Quanto custa ir à Copa do Mundo de 2030? Veja quanto guardar por mês para realizar o sonho
21 julho 2026 às 18h36

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Viajar para a Copa de 2030 exigirá um planejamento financeiro de longo prazo. Especialistas em finanças consultados para esta reportagem estimam que uma viagem para o Mundial poderá custar entre R$ 35 mil e mais de R$ 200 mil, dependendo do número de pessoas, do padrão de hospedagem, da quantidade de partidas assistidas e do roteiro escolhido.
A próxima Copa terá Espanha, Portugal e Marrocos como sedes principais. Além disso, Uruguai, Argentina e Paraguai receberão partidas comemorativas em homenagem ao centenário da competição. Para quem começar a economizar agora, haverá cerca de quatro anos para montar a reserva necessária.
Segundo André Bobek, CEO da Mhydas Planejamento Financeiro, os custos atuais servem como base para projetar os gastos do próximo Mundial. As estimativas são:
- Pessoa viajando sozinha: entre R$ 35 mil e R$ 55 mil;
- Casal: entre R$ 80 mil e R$ 100 mil;
- Família de quatro pessoas: entre R$ 100 mil e R$ 160 mil, podendo ultrapassar R$ 200 mil em viagens com mais conforto e hospitalidade oficial.
Já Gustavo Assis, CEO da Asset, lembra que os custos aumentaram significativamente em relação à Copa do Catar, em 2022. “Para perfis premium, com vários jogos, hotéis de alta categoria e experiências VIP, o valor pode chegar a R$ 50 mil a R$ 70 mil por pessoa ou até mais.”
Entre os fatores que encarecem a viagem estão inflação internacional; valorização do euro; alta demanda por hospedagem; deslocamentos entre cidades e países; maior procura por ingressos. A FIFA ainda não divulgou os preços oficiais para a Copa de 2030.
Na Copa de 2026, os ingressos começaram em US$ 60 para uma categoria bastante limitada destinada a grupos específicos de torcedores. Entretanto, a maior parte dos bilhetes foi comercializada por valores superiores, principalmente em partidas eliminatórias e pacotes de hospitalidade.
Por isso, especialistas recomendam que o planejamento financeiro considere ingressos de categorias intermediárias e uma margem para reajustes. De acordo com Jonathan Araújo, coordenador de Trader da InvestSmart XP, o ideal é transformar a viagem em um projeto financeiro de médio prazo.
As estimativas são:
Pessoa solteira
Meta: entre R$ 45 mil e R$ 60 mil;
Aporte mensal: entre R$ 950 e R$ 1.300.
Casal
Meta: entre R$ 80 mil e R$ 100 mil;
Economia mensal: entre R$ 1.700 e R$ 2.100.
Família de quatro pessoas
Meta: entre R$ 130 mil e R$ 170 mil;
Aporte mensal: entre R$ 3 mil e R$ 3,5 mil.
Segundo Araújo, ainda é prudente acrescentar uma reserva de aproximadamente 20% para cobrir oscilações cambiais e eventuais aumentos de preços. Bobek também recomenda reajustar os aportes em cerca de 5% ao ano, para compensar a inflação.
Os especialistas recomendam evitar investimentos de alto risco. A estratégia indicada inclui aplicações conservadoras e com liquidez; compras graduais de euros ao longo dos próximos anos; e utilização do décimo terceiro salário, bônus e restituição do Imposto de Renda para reforçar a reserva.
Segundo Bobek, ações e criptomoedas não devem ser a base do planejamento, já que oscilações próximas da viagem podem comprometer o orçamento. A recomendação é iniciar a compra gradual de euros a partir de 2028, reduzindo o impacto das variações do câmbio.
Os planejadores financeiros sugerem um cronograma dividido em etapas:
2026: definir o orçamento e iniciar os aportes;
2027 e 2028: manter disciplina nos investimentos e acompanhar o câmbio;
2029: atingir aproximadamente 75% da meta;
2030: concentrar o patrimônio em aplicações conservadoras e finalizar as reservas.
Quais gastos costumam ser esquecidos?
Além das passagens e dos ingressos, diversos custos costumam ser subestimados por quem planeja acompanhar uma Copa do Mundo. Entre eles estão:
- hospedagem;
- voos internos;
- trens e transporte entre cidades;
- bagagem despachada;
- escolha de assentos;
- alimentação nos estádios;
- taxas de cartão internacional;
- IOF e operações cambiais;
- seguro-viagem;
- chip de internet;
- emissão ou renovação do passaporte;
- medicamentos;
- lavanderia;
- armazenamento de bagagem;
- transporte até os estádios;
- compra de produtos oficiais;
- alterações de última hora no roteiro.
Bobek recomenda reservar entre 15% e 20% do orçamento para imprevistos. Outro ponto de atenção é o aumento expressivo dos preços da hospedagem durante o torneio. Segundo Gustavo Assis, imóveis próximos às cidades-sede já registram valores elevados em grandes eventos esportivos.
Como exemplo, uma casa de seis quartos em Princeton, próxima ao MetLife Stadium, chegou a ser anunciada por cerca de US$ 6 mil por noite durante a Copa de 2026, equivalente a aproximadamente R$ 31,5 mil na cotação atual. Além disso, gestores do setor apontam que hotéis em cidades-sede podem registrar aumentos de até 300% nas tarifas em períodos de maior procura.
Levantamento da Rico mostra ainda que a chamada “cesta do torcedor” ficou 32,5% mais cara desde a Copa de 2022. Os especialistas são unânimes: quanto antes começar, menor será o impacto no orçamento mensal.
As projeções consideram uma viagem de 10 a 12 dias, saindo do Brasil, com passagens em classe econômica, hospedagem de padrão intermediário, alimentação, transporte, seguro-viagem, internet, três partidas e uma reserva para imprevistos.
Como os preços oficiais da Copa do Mundo de 2030 ainda não foram divulgados pela FIFA, todas as estimativas são projeções financeiras e deverão ser revisadas à medida que forem anunciados o calendário, as cidades-sede definitivas, os ingressos e as condições de venda.
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