O período de declaração do Imposto de Renda se tornou uma janela estratégica para trabalhadores autônomos que pretendem adquirir o primeiro imóvel em Goiás. Segundo especialistas do setor imobiliário, o documento é uma das principais ferramentas para comprovar renda e viabilizar o acesso ao crédito, especialmente para os cerca de 867 mil goianos que atuam por conta própria, conforme dados da PNAD Contínua do IBGE.

De acordo com o diretor de Crédito Imobiliário da MRV, Alan Tadeu, a ausência de carteira assinada não impede o financiamento, desde que o consumidor consiga demonstrar capacidade de pagamento. Nesse cenário, a declaração do IR ganha peso ao reunir informações sobre rendimentos, bens, dívidas e evolução patrimonial, elementos fundamentais na análise das instituições financeiras.

O gerente Comercial da MRV em Goiás, Paulo Passos | Foto: Divulgação

“Organizar corretamente a declaração do IR pode facilitar a aprovação do crédito imobiliário, principalmente para quem não possui renda formal. O documento consolida informações importantes que demonstram a capacidade de pagamento ao longo do tempo”, afirmou.

Na prática, a declaração funciona como uma forma de “formalizar” a renda do trabalhador autônomo. Segundo o gerente da MRV em Goiás, Paulo Passos, esse é um ponto decisivo para mudar a percepção dos bancos sobre esse perfil de cliente.

Ele explica que instituições financeiras tendem a enxergar a renda informal com maior cautela, devido à instabilidade. No entanto, ao declarar os ganhos no Imposto de Renda e comprovar essa movimentação, o autônomo passa a ter tratamento semelhante ao de um trabalhador com renda formal.

“Quando esse cliente faz a declaração com a renda que ele realmente ganha, ele formaliza essa informação. Isso dá ao banco mais segurança e aumenta as chances de aprovação do crédito”, diz.

Apesar da importância do documento, erros na declaração podem dificultar ou até inviabilizar a liberação do crédito. Um dos principais problemas apontados por especialistas é a inconsistência entre a renda declarada e a capacidade de comprovação.

Segundo Passos, não basta informar valores no IR: é necessário demonstrar, por meio de extratos bancários, faturas e despesas, que aquela renda é real e recorrente. “O banco precisa entender que o dinheiro entra de forma contínua e que há movimentação compatível com o valor declarado. Não adianta apenas informar uma renda que não pode ser comprovada”, explica.

Além do IR, instituições financeiras costumam exigir documentos complementares, como movimentação bancária dos últimos meses, contas no nome do cliente e faturas de cartão de crédito. Esse conjunto ajuda a validar a estabilidade financeira do solicitante.

Mesmo com documentação adequada, o processo de aprovação envolve outras etapas. Entre elas, a entrevista com o gerente da instituição financeira, que avalia o perfil do cliente e sua capacidade de arcar com um financiamento de longo prazo, geralmente entre 30 e 35 anos.

Historicamente, trabalhadores autônomos enfrentam maior rigor nessa análise, justamente pela variação de renda ao longo do tempo. Por isso, a consistência das informações apresentadas é determinante.

Outro ponto de atenção é o prazo de entrega do Imposto de Renda. Segundo o setor imobiliário, bancos como a Caixa Econômica Federal consideram apenas declarações feitas dentro do período oficial, de março a maio, com uma margem adicional de até 30 dias.

Declarações feitas fora desse intervalo podem não ser aceitas para fins de comprovação de renda no financiamento, o que pode atrasar ou impedir a concessão do crédito.

As mudanças na tabela do Imposto de Renda em 2026 também podem impactar o acesso ao crédito imobiliário. Com a ampliação da faixa de isenção para rendas de até R$ 5 mil mensais, parte dos trabalhadores passou a ter maior renda disponível.

Na avaliação de especialistas, esse ganho pode ser direcionado para a entrada do imóvel, pagamento de parcelas ou custos adicionais, como taxas cartoriais. “Esse valor que deixa de ser descontado pode fazer diferença no orçamento. Muitas vezes, R$ 200 ou R$ 300 a mais por mês já permitem encaixar uma parcela que antes não cabia”, explica Passos.

Para quem pretende utilizar o Imposto de Renda como ferramenta de acesso ao crédito imobiliário, a orientação é buscar apoio especializado. Corretores e profissionais familiarizados com as exigências dos bancos podem orientar sobre o preenchimento correto da declaração e evitar erros que comprometam o processo.

Além disso, especialistas recomendam planejamento prévio, especialmente para quem ainda não pretende comprar o imóvel de imediato. Organizar a movimentação financeira e manter registros consistentes ao longo do tempo são medidas que aumentam as chances de aprovação no futuro.

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