Polícia Civil pede arquivamento do caso Jefferson de Oliveira após descartar indícios de ação criminosa na morte do marceneiro
15 outubro 2026 às 19h57

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A Polícia Civil concluiu que não foram encontrados indícios de ação humana intencional que tenha provocado a morte do marceneiro Jefferson de Oliveira e encaminhou ao Judiciário um pedido de arquivamento do caso. Segundo o delegado Eduardo Rodovalho, do Grupo de Investigações de Homicídios (GIH) de Aparecida de Goiânia, as investigações não identificaram elementos que apontassem para a prática de crime.
Ainda de acordo com o delegado, o exame cadavérico não conseguiu determinar a causa da morte devido à ausência de tecidos moles no corpo. A análise dos restos mortais, entretanto, não identificou sinais de trauma na estrutura óssea.
“O laudo cadavérico veio com causa indeterminada, porque não tinha mais tecido mole, mas na parte esquelética não houve nenhum indício de que tenha ocorrido algum tipo de trauma. Também não houve nenhum elemento que indicasse a ação humana voluntária que ocasionou a morte do Jefferson. Por essa razão, sugeriu-se o arquivamento”, explicou.
Jefferson de Oliveira ficou 52 dias desaparecido após sofrer um acidente na Avenida Jataí, em Aparecida de Goiânia, enquanto seguia para a casa da mãe, onde tomaria café da manhã. O acidente não envolveu outro veículo, e o marceneiro colidiu contra um poste às margens da via.
Pouco depois, familiares e amigos encontraram o veículo abandonado, sem qualquer sinal de Jefferson nas proximidades. Durante as buscas, foram localizados vestígios de sangue e objetos pessoais do marceneiro, o que levou as equipes a considerar a possibilidade de que ele tivesse entrado ferido em uma área de mata próxima ao local do acidente.
Uma das hipóteses investigadas é a de que Jefferson não tenha resistido a possíveis lesões provocadas pela colisão.
“Possivelmente, ele faleceu em decorrência de algum tipo de consequência da colisão que teve com o veículo. Caminhou até parar no local onde o corpo foi encontrado”, afirmou.
Trajeto percorrido por Jefferson pode ter ultrapassado três quilômetros
Eduardo Rodovalho destaca que Jefferson teria percorrido um trajeto irregular, inicialmente paralelo à avenida e, posteriormente, por uma área de vegetação, o que pode ter elevado a distância percorrida para mais de três quilômetros.
“Ele pegou um roteiro diferente. Primeiro foi paralelo à avenida, depois foi por dentro. Então, ele deve ter caminhado mais de três quilômetros”, esclareceu.
O delegado destaca ainda que uma das hipóteses é a de que a vítima estivesse desorientada após a colisão, o que explicaria as mudanças de direção durante o percurso.
“A gente não tinha como prever qual seria a trajetória que ele pegou. Tanto é que foi uma trajetória que não era esperada. Ele foi para um lado, depois virou à esquerda, possivelmente por estar desnorteado”, acrescentou.
O delegado também reforçou uma condição destacada pelos bombeiros no dia em que a ossada foi encontrada: as características do terreno dificultaram o trabalho das equipes. Segundo Rodovalho, o corpo estava em uma área isolada, com declive e vegetação, o que reduzia as chances de localização por meio de buscas convencionais.
De acordo com ele, a descoberta só foi possível graças à atuação de cães farejadores, que conseguiram identificar o local onde estavam os restos mortais.
“Lá é muito extensa a área, e o local era bem ermo, num declive, debaixo de um pequeno matagal. Só foi possível encontrar por causa do farejamento dos cães. Caso contrário, teria sido impossível encontrar”, relatou.
No dia 16 de setembro, quando a ossada foi encontrada, o major Rogério Matos, do Corpo de Bombeiros, informou à imprensa que os restos mortais foram localizados com o auxílio de cães farejadores. O corpo estava em avançado estado de decomposição e encoberto pela vegetação.
“A gente sabia qual poderia ser o estágio de decomposição de um corpo nesse período e o que poderíamos encontrar. Com o odor identificado pelos cães, chegamos ao local e constatamos que havia um corpo já praticamente esquelético”, afirmou.
Na ocasião, o major explicou que algumas características encontradas eram semelhantes às informações disponíveis sobre Jefferson, mas nenhuma delas, isoladamente, permitia confirmar a identidade.
“Há uma camisa que se assemelha muito, uma calça que se assemelha muito, meia preta e uma arcada dentária com aparelho. Todos esses indícios apontam para a possibilidade de ser Jefferson, mas somente a Polícia Científica poderá fazer os exames periciais para constatar se é ou não”, explicou.
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