PIB da China desacelera no terceiro trimestre; economista analisa

Risco imobiliário e crise energética levaram economia a crescer abaixo do esperado, mas especialista diz que o país logo contornará problema

Risco de calote foi um dos motivos de desaceleração | Foto: Hector Retamal / AFP

O Produto Interno Bruto (PIB) da China teve desaceleração no terceiro trimestre do ano. Apesar da retomada pós-pandemia, o risco imobiliário e a crise energética levaram a economia do país para abaixo das expectativas no período. O crescimento foi de 4,9%. No entanto, segundo o economista Everaldo Leite, o país deve contornar rapidamente o problema.

Um dos fatores que conteve o crescimento do país foi o risco de calote da empresa Evergrande. De acordo com Everaldo Leite, isso evidenciou a crise no setor da construção civil. “A China tem amortecido o problema. É um país de economia capitalista, mas de posição política socialista. Ela não pode se dar ao luxo de frear o desenvolvimento agora e não vai deixar a crise de uma única empresa levar toda a economia a uma crise. Tem uma estratégia séria envolvida”, analisou o economista.

A queda na demanda imobiliária no país tem afetado a construção civil. O valor do minério de ferro, por exemplo, sofreu queda, o que afetou diretamente a exportação brasileira. “O Brasil é um grande exportador de minério de ferro para China, essa diminuição do valor do produto interfere diretamente no nosso mercado”, apontou Everaldo Leite.

Apesar de China e Brasil terem relações econômicas e comporem o bloco de países emergentes Brics (sigla em inglês para Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), os chineses não preocupam com os impactos negativos sobre os parceiros. “Esse problema da construção civil acaba sendo transferido para outros países. Não existe preocupação com o Brics. Hoje, o bloco é uma instituição mais diplomática do que efetivamente econômica. A China não vai se preocupar com outros países do Brics, ela está preocupada com si mesma”, pontuou Everaldo Leite.

A crise energética também contribuiu para a desaceleração. A principal fonte de energia da China é carvão, produto que atingiu máximas históricas por conta da escassez e restrições ambientais. Houve paralisações generalizadas que interromperam atividades de fábricas e deixaram muitas casas sem energia. “Neste ano, a demanda de energia aumentou 15%, e a oferta somente 5%”, disse Everaldo Leite.

Apesar disso, o economista crê que o problema será resolvido de curto a médio prazo. “A china faz grandes investimentos infra estruturais em escala e rapidez enormes. Estão investindo muito na produção limpa de energia: eólica e solar. É investimento em larga escala”, apontou Everaldo Leite.

Outro ponto levantado pelo economista é a crise do frete marítimo, que atinge vários países pelo mundo, como Reino Unido. “O frete triplicou de preço. Não há contêineres suficientes para suprir a necessidade de importação e exportação. No Brasil, essa crise de contêineres influenciou a exportação do café, que vai para a Europa”, analisou o especialista.

Apesar da desaceleração, o economista lembrou que, no primeiro trimestre, a China cresceu 18%, seguido de 7% no segundo trimestre. Os números, ao final do ano, resultarão em crescimento maior do que vários países do mundo.

Além disso, o especialista apontou para problemas decorrentes de crises econômicas passadas e da pandemia. “Para a China, é uma queda no ritmo do crescimento, mas não é estrutural, é conjuntural. De 2008 pra cá, houve quedas. Em 2019, a China cresceu 6%. Em 2020, em função da pandemia, 2,3%. Foi o menor crescimento em 44 anos. Em 2021, houve a primeira retomada. Tem que levar em consideração todos esses problemas”, analisou Everaldo Leite.

A China ainda enfrenta problemas relacionados à disseminação do coronavírus. Surtos esporádicos surgem pelo país e comprometem a economia. Em setembro, cerca de 5 milhões de pessoas precisaram ser confinadas para evitar novo descontrole da doença.

Uma resposta para “PIB da China desacelera no terceiro trimestre; economista analisa”

  1. Muito boa entrevista.
    O economista Everaldo Leite, fez um quadro real da economia chinesa e suas perspectivas de médio e longo prazo e se mostrou conhecedor da economia asiática. Parabéns.

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