PP e União Brasil se afastam de Flávio Bolsonaro e devem adotar neutralidade na disputa pelo Planalto
10 julho 2026 às 18h00

COMPARTILHAR
A federação formada pelo Progressistas e pelo União Brasil deve permanecer neutra na disputa pela Presidência da República em 2026 e não declarar apoio à pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL). A tendência, segundo dirigentes das legendas, é liberar os diretórios estaduais para definirem seus próprios palanques, de acordo com a realidade política de cada estado.
Nos bastidores, a decisão é atribuída a uma combinação de fatores. Além de divergências recentes entre Flávio Bolsonaro e integrantes da cúpula da federação, dirigentes estaduais pressionam para que a aliança não assuma um compromisso nacional com nenhum candidato ao Palácio do Planalto.
A federação partidária, criada neste ano, obriga PP e União Brasil a atuarem conjuntamente em âmbito nacional por, no mínimo, quatro anos. Ainda assim, a avaliação predominante é de que a neutralidade preservaria a autonomia das lideranças regionais e evitaria impactos negativos em estados onde o cenário eleitoral é distinto do nacional.
Atritos com dirigentes
O distanciamento entre Flávio Bolsonaro e o Progressistas começou a ganhar força após o presidente nacional da legenda, senador Ciro Nogueira (PP-PI), tornar-se alvo de uma investigação da Polícia Federal relacionada ao Banco Master e ao empresário Daniel Vorcaro. Integrantes do partido esperavam uma manifestação pública de apoio do senador do PL, o que não ocorreu.
Antes do desgaste, dirigentes chegaram a discutir a possibilidade de Ciro Nogueira integrar uma eventual chapa presidencial encabeçada por Flávio Bolsonaro como candidato a vice-presidente.
No União Brasil, o clima também se deteriorou após a prisão do ex-prefeito de Belford Roxo (RJ), Márcio Canella, aliado político de Flávio e pré-candidato ao Senado. Canella foi preso durante uma operação da Polícia Federal depois que um fuzil foi encontrado no porta-malas do veículo em que estava. Lideranças da legenda também aguardavam uma manifestação pública do senador, que acabou não acontecendo.
Pressão dos estados
Outro fator que pesa na decisão é a pressão de parlamentares, principalmente das regiões Norte e Nordeste, que defendem a neutralidade da federação na eleição presidencial.
A avaliação é que um apoio formal à candidatura de Flávio Bolsonaro poderia dificultar alianças regionais e comprometer o desempenho eleitoral em estados onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém altos índices de aprovação.
Com isso, a tendência é que cada diretório estadual tenha liberdade para construir alianças conforme as características da disputa local.
Exceção em São Paulo
Apesar da inclinação pela neutralidade nacional, o cenário pode variar entre os estados. Em São Paulo, integrantes do Progressistas defendem apoiar Flávio Bolsonaro por entenderem que essa aproximação poderá fortalecer a pré-candidatura do secretário estadual da Segurança Pública, Guilherme Derrite (PP), ao Senado.
Dirigentes paulistas avaliam que, enquanto o deputado estadual André do Prado (PL) conta com o apoio do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), Flávio Bolsonaro poderia concentrar esforços na campanha de Derrite, ampliando sua competitividade na disputa pelas duas vagas ao Senado que estarão em jogo em 2026.
Leia também:De coleta seletiva à redução de plásticos: veja o que muda nos eventos culturais de Goiânia



