Secretário admite que Prefeitura de Goiânia tem R$ 200 milhões em caixa

Oseias Pacheco diz, porém, que recurso será usado para pagar folha de abril. Há, ainda, R$ 140 milhões distribuídos nas secretarias

Secretário Oseias Pacheco | Foto: Larissa Quixabeira

O secretário de Finanças de Goiânia, Oseias Pacheco, admitiu na Câmara Municipal que a prefeitura tem, hoje, R$ 200 milhões em caixa. No entanto, o recurso do tesouro municipal será usado para pagar a folha dos servidores de abril, que deve ser fechada em R$ 212 milhões.

“Ou seja, o valor ainda não é suficiente para quitar a folha com os encargos. Por isso, vamos equacionar a máquina para conseguir pagar as despesas em dia e com a sobra atacaremos a dívida assumida da gestão passada”, explicou ao Jornal Opção.

Pacheco foi convidado a dar explicações aos vereadores sobre uma denúncia de que a gestão Iris estaria contingenciando recursos e deixando de promover serviços básicos à população para “fazer caixa”. “Não é verdade isso, o excedente que há na conta da prefeitura hoje é previdenciário, que não podemos mexer de forma alguma”, disse.

Além do tesouro municipal, a Secretaria de Finanças estima — porque, segundo o titular da pasta, a contabilidade ainda não foi fechada — que haja de R$ 140 milhões a R$ 160 milhões nas secretarias, que têm recursos específicos, como a Educação, Saúde, SMT (Secretaria Municipal de Trânsito, Transportes e Mobilidade) e Amma (Agência Municipal do Meio Ambiente).

Questionado sobre a situação fiscal da Prefeitura de Goiânia, Oseias Pacheco disse que há superávit, ou seja, sobra recursos: “Mas, estão sendo utilizados para pagar dívidas deixadas. Estamos trabalhando para fazer investimentos, o que não é possível agora. Ressalto que já retomamos algumas obras, como o Hospital da Região Oeste e o BRT.”

Não convence

Autor do convite, o vereador Elias Vaz (PSB) disse que as “explicações” do secretário de Finanças evidencia a omissão da prefeitura frente aos problemas emergenciais da capital. “Nem fechou o mês ainda e há mais de R$ 360 milhões em caixa. Quer dizer, crianças nas escolas sem merenda, falta de vagas nos CMEIs, mais de 60 pessoas aguardando leitos de UTI, as ambulâncias do Samu paradas por falta de manutenção e a prefeitura com dinheiro aplicado no banco”, criticou.

A tese é que Iris Rezende está deixando de priorizar serviços básicos à população com a desculpa de que herdou uma “grande dívida” para juntar recursos e, daqui a alguns meses, vir como “salvador da pátria”, o melhor administrador do Brasil.

Segundo o vereador, a estimativa é que a prefeitura feche abril com mais de R$ 400 milhões, pois há impostos que são pagos durante todo o mês, como o Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS). “Não justifica sequer fazer pagamento dos funcionários até o 5º dia útil. O outro prefeito [Paulo Garcia] pagava dentro do mês. É injusto isso de ter o dinheiro dos trabalhadores e aplicar”, lamentou.

Ao Jornal Opção, Elias Vaz disse que já estuda medidas para acionar na Justiça a gestão Iris por omissão. “Há dinheiro em caixa e eles escolhem não fazer nada. Como não pagam clínicas que fazem hemodiálise com dinheiro em caixa, por exemplo? Pessoas podem morrer pela falta do serviço. É dinheiro do povo e sociedade tem direito de saber onde e como estão sendo aplicados”, arrematou.

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