“Quem está vendendo o Brasil é ele”, diz Caiado após crítica de Lula sobre acordo com mineradora
24 abril 2026 às 15h57

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O ex-governador de Goiás e pré-candidato à Presidência, Ronaldo Caiado (PSD), respondeu nesta quinta-feira, 23, às críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre acordos firmados pelo governo goiano envolvendo minerais críticos. Após ser acusado por Lula de querer “vender o Brasil” aos Estados Unidos, Caiado rebateu afirmando que “o governo federal é quem exporta riquezas nacionais sem promover desenvolvimento tecnológico interno. Quem está vendendo é ele. Ele está entregando tudo”, disse Caiado.
Segundo Caiado, o governo brasileiro não está desenvolvendo nenhuma tecnologia no Brasil. Para o ex-governador, a estratégia adotada em Goiás busca agregar valor aos minerais extraídos no estado por meio de industrialização e inovação tecnológica.
O embate entre os dois políticos ganhou força após declarações de Lula questionando memorandos assinados por Goiás com parceiros internacionais, entre eles Estados Unidos e Japão, relacionados à cadeia de minerais críticos e terras raras. Para o presidente, recursos considerados estratégicos deveriam ter participação direta da União em eventuais negociações.
Caiado, por sua vez, defendeu os acordos como instrumentos para impulsionar a economia local e ampliar a presença tecnológica no setor mineral. Segundo ele, a simples exportação da matéria-prima gera baixo retorno econômico, enquanto o processamento industrial agrega valor e cria oportunidades de desenvolvimento.
“Se eu amanhã vender uma tonelada de terra rara pesada, o valor é mínimo. Se eu puder vender 20 gramas de térbio, disprósio ou neodímio, eu vou enriquecer o meu estado de Goiás, vou trazer tecnologia, aumentar a renda e ampliar o avanço em grandes ímãs, baterias e materiais logísticos”, declarou Caiado.
O estado de Goiás abriga a mineradora Serra Verde, apontada como a única operação ativa de terras raras no Brasil. Nesta semana, a empresa americana USA Rare Earth anunciou a compra da mineradora em uma transação avaliada em cerca de US$ 2,8 bilhões, equivalente a aproximadamente R$ 13,8 bilhões.
Na resposta, Caiado argumentou que o Brasil ainda atua de forma semelhante ao período colonial ao exportar matérias-primas sem transformação industrial. “Nós estamos continuando a vender pau-brasil, como se ainda vivêssemos na época da colônia”, afirmou.
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