Goiás fica fora de reajuste da Aneel, mas alta da conta de luz no país pode ter efeito indireto
23 abril 2026 às 16h30

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Apesar do novo reajuste aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) que deve atingir 22 milhões de consumidores em todo o país, há uma boa notícia para os goianos: Goiás não está entre os estados impactados neste momento.
De acordo com o economista Márcio Dourado, a decisão considera fatores como encargos setoriais e custos com transmissão e distribuição de energia, que levaram a agência a autorizar o aumento em algumas concessionárias, mas não no estado. “É importante salientar que em Goiás não vai ter aumento, ou seja, esse reajuste não atinge os goianos”, afirma.
O comunicado divulgado pela Aneel informou que os índices médios variam entre 5% e 15%, a depender da área de atuação de cada distribuidora. A Aneel projeta que, na média nacional, a conta de luz deve subir cerca de 8% em 2026, percentual acima da inflação prevista para o período, o que reforça a pressão sobre o custo de vida da população.
Mesmo assim, o especialista alerta que o impacto não desaparece completamente. Isso porque a economia funciona de forma integrada, e os efeitos tendem a se espalhar. “Às vezes algo que não atinge a gente diretamente, atinge indiretamente. A economia é um ciclo. Estados que terão aumento consomem e vendem para Goiás, então isso acaba gerando reflexos”, explica.
O maior aumento registrado foi na CPFL Santa Cruz, em Jaguariúna, em São Paulo, com efeito médio de 15,12% para o consumidor. Cerca de 527 mil unidades consumidoras são atendidas pela CPFL Santa Cruz, em 45 municípios nos estados de São Paulo, Paraná e Minas Gerais.
Segundo Dourado, o aumento da energia elétrica pesa especialmente no orçamento das famílias porque se trata de um item essencial, e difícil de substituir. “Toda vez que você tem aumento em um item básico, como energia elétrica, as pessoas sofrem muito. É um bem que a gente chama de baixa elasticidade, ou seja, não tem para onde correr”, destaca.
Na prática, isso significa que as famílias precisam reorganizar os gastos para continuar pagando a conta de luz. “As famílias, especialmente as mais pobres, acabam tendo que fazer alguma renúncia. Isso ocupa uma parcela maior do orçamento e empobrece a cesta de consumo”, completa.

Efeito em cadeia na economia
Mesmo sem reajuste local, Goiás pode sentir os “respingos” do aumento por meio do encarecimento de produtos vindos de outras regiões. Setores que dependem fortemente de energia tendem a ser os mais impactados. “Os setores industriais e de beneficiamento de produtos agrícolas são os mais afetados. O empresário repassa esse custo para o produto, e isso atravessa toda a cadeia produtiva”, explica o economista.
Além disso, consumidores de outros estados que compram produtos goianos podem ter menor poder de compra, o que também afeta a economia local. Dourado lembra que os reajustes tarifários costumam ocorrer uma vez por ano para cada distribuidora, mas situações excepcionais podem alterar esse cenário. “Em tese, acontece uma vez ao ano. Mas pode haver mudanças em casos extraordinários, como crises climáticas que afetem os reservatórios”, afirma.
Ele também recorda que Goiás já passou por um aumento recente. “No ano passado, o estado teve um reajuste de mais de 18%. Ou seja, em algum momento, esse ciclo também chega novamente”, pontua.
Dicas para economizar
Diante desse cenário, o economista orienta que os consumidores fiquem atentos ao próprio consumo de energia. “É importante observar o que está consumindo energia sem necessidade. Pequenas distrações, como luzes acesas ou geladeira aberta, acabam pesando na conta”, diz.
Ele também recomenda evitar horários de pico. “Se puder, use eletrodomésticos fora do horário de maior consumo. Isso ajuda a reduzir o valor da tarifa”, explica.
Para quem tem condições de investir, a alternativa é apostar em energia solar. “Instalar um sistema fotovoltaico é uma forma eficiente de reduzir o gasto no longo prazo”, conclui.
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