Produtora do filme ‘Dark Horse’ sobre Bolsonaro contratou empresa de integrante do PCC preso por feminicídio
26 junho 2026 às 10h30

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A produtora responsável pela cinebiografia “Dark Horse”, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), firmou vínculo com a empresa de Alex Leandro Bispo dos Santos, um homem apontado pelo Ministério Público de São Paulo como integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC) e atualmente preso de forma preventiva sob a acusação de feminicídio.
A conexão ocorreu por meio do Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido pela empresária Karina Gama, que também controla a Go Up Entertainment, produtora do filme. O ICB contratou a Favela Conectada Serviço e Tecnologia Ltda., empresa da qual Santos era sócio único até dezembro de 2025, para instalar pontos de wi-fi em comunidades da capital paulista. As informações foram originalmente reveladas pela “Folha de S.Paulo”.
De acordo com os órgãos de inteligência da polícia, Santos carrega uma extensa ficha criminal e é reconhecido como membro da facção. Enquanto isso, a organização de Karina Gama tornou-se alvo de um inquérito da Polícia Civil que apura supostas irregularidades em um contrato de R$ 108 milhões firmado em junho de 2024 com a Secretaria de Inovação e Tecnologia da gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB).
O acordo previa a instalação de 5 mil pontos de internet em vias públicas. Sem qualquer experiência prévia nesse tipo de serviço, o ICB terceirizou a execução para três empresas, entre elas a Favela Conectada. Conforme a prestação de contas entregue à prefeitura, a companhia de Santos instalou mais de 900 pontos nas favelas e recebeu mais de R$ 3,8 milhões até o fim de 2025, oriundos de um contrato inicial de R$ 12 milhões entre a ONG e a empresa.
Paralelamente à investigação sobre o contrato milionário, o histórico criminal de Alex Leandro Bispo dos Santos mostra uma trajetória de vínculos com o crime organizado. Conhecido como Baianão, ele acumula prisões desde os 18 anos. Em 2003, foi preso pela suspeita de participação no sequestro-relâmpago de um sobrinho do então senador Eduardo Suplicy (PT).
Além disso, entre novembro de 2012 e dezembro de 2017, cumpriu pena na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, unidade que concentra lideranças do PCC, onde também esteve Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, chefe máximo da facção. Em seguida, passou por Mirandópolis 1, outro presídio que abriga integrantes da cúpula, e ganhou a liberdade em novembro de 2018. O promotor Lincoln Gakiya, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Presidente Prudente, confirmou que Santos já cumpriu pena nesses dois locais estratégicos para a organização criminosa.
Agora, o empresário voltou à prisão pelo crime de feminicídio. Em novembro de 2025, segundo a denúncia, ele agrediu e arrastou a namorada, Maria Katiane Gomes da Silva, de 25 anos, pelo pescoço antes que ela caísse do 10º andar de um prédio na Vila Andrade, Zona Sul de São Paulo. O Tribunal de Justiça já o tornou réu por homicídio, afastando a hipótese de suicídio.
Em depoimento, o próprio acusado admitiu que “perdeu a cabeça” e deu “uns tapas” na esposa, mas sustentou que ela se jogou da sacada. No entanto, uma testemunha apresentou à investigação a gravação de uma discussão do casal. No áudio, Alex se vangloria da ligação com a facção ao afirmar: “Tenho escorpião do PCC e num devo satisfação”.
A ostentação se materializa também no corpo: um relatório policial destaca que “Alex também possui duas tatuagens, de uma carpa e de um dragão, que no contexto das facções criminosas, possui um significado. A combinação de ambos os símbolos reforça a ideia de um membro que superou grandes desafios e alcançou um status elevado ou superior dentro da facção”.
O Jornal Opção não conseguiu localizar a defesa de Alex Leandro Bispo dos Santos e Karina Gama. O espaço, no entanto, segue aberto para eventuais manifestações.
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