Guilherme Rodrigues, Hely Júnior e João Paulo Alexandre

As principais características que levantam a suspeita de que a ossada encontrada nesta quarta-feira, 16, em uma região de mata em Aparecida de Goiânia, seja de Jefferson de Oliveira são as peças de roupa semelhantes às que ele utilizava no dia do acidente e a presença de aparelho ortodôntico na arcada dentária. Os restos mortais foram encontrados poucos metros do local onde ocorreu o acidente envolvendo Jefferson de Oliveira, ilustrador desaparecido desde o dia 25 de julho.

Segundo o major Rogério Matos, do Corpo de Bombeiros, a ossada foi localizada com o auxílio de cães farejadores, estava em avançado estado de decomposição e encoberta pela vegetação. “A gente sabia qual poderia ser o estágio de decomposição de um corpo nesse período e o que poderíamos encontrar. Com o odor identificado pelos cães, chegamos ao local e constatamos que havia um corpo já praticamente esquelético”, afirmou.

Segundo o major, algumas características são semelhantes às informações disponíveis sobre Jefferson, mas nenhuma delas, isoladamente, permite confirmar a identidade.

“Há uma camisa que se assemelha muito, uma calça que se assemelha muito, meia preta e uma arcada dentária com aparelho. Todos esses indícios apontam para a possibilidade de ser Jefferson, mas somente a Polícia Científica poderá fazer os exames periciais para constatar se é ou não”, explicou.

Trabalhos começaram na manhã desta quarta-feira

Ainda de acordo com o major Rogério Matos, um novo planejamento foi elaborado na manhã desta quarta-feira, 16, a partir do cruzamento das informações reunidas durante a investigação. Dois cães especializados participaram da varredura.

“Por volta das 17h30, um dos cães farejou um odor característico. É um cão especializado e treinado para esse tipo de serviço. As equipes chegaram ao local e constataram que se tratava realmente de um corpo em estado avançado de decomposição”, acrescentou.

O major destacou que a região apresenta condições que tornam as buscas complexas, com grotas, vales, vegetação fechada e pontos de difícil acesso. As equipes percorreram vários quilômetros durante as varreduras.

“Foi um trabalho de planejamento bastante minucioso. É uma área extremamente difícil de acessar, com muitas grotas e muitos vales. Percorremos quilômetros procurando qualquer indício e conseguimos encontrar esses vestígios”, relatou.

A área onde a ossada foi localizada já havia sido percorrida anteriormente pelas equipes. No entanto, o ponto específico onde os restos mortais foram encontrados fica dentro de uma grota de difícil acesso.

“Essa área tinha sido varrida. O pessoal já havia passado pelo local, mas ele foi encontrado em um ponto extremamente difícil de acessar, dentro de uma grota. O cão conseguiu farejar o odor e fez o sinal. As equipes entraram na grota e conseguiram encontrar o corpo”, explicou.

O major destacou ainda que as equipes não interromperam as buscas na região. Conforme antecipado pelo Jornal Opção, há aproximadamente 21 dias policiais civis e bombeiros retornavam semanalmente ao local para realizar varreduras em diferentes quadrantes.

Inicialmente, os trabalhos estavam concentrados no lado da via para onde as informações disponíveis indicavam que Jefferson poderia ter seguido após o acidente. Com o avanço das buscas e a ausência de vestígios, as equipes decidiram ampliar a área de procura.

“Nós dividimos a região em quadrantes. Estamos há aproximadamente 21 dias vindo toda semana e fazendo um quadrante. Não encontrávamos e fazíamos outro. Não desistimos em momento nenhum. Como não encontramos do lado de lá, falamos: ‘Vamos fazer essas buscas para o lado de cá também’. Era uma possibilidade”, acrescentou o major.

Ossada encontrada no local | Foto: divulgação

Hipótese de sequestro é descartada até o momento

De acordo com o delegado Sérgio Henrique Alves, outras possibilidades para o desaparecimento chegaram a ser consideradas, incluindo a hipótese de Jefferson ter sido levado por outra pessoa. Segundo o delegado, porém, os elementos reunidos durante a apuração não sustentaram essa linha de investigação.

“Apesar de ter sido aventada a possibilidade de ele ter sido sequestrado por alguém, isso não subsistia. Então, começamos a fazer essa mudança [na área de buscas]”, explicou.

O delegado também destacou que a mesma equipe permaneceu mobilizada durante os trabalhos. “Foi sempre a mesma equipe. Infelizmente, não encontramos uma pessoa viva, mas encontramos [os restos mortais] e agora o Estado poderá dar uma satisfação para a família”, afirmou.

Equipe dos bombeiros que atuaram nas buscas | Foto: divulgação

Familiares de Jefferson acompanharam os trabalhos. A mãe dele,  Cleomar de Oliveira, e o irmão dele, Emanuel Arantes, tiveram que ser amparados por outras pessoas.

Relembre o caso

Segundo informações da Polícia Civil (PC) divulgadas no dia do desaparecimento, Jefferson de Oliveira bateu o carro na Avenida Jataí enquanto seguia para a casa da mãe, onde tomaria café da manhã. O acidente não envolveu outro veículo, e o ilustrador colidiu contra um poste às margens da via.

Pouco depois, familiares e amigos encontraram o veículo abandonado, sem qualquer sinal de Jefferson nas proximidades. Durante as buscas, foram localizados vestígios de sangue e objetos pessoais do ilustrador, o que levou as equipes a considerar a possibilidade de que ele tenha entrado ferido em uma área de mata próxima ao local do acidente.

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