Selic a 14% pressiona mercado imobiliário e pode ampliar descontos na venda de imóveis
20 agosto 2026 às 18h57

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A taxa Selic em 14% tem dificultado a circulação de recursos no mercado imobiliário e aumentado a pressão sobre proprietários que precisam transformar imóveis em dinheiro no curto prazo. Com aplicações financeiras mais atrativas em um cenário de juros elevados, parte dos investidores tende a manter os recursos no mercado financeiro, reduzindo a disposição para a compra de propriedades.
Segundo Paulo Pedroso, sócio-diretor de Corporate e Crédito da Aliá Partners, o efeito é mais perceptível entre proprietários com grande volume de imóveis e necessidade de liquidez.
“Quando o dinheiro dos investidores permanece mais alocado no mercado financeiro, o recurso que poderia ir para o mercado imobiliário fica estacionado dentro do banco. Quem tem um estoque maior de imóveis passa a ter mais dificuldade para realizar essas vendas”, afirma.
A menor liquidez pode, por outro lado, aumentar a margem de negociação para os compradores. Em determinados segmentos, como o de lotes, Pedroso estima que os descontos necessários para acelerar uma venda podem chegar a 30% ou 40%. O percentual, porém, varia conforme as características do imóvel, a localização, a demanda e as condições de cada negociação.

Crédito com imóvel em garantia vira alternativa
Nesse cenário, proprietários podem recorrer ao crédito com garantia de imóvel como alternativa à venda imediata. A modalidade permite utilizar uma propriedade como garantia para obter recursos sem precisar se desfazer imediatamente do patrimônio.
De acordo com Pedroso, algumas operações trabalham com prazos de aproximadamente 10 a 15 anos e podem liberar até 50% do valor do imóvel, dependendo da análise da instituição financeira e das condições estabelecidas em contrato.
O prazo mais longo pode reduzir o valor das parcelas e aliviar o fluxo de caixa do tomador. A estratégia, entretanto, envolve o pagamento de juros e a utilização do imóvel como garantia. Em caso de inadimplência, existe o risco de perda do bem, conforme as condições previstas no contrato.
“A operação alongada permite captar um percentual do valor do imóvel e trabalhar com uma parcela menor. Com isso, o fluxo de caixa fica mais confortável, mesmo em um momento de juros elevados, e o investidor pode aproveitar outras oportunidades sem precisar vender o imóvel com um deságio muito grande”, explica Pedroso.
Vender com desconto ou contratar crédito?
A possibilidade de utilizar o imóvel como garantia também muda a decisão sobre o momento da venda. Em vez de reduzir significativamente o preço para conseguir dinheiro imediatamente, o proprietário pode comparar o custo do crédito com o desconto que precisaria conceder para fechar o negócio.
Na prática, a análise deve considerar se é mais vantajoso aceitar um preço menor pelo imóvel ou assumir o custo de uma operação de crédito e manter a propriedade à espera de condições mais favoráveis no mercado.
A decisão depende da situação financeira de cada proprietário. Entre os principais fatores que precisam ser considerados estão a capacidade de pagamento das parcelas, o Custo Efetivo Total (CET) do crédito, o prazo da operação, o percentual liberado em relação ao valor do imóvel e a finalidade do dinheiro obtido.
Juros altos afetam decisões no mercado imobiliário
A manutenção da Selic em patamar elevado estreita a relação entre mercado financeiro, crédito e imóveis. De um lado, os juros altos tornam aplicações de renda fixa mais atrativas e podem diminuir o interesse de investidores por determinados ativos imobiliários. De outro, o crédito mais caro também pesa sobre quem depende de financiamento para comprar uma propriedade.
Para os proprietários que precisam de dinheiro no curto prazo, o cenário exige uma análise mais cuidadosa. A necessidade de vender rapidamente pode resultar em descontos maiores, enquanto recorrer ao crédito permite preservar o imóvel, mas acrescenta juros, parcelas e o risco associado à utilização do patrimônio como garantia.
A escolha entre vender, esperar ou contratar crédito, portanto, deve levar em consideração não apenas a expectativa de valorização do imóvel, mas também o custo financeiro de cada alternativa e a necessidade de liquidez do proprietário.
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