Guilherme Rodrigues e João Paulo Alexandre

Uma ossada humana foi encontrada na tarde desta quarta-feira, 16, no Setor Vale do Sol, em Aparecida de Goiânia. Ao Jornal Opção, o delegado Eduardo Rodovalho informou que os restos mortais foram localizados a poucos metros do local onde ocorreu o acidente envolvendo Jefferson de Oliveira, ilustrador desaparecido desde o dia 25 de julho.

Entretanto, somente o trabalho da perícia poderá confirmar se a ossada pertence ao ilustrador, algo que acontece no início desta noite.

Segundo informações da PC no dia do desaparecimento, Jefferson Oliveira bateu o carro na Avenida Jataí enquanto seguia para a casa da mãe, onde tomaria café da manhã. O acidente não envolveu outro veículo, e o ilustrador colidiu contra um poste às margens da via.

Pouco depois, familiares e amigos encontraram o veículo abandonado, sem qualquer sinal de Oliveira nas proximidades. Durante as buscas, foram localizados vestígios de sangue e objetos pessoais do ilustrador, o que levou as equipes a acreditar que ele tenha entrado ferido em uma área de mata próxima ao local do acidente.

Jefferson de Oliveira está desaparecido desde o último dia 25 de julho | Foto: divulgação

Desabafo da mãe

Recentemente, em entrevista exclusiva ao Jornal Opção, Cleomar de Oliveira relembrou que as visitas do filho à sua casa faziam parte da rotina e conta como a dor provocada por esse tic-tac interminável de espera tem transformado sua vida.

Segundo ela, mesmo com os compromissos de trabalho, o filho sempre reservava os fins de semana para visitá-la. O cuidado se tornou ainda maior depois que ela sofreu um infarto e passou por oito paradas cardíacas. Durante os 21 dias em que permaneceu internada em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), o filho praticamente deixou o trabalho de lado para acompanhar a recuperação dela.

“Além de ser meu filho, ele é meu amigo. […] Nunca fiquei esse tanto de dias sem vê-lo, nem ele sem me ver”, conta.

Segundo a dona de casa, pequenos gestos se transformaram em lembranças de uma dor imensurável desde o desaparecimento do ilustrador. Como Cleomar é apaixonada por pão, o filho costumava chegar com o alimento. Inclusive, no dia do desaparecimento, Jefferson estava indo para a casa da mãe para tomar café da manhã.

Trabalhador desde cedo

Cleomar conta que Jefferson sempre a ajudou, o que fez com que os dois se tornassem próximos desde a infância do garoto. Aos 8 anos, enquanto ela trabalhava vendendo laranjas e laranjinhas para levar comida à mesa, Jefferson já ajudava nas tarefas, carregando caixas de isopor e fazendo entregas. Mais tarde, também aproveitava eventos realizados na escola onde ela trabalhava para vigiar carros e conseguir algum dinheiro.

“Toda a vida ele foi muito trabalhador, responsável. Do meu filho eu sei falar: trabalhador, honesto e responsável.”

A mãe relembra que mesmo as eventuais discussões não duravam muito tempo, demonstrando que a ligação entre os dois era mais forte do que qualquer desentendimento.

“Nós sempre fomos grudados. Se eu discutisse com ele hoje e ele fosse embora, amanhã, quando eu abrisse a porta, a primeira cara que eu ia ver era a dele.”

Irmão e mãe de Jefferson buscam esclarecer o que acontecer com Jefferson de Oliveira | Foto: Rosi Campos/Jornal Opção

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