Rodrigo Maia: “Há forte preocupação e desconforto de Temer com as vaias”

Presidente da Câmara é o entrevistado das páginas amarelas de Veja, onde critica comunicação do governo federal: “Antiquada, mofada e ineficaz”

Presidente da Câmara, Rodrigo Maia durante coletiva de imprensa| Foto: Luiz Macedo/ Agência Câmara

Presidente da Câmara, Rodrigo Maia durante coletiva de imprensa| Foto: Luiz Macedo/ Agência Câmara

O presidente da Câmara Federal, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), criticou duramente, em entrevista à Veja, a comunicação do governo Michel Temer (PMDB), a qual classificou como “antiquada, mofada e ineficaz”. Segundo ele, falta “elo” com a sociedade e é preciso uma ação imediata — sob o preço de não conseguir “se legitimar”.

Para ilustrar suas reprimendas públicas, o democrata citou o exemplo do “Fora, Temer” — que “colou” nas redes sociais e, vez ou outra, aparece até na TV aberta. “Os contrapontos ao termo ‘golpista’ e a expressão ‘fora, Temer’ são pífios. Surgiu a ideia de divulgar o slogan ‘Bora, Temer’, mas acho horrível. ‘Fora, ladrão’ então, é pior ainda”, disse.

Outro erro por parte da equipe de comunicação se deu na resposta imediata aos gritos contrários. “As primeiras declarações de integrantes do governo minimizando as manifestações foram um equívoco. Internamente, há uma forte preocupação e um desconforto do presidente com as vaias. Eu estava ao seu lado no dia que aconteceram as vaias em pleno Maracanã. Michel ficou visivelmente incomodado”, lembrou.

Em seu quinto mandato como deputado federal, o filho do ex-prefeito do Rio César Maia falou sobre sua carreira na Cidade Maravilhosa — onde já disputou a prefeitura, angariando meros 3% dos votos. “Cometi o maior erro da minha vida: aliei-me à família Garotinho”, ponderou.

Rodrigo Maia também aproveitou para alertar ministros do governo Temer sobre o “atropelamento” das discussões. O Brasil precisa de diversas reformas, reconhece, mas a que está em pauta, agora, é o teto de gastos das contas públicas. Ele afirma que não está na hora de tratar sobre a Previdência, por exemplo.

“Um tema tão espinhoso como esse não tem clima para tramitar no meio de uma eleição [em referência à disputa pelas prefeituras]. Mexer agora só serviu para dar munição aos adversários da base governista que estão no páreo municipal”, disse aos repórteres Monica Weinberg e Thiago Prado.

Contudo, o presidente garante que o tema será discutido, mesmo havendo “resistência à ideia”. O próprio governo estaria ciente de que será preciso convencer vários parlamentares que ainda relutam a ideia e são pressionados pelas bases.

No que diz respeito à assertividade das medidas de Temer, o democrata elogia a equipe econômica, mas critica o que ele chama de “zigue-zague” nas decisões. “Já se espera que, logo depois da declaração de um ministro, o Planalto volte atrás. O sinal é que o governo não está dialogando internamente”, completou.

 

 

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