Segurança do paciente no ambiente hospitalar ainda é um problema mundial, diz OMS

Organização estima que a cada 100 pacientes hospitalizados em países desenvolvidos, sete sofrerão alguma infecção

Segurança com o paciente reduz possibilidade de infecção hospitalar, segundo OMS | Foto: Reprodução

A segurança do paciente ainda é um grande problema em todo o mundo. A saúde tem um histórico de segurança pior que áreas de grande risco, como aviação e indústrias nucleares, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS). Em atendimentos médicos, um a cada 300 pacientes pode ser prejudicado, enquanto em uma aeronave a média é de um em 1 milhão.

A OMS estima que a cada cem pacientes hospitalizados em países desenvolvidos, sete sofrerão alguma infecção associada ao cuidado de saúde, as famosas infecções hospitalares. Nos subdesenvolvidos esse número sobe para 10. A média mundial é 14 de cem pacientes.

Os prejuízos também acometem a economia. Cerca de 20 a 40% dos gastos com saúde são desperdiçados por falta de administração correta ou cuidados de má qualidade. Ainda de acordo com a OMS, quatro entre cada 10 pacientes atendidos na atenção primária sofrem danos, 80% evitáveis.

Prevenir é possível

Para chamar a atenção dessa área, a Organização Mundial da Saúde (OMS) definiu o dia 17 de setembro como o “Dia Mundial pela Segurança do Paciente”. E seis metas internacionais de segurança do paciente foram definidas, compreendendo: identificação correta dos pacientes; melhorar a comunicação entre profissionais de saúde com os pacientes; melhorar a segurança do uso de medicamentos; garantir a realização segura de cirurgias; reduzir o risco de infecções associadas à assistência à saúde e o risco de danos causados por quedas de pacientes.

De acordo com o Anuário da Segurança Assistencial Hospitalar no Brasil, do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (Iess), produzido em 2018 pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), aproximadamente 30% a 36% dos óbitos ocasionados por eventos adversos graves podem ser prevenidos.

Dr. Giuliano Gardenghi: ” Num mundo hiperconectado, as pessoas e as redes sociais possuem papel fundamental na promoção de uma cultura de diálogo”.

A forma indicada para evitar essas mortes é o estabelecimento de políticas e programas de segurança do paciente, com direcionamento para as populações de maior risco. As ações de prevenção contribuem para a maior efetividade desses programas, reduzindo o sofrimento das pessoas, diminuindo os custos assistenciais e aumentando a disponibilidade de leitos hospitalares.

Com o intuito de estimular e reforçar as práticas de segurança, o Hospital do Coração Anis Rassi, em Goiânia, realiza uma semana de diálogo multidisciplinar entre seus colaboradores com blitz em todos os setores, roda de conversa e sessão de cinema.

A iniciativa pretende atingir objetivos simples como identificar o paciente, evitar quedas, comunicar situações adversas e higienizar as mãos. “Essas ações fazem parte de uma série de protocolos a serem seguidos por médicos e enfermeiros, bem como por pacientes e acompanhantes”, explica o fisioterapeuta, Doutor em Ciências pela Faculdade de Medicina da USP e membro do corpo clínico do Hospital do Coração Anis Rassi, Giulliano Gardenghi.

Segundo ele, como política pública, a segurança do paciente é prática recente no Brasil, estabelecida a partir de 2013 pelo Programa Nacional de Segurança do Paciente. “Num mundo hiperconectado, as pessoas, a imprensa e as redes sociais possuem papel fundamental na promoção de uma cultura de diálogo”, afirma.

A promoção da segurança do paciente pressupõe o estabelecimento de relações de confiança, respeito e inclusão, tornando possível conversar abertamente sobre falhas e erros e adotar medidas efetivas comprometendo a todos com práticas de segurança.

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