Renan diz que Aécio Neves “está com medo” da Lava Jato e pediu ajuda

Em nova gravação divulgada pela Folha, presidente do Senado sugere mudanças na lei da delação premiada e mostra que lutou contra o impeachment

Aécio Neves e Renan Calheiros no Congresso | Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

Aécio Neves e Renan Calheiros no Congresso | Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), é o mais novo alvo das gravações feitas pelo ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado. Na reportagem publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, o peemedebista diz que todos os políticos temem a Operação Lava Jato, incluindo líderes da oposição.

Segundo Renan, o senador Aécio Neves, presidente nacional do PSDB, o procurou para que ele investigasse o conteúdo da delação premiada do senador cassado Delcídio do Amaral (ex-PT e ex-PSDB também). “Está com medo”, afirmou Renan a Machado.

Divulgado nesta quarta-feira (25/5) — dois dias após derrubar outro peemedebista do Ministério do Planejamento, o também senador Romero Jucá — o áudio mostra conversas sobre os ministros do Supremo Tribunal Federal, relação do governo com a mídia e o impeachment de Dilma.

Para Renan, os políticos “estão todos com medo” da Lava Jato. Quando o presidente do Senado disse que uma delação da empreiteira Odebrecht “vai mostrar as contas”, em provável referência às contas da campanha eleitoral de Dilma Rousseff (PT) em 2014, Machado respondeu que “não escapa ninguém de nenhum partido” e acrescentou: “Do Congresso, se sobrar cincou ou seis é muito. Governador, nenhum.”

Tanto Sérgio Machado quanto Renan Calheiros são alvos da Lava Jato. O ex-presidente da Transpetro negocia um acordo de delação premiada. As conversas foram gravadas pelo próprio Machado, em março deste ano.

Em outro ponto do diálogo, Renan Calheiros defende uma mudança na lei que trata da delação premiada, para impedir que um preso se torne delator. Machado sugere “um pacto” para “passar uma borracha no Brasil”. Renan responde: “antes de passar a borracha, precisa fazer três coisas, que alguns do Supremo [inaudível] fazer. Primeiro, não pode fazer delação premiada preso. Primeira coisa. Porque aí você regulamenta a delação”.

O sistema de delação premiada tem sido, desde o princípio, a principal ferramenta utilizada pela Polícia Federal para dar prosseguimento às investigações da Operação Lava Jato e seus desdobramentos.

Em outros dois pontos da conversa, Renan e Machado falam ainda sobre o contato do senador e da presidente Dilma Rousseff com a mídia, citanto o diretor de redação da Folha de S. Paulo, Otavio Frias Filho, e o vice-presidente Institucional e Editorial do Grupo Globo, João Roberto Marinho. Frias teria reconhecido “exageros” na cobertura da Lava Jato e Marinho teria afirmado a Dilma que havia um “efeito manada” contra seu governo.

Resposta

Por meio de assessoria, o presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB-AL) respondeu que “todas as opiniões foram publicamente noticiadas pelos veículos de comunicação, como a possibilidade de alterar a lei de delações”. “Em relação ao senador Aécio Neves, o Renan se desculpa porque se expressou inadequadamente. Ele se referia a um contato do senador mineiro que expressava indignação -e não medo – com a citação do ex-senador Delcídio do Amaral”.

A executiva nacional do PSDB também se manifestou por meio de nota, afirmando que vai acionar na Justiça o ex-presidente da Transpetro. A sigla diz ser “inaceitável” essa reiterada tentativa de acusar sem provas em busca de conseguir benefícios de uma delação premiada”.

 

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