Em relação à ANM e ao governo federal, a mudança de controle societário exige anuência formal para manutenção dos direitos minerários? Esse processo já foi protocolado?
A conclusão da aquisição está prevista para o terceiro trimestre de 2026, sujeita às condições habituais de fechamento e às aprovações regulatórias aplicáveis, incluindo o Hart-Scott-Rodino, nos Estados Unidos. No Brasil, não são necessárias aprovações regulatórias.
Pelo que eu entendi, o contrato prevê que toda a produção da Fase 1 será comprada pela SPE. O que acontece se, eventualmente, uma empresa no Brasil quiser comprar parte da produção?
No desenho atual, o acordo de fornecimento abrange 100% da produção da Fase I e foi estruturado para dar previsibilidade de receita, reduzir riscos e sustentar o desenvolvimento da operação. Isso nos dá a segurança necessária para continuar investindo, expandindo e fortalecendo a Serra Verde no longo prazo. À medida que a companhia evoluir, inclusive com potenciais expansões futuras, naturalmente se ampliam também as possibilidades de atendimento a diferentes mercados.
Eu queria entender se vai ter um preço mínimo, e como que se chegou a esse valor.
Sim. O acordo prevê preços mínimos garantidos para neodímio, praseodímio, disprósio e térbio. Esses pisos ajudam a corrigir sinais de preço que historicamente não refletiram adequadamente o valor estratégico desses materiais e dão mais previsibilidade para o desenvolvimento da operação. Além disso, há compartilhamento de valor acima desses pisos, o que preserva exposição a uma eventual valorização.
Esse contrato precisou ser submetido ao governo brasileiro, ou não há necessidade nesses casos?
Não há necessidade de aprovação do governo brasileiro.
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