As etapas de processamento e beneficiamento de minerais críticos, as chamadas terras raras, executadas pela mineradora Serra Verde, em Minaçu, devem não só seguir em Goiás como serão potencializadas. Foi o que teria garantido o CEO da mineradora, Ricardo Grossi, em uma reunião com o governador Daniel Vilela nesta quinta-feira, 23, no Palácio Pedro Ludovico Teixeira.

O encontro entre o governador e o CEO vem poucos dias após o anúncio de venda da mineradora para a norte-americana USA Rare Earth (USAR) numa transação de 2,8 bilhões de dólares (o equivalente a quase 14 bilhões de reais).

Uma das principais preocupações do governo do Estado era garantir que as etapas de processamento das terras raras fossem consolidadas em Goiás e não levadas para fora, hipótese levantada com a chegada da mineradora norte-americana.

Vale lembrar que um memorando de entendimento assinado pelo ex-governador Ronaldo Caiado em março deste ano amplia parcerias com os EUA para o mapeamento e pesquisa de terras raras em Goiás e tem como um dos eixos a criação de um mercado mais aberto e transparente de minerais críticos.

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Segundo fontes que acompanharam o encontro de hoje, que durou cerca 40 minutos, Grossi apresentou o modelo de negócios que foi formulado com a transação bilionária e destacou que a principal mudança com a chegada da USAR seria referente à transferência de capitais. Contudo, os donos atuais da Serra Verde, a Denham Capital, Energy and Minerals Group e Vision Blue, serão os maiores sócios, com 34% de participação na operação combinada.

Na prática, a transação muda a estrutura de controle da empresa. Sir Mick Davis e Thras Moraitis, respectivamente presidente do Conselho e CEO do Grupo Serra Verde, devem entrar para o Conselho de Administração da empresa combinada. Thras Moraitis assumirá o cargo de presidente da empresa combinada, enquanto Ricardo Grossi deve continuar à frente das operações no Brasil.

Quanto ao tratamento de terras raras, o CEO da Serra Verde, ainda segundo fontes ouvidas pela reportagem, teria garantido a Daniel que a única mudança seria a potencialização das etapas. Atualmente, a Serra Verde executa os estágios 1 e 2 no processamento das terras raras. Com a transferência de tecnologia propiciada pela chegada da USAR, o beneficiamento deve chegar ao estágio 4.

Destaca-se, os elementos de terras raras (ETRs) são um grupo de quinze elementos da tabela periódica (números atômicos de 57 a 71) e dois outros elementos de propriedades semelhantes, Ítrio e Escândio.

Os ETRs são componentes-chave em vários dispositivos eletrônicos e alguns desses elementos são, ainda, essenciais para a produção de ímãs permanentes, que melhoram a eficiência dos motores elétricos. Em Minaçu, é produzido um concentrado mineral contendo ETRs de alto valor, particularmente neodímio (Nd) e praseodímio (Pr), ambas terras raras leves, e disprósio (Dy) e térbio (Tb), terras raras pesadas.