Idosos concentram 70% das mortes por SRAG em Goiás, enquanto crianças somam 66% dos casos
23 abril 2026 às 08h52

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Goiás já registra 2.713 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em 2026, com 121 óbitos confirmados. Os dados da Secretaria de Estado da Saúde (SES-GO) apontam que idosos e crianças concentram a maior parte dos impactos da doença, tanto em número de casos quanto em mortes.
Segundo o levantamento, 1.799 casos, o equivalente a 66% do total, foram registrados em crianças menores de 9 anos. Já entre os idosos, com mais de 60 anos, foram contabilizados 489 casos. Apesar de representarem uma parcela menor das infecções, os idosos concentram a maior letalidade: 85 das 121 mortes confirmadas, o que corresponde a cerca de 70% dos óbitos.
Entre as crianças menores de 9 anos, foram registrados 11 óbitos no período.
De acordo com a subsecretária de Vigilância em Saúde da SES-GO, Flúvia Amorim, os dados indicam claramente quais são os grupos mais vulneráveis. “Cerca de 70% dos óbitos ocorreram entre idosos, enquanto aproximadamente 65% dos casos estão em crianças menores de 9 anos”, afirmou.
Crianças internam mais; idosos morrem mais
O perfil da doença mostra comportamentos distintos entre as faixas etárias. As crianças concentram a maior parte das internações, impulsionadas pela alta circulação de vírus respiratórios nesse grupo. Já os idosos apresentam maior risco de evolução para formas graves e morte.
Segundo a SES, fatores como presença de comorbidades, fragilidade do sistema imunológico e menor capacidade de resposta do organismo contribuem para o agravamento dos quadros em pessoas com mais de 60 anos.
A pasta afirma que esse cenário exige atuação integrada entre vigilância epidemiológica, atenção básica e estratégias de imunização, com foco na proteção dos grupos prioritários.
Diante do aumento de casos, a SES-GO reforça a importância da vacinação contra a Influenza como principal medida de proteção. O estado já recebeu 935,8 mil doses do imunizante, distribuídas aos municípios.
Neste primeiro momento, a campanha é direcionada aos grupos prioritários, que somam mais de 2,7 milhões de pessoas em Goiás. Estão incluídos idosos, crianças de 6 meses a menores de 6 anos e gestantes.
A vacinação começou em 28 de março e está disponível em todos os municípios goianos. No entanto, a cobertura vacinal ainda é considerada baixa: 16,19% em Goiás e 16,92% no Brasil entre os grupos prioritários.
Segundo Flúvia Amorim, a meta é alcançar pelo menos 90% de cobertura. “Com esse percentual, conseguimos reduzir significativamente o risco de internações e óbitos nesses grupos”, afirma.
Além da vacina contra a Influenza, o Sistema Único de Saúde (SUS) também disponibiliza imunizantes contra a Covid-19 e outras estratégias de proteção, como a vacina contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) para gestantes e o anticorpo monoclonal nirsevimabe, indicado para prematuros e bebês com comorbidades.
Medidas de prevenção e sinais de alerta
A SES orienta que, além da vacinação, a população adote medidas de prevenção, especialmente durante períodos de maior circulação de vírus respiratórios. Entre as recomendações estão higienização frequente das mãos, uso de máscara em caso de sintomas gripais e evitar aglomerações, principalmente envolvendo crianças e idosos.
A pasta também alerta para a importância de identificar sinais de agravamento. A SRAG é caracterizada pela evolução de um quadro gripal para sintomas mais graves, como dificuldade para respirar, cansaço e baixa oxigenação.
“Nesses casos, é fundamental procurar atendimento médico imediato, principalmente em crianças e idosos, que têm maior risco de complicações”, destaca a subsecretária.
Ela também esclarece dúvidas frequentes sobre a vacinação. “A vacina contra a gripe é feita com vírus inativado, portanto não causa a doença. O que pode ocorrer é a pessoa já estar infectada ou se contaminar antes de o organismo desenvolver proteção, o que leva cerca de 15 dias”, explica.
A Secretaria reforça que a combinação entre vacinação, diagnóstico precoce e manejo adequado dos casos é essencial para reduzir a pressão sobre os serviços de saúde.
Com a circulação simultânea de diferentes vírus respiratórios, o monitoramento contínuo dos casos e a ampliação da cobertura vacinal são apontados como medidas centrais para conter o avanço da doença e evitar novos óbitos no estado.
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