O Programa de Cultura Inclusiva foi lançado em Goiânia nesta sexta-feira, 29, e já viabilizou a contratação de 16 pessoas com deficiência (PCDs) para atuarem nas agências do Sicoob, cooperativa financeira idealizadora da iniciativa. Realizado em parceria com a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) Goiânia, o Núcleo de Arte e Inclusão do Autista (NAIA) e a Associação Down de Goiás (As Down), o programa eleva de 25 para 41 o total de colaboradores PCDs na Sicoob UniCentro B, um salto de 64%. 

O evento de lançamento aconteceu na sede da cooperativa e contou com palestras, apresentação do funcionamento do projeto e a entrega oficial do cordão de crachá aos novos funcionários. Entre os contratados está Athos Particheli, de 27 anos, que atuará como agente administrativo no Sicoob. Em entrevista ao Jornal Opção, o jovem celebrou a conquista. “Minha família sempre me apoiou bastante e estão muito felizes. Eu gosto muito desse ramo, eu já sei mexer um pouco com informática, mas nesse ramo eu vou aprender mais ainda.” 

Todos os profissionais contratados são maiores de idade e trabalharão sob regime CLT, com jornadas que variam de quatro a seis horas diárias, conforme a função. Eles atuarão em diferentes áreas administrativas e de apoio das agências e setores internos, sempre respeitando o perfil, as potencialidades e o desenvolvimento profissional de cada um.

O diretor-presidente da cooperativa, Diogo Mafia, explicou ao Jornal Opção que o principal objetivo do programa é promover a inclusão social por meio da geração de oportunidades reais de trabalho. “A nossa cooperativa é originalmente, e ainda hoje, dirigida por médicos. Então, nós já temos aí uma longa vivência e experiência com atividades de inclusão para pessoas com deficiência. Isso vai gerar um impacto positivo para as nossas equipes, para as nossas cooperativas, dando uma oportunidade real de trabalho, de emprego, para essas pessoas que têm algum tipo de deficiência.” 

Mafia reforçou ainda que a Sicoob “entende que inclusão não é apenas um compromisso institucional, mas uma prática que precisa ser vivida no dia a dia, e essa mobilização reforça esse posicionamento.”

Ambiente acessível e sensibilização das equipes marcam preparação da cooperativa

Para receber os novos colaboradores em um ambiente seguro e acolhedor, a cooperativa financeira investiu em adaptações físicas e, além disso, promoveu ações de sensibilização das equipes, orientação das lideranças e adequação de rotinas e processos. As associações parceiras (APAE Goiânia, NAIA e As Down) atuaram em todas as etapas, desde a identificação de perfis e a preparação dos candidatos até o suporte técnico e a orientação da cooperativa.

Dessa forma, a parceria garantiu mais segurança, assertividade e responsabilidade na implementação do programa. De acordo com a gerente de Gente e Cultura do Sicoob UniCentro Br, Andrea Dantas, os critérios para contratação consideraram perfil comportamental, interesse em desenvolvimento profissional e requisitos mínimos alinhados às vagas. 

O programa também conta com um plano estruturado de acompanhamento contínuo. “Esse acompanhamento contempla desenvolvimento técnico, suporte comportamental e avaliações periódicas, garantindo evolução consistente e sustentável”, assegurou a gerente. 

Andrea Dantas revelou ainda que a iniciativa nasceu com visão de continuidade. “A partir dos aprendizados dessa primeira etapa, existe a intenção de expandir o programa para outras unidades e avaliar novas oportunidades de inclusão, sempre de forma estruturada, responsável e alinhada à capacidade de acompanhamento e desenvolvimento dos colaboradores.”

Parceiros celebram conquista e reforçam importância do pertencimento

O procurador da Federação das APAES de Goiás (FEAPAES-GO), Eduardo Mesquita, também palestrante do evento, avaliou positivamente a iniciativa em entrevista ao Jornal Opção

“Eu vejo que é uma grande conquista da cooperativa. A direção, no nosso entendimento, adota uma postura muito acertada de abrir as portas do Sicoob para a inclusão. As famílias que aqui estão, os próprios colaboradores contratados, a gente percebe na face de cada um, nas colocações, essa alegria dessa oportunidade. Então, é uma vitória.”

Mesquita acrescentou que o mercado de trabalho representa o passo seguinte após a escola, e que a igualdade de oportunidades é fundamental. “A gente tem visto que nessas relações de trabalho, o aprendizado é muito rico. Não só eles aprendem, como também o próprio ambiente de trabalho, os demais colaboradores das empresas, das cooperativas, das instituições, ganham muito também nesse relacionamento com as pessoas com deficiência.”

O presidente do NAIA, Marcelo Oliveira, comemorou a parceria e destacou o trabalho de preparação dos autistas para o mercado. “Para nós, é uma fase que a gente buscou muito, porque o nosso departamento de empregabilidade trabalha há muito tempo. Então, a gente faz as oficinas para desenvolver principalmente habilidades sociais para os nossos autistas.” Oliveira explicou que o maior desafio muitas vezes não é conseguir o emprego, mas sim manter-se nele.

“O autista tem, por característica, uma baixa habilidade social, então muitas vezes ele consegue o emprego. Manter-se no emprego é o desafio.” Ele reforçou ainda que “projetos de inclusão só fazem sentido quando saem do discurso e chegam de verdade às famílias”. E completou: “A nossa luta é essa, é mostrar que os meninos são capazes, que a deficiência muitas vezes não está no ambiente de trabalho, está na vida social lá fora.”

Já Ana Maria Ferreira Motta Fernandes, da Associação Down de Goiás (As Down), trouxe uma perspectiva emocionada à reportagem. “Realmente é memorável esse momento. Eu sou uma pessoa que eu não falo de inclusão, eu falo de pertencimento, porque inclusão todo mundo fala e não acontece.” Mãe de dois filhos com síndrome de Down, ela afirmou que “acredita que os meninos realmente vão conquistar o que é deles, e a gente é só para dar o apoio. A gente vai em busca das oportunidades, mas os que vão fazer são eles.”

Já o ativista e influenciador digital João Vitor de Paiva Bittencourt, primeiro aluno com Down da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO) e também palestrante do evento, resumiu o sentimento coletivo em entrevista ao Jornal Opção. “Eu estou muito feliz porque esse momento mostra para todos que pessoas com deficiência podem fazer tudo, podem entrar no mercado de trabalho. É muito importante fazermos o máximo possível para incluirmos as pessoas com deficiência. Eu tenho certeza que os colaboradores vão gostar bastante.”

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