Projeto quer proibir apreensão de veículos por atraso no IPVA em Goiás
28 abril 2026 às 15h39

COMPARTILHAR
Um projeto de lei apresentado na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) visa proibir a apreensão, retenção ou remoção de veículos exclusivamente por atraso no pagamento do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA). A proposta é de autoria do deputado estadual Lucas Calil (PRD).
O texto estabelece que o inadimplemento do IPVA tem natureza exclusivamente tributária e, por isso, deve ser cobrado pelos meios legais previstos na legislação fiscal, sem uso de medidas coercitivas indiretas, como a apreensão do veículo.
O projeto também determina a distinção entre a obrigação tributária, referente ao IPVA, e o requisito administrativo de circulação, ligado ao licenciamento anual. Pela proposta, a inadimplência do imposto não poderá, isoladamente, restringir o direito de circulação.
A vedação, no entanto, não se aplica em casos de outras irregularidades previstas no Código de Trânsito Brasileiro, que continuariam permitindo a retenção ou remoção do veículo.
Além disso, o texto prevê que a fiscalização deve observar o artigo 270 do Código de Trânsito Brasileiro, priorizando a regularização da situação sempre que possível.
Na justificativa, o autor argumenta que a apreensão de veículos por falta de pagamento do IPVA configura uma distorção, ao tratar uma dívida tributária como infração administrativa de trânsito.
Segundo o deputado, a prática se enquadra como “sanção política”, vedada pela Constituição Federal e por decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), por utilizar meios indiretos para forçar o pagamento de tributos.
O parlamentar afirma, no texto, que o Estado já dispõe de instrumentos legais adequados para cobrança, sem necessidade de medidas consideradas desproporcionais. A proposta também aponta o impacto social da apreensão de veículos, especialmente para trabalhadores que dependem do automóvel como fonte de renda.
De acordo com o texto, a retirada do veículo pode comprometer imediatamente o sustento familiar, o que, segundo o autor, fere princípios como a dignidade da pessoa humana e o direito social ao transporte.
O projeto, segundo a justificativa, não impede a cobrança do IPVA, mas busca garantir que ela ocorra por meios considerados legais e proporcionais, sem penalizar excessivamente o contribuinte.
A proposta está protocolada na Assembleia Legislativa de Goiás e está em análise na Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJ), etapa em que aguarda parecer para ser submetida à votação. Concluída essa fase, o texto seguirá ao plenário, onde será apreciado pelos deputados estaduais.
Leia também
Após decisão do STF, Daniel Vilela propõe alteração em regras do IPVA em Goiás; veja outras mudanças

