PF encontra contrato de documentário assinado por Daniel Vorcaro enquanto banqueiro estava preso
12 julho 2026 às 14h18

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A Polícia Federal encontrou uma minuta de contrato que indica que o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do extinto Banco Master, teria acertado a produção de um documentário sobre o próprio caso criminal enquanto já estava preso. O documento foi localizado durante buscas realizadas em endereços ligados ao publicitário Thiago Miranda, investigado por atuar na estratégia de comunicação de Vorcaro.
Segundo a investigação, a minuta foi assinada em 31 de março, período em que Vorcaro estava custodiado na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde permanecia enquanto negociava um possível acordo de colaboração premiada. Atualmente, o banqueiro está preso no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha, para onde foi transferido por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça no fim de junho.
A existência do contrato foi citada pelo próprio Mendonça na decisão em que autorizou novas medidas cautelares contra Thiago Miranda, entre elas a apreensão de seu passaporte.
“Destaca-se a descoberta de uma minuta de contrato supostamente celebrado entre Thiago Miranda e Daniel Vorcaro, no dia 31 de março do corrente ano, quando este último já se encontrava preso”, registrou o ministro na decisão.
Documentário sobre o Caso Banco Master
De acordo com a apuração preliminar da Polícia Federal, o contrato previa a produção de um documentário provisoriamente intitulado “Caso Banco Master”.
A obra audiovisual teria participação direta de Vorcaro e de Thiago Miranda, que se comprometeriam a conceder entrevistas e fornecer documentos, informações e outros materiais relacionados ao caso para compor a narrativa da produção.
O ministro André Mendonça ressalta que a produção de um documentário, por si só, não configura crime. O que levou o documento a integrar a investigação, porém, foi o contexto em que ele foi elaborado e o conjunto de elementos já reunidos pela Polícia Federal.
Estratégia de comunicação é alvo da investigação
A minuta passou a ser considerada relevante porque a PF investiga se Thiago Miranda coordenava uma estrutura de comunicação financiada por Daniel Vorcaro para influenciar a opinião pública e pressionar autoridades durante as investigações envolvendo o Banco Master.
Segundo a Polícia Federal, o grupo teria atuado para produzir conteúdos favoráveis ao banqueiro, atacar adversários, desacreditar o Banco Central e monitorar jornalistas, influenciadores e executivos do sistema financeiro. Em outra frente da investigação, mensagens apreendidas mostram que Vorcaro chegou a pedir a Thiago Miranda um levantamento sobre o presidente do Itaú Unibanco, Milton Maluhy, afirmando que o executivo estaria lhe causando problemas.
Os investigadores também apuram suspeitas de que influenciadores digitais tenham recebido propostas de até R$ 2 milhões para divulgar conteúdos relacionados ao Banco Master e às investigações.
Assinatura de contratos por presos é permitida
Embora o documento tenha sido assinado durante a prisão preventiva de Vorcaro, isso não configura irregularidade por si só.
Pelas normas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), pessoas presas mantêm sua capacidade civil e podem praticar atos da vida privada, como firmar contratos, vender bens, abrir empresas ou conceder procurações, desde que respeitadas as restrições impostas pela custódia.
Passaporte apreendido e suspeita de fuga
Na mesma decisão, André Mendonça determinou a apreensão do passaporte de Thiago Miranda após a Polícia Federal informar que o publicitário tinha uma viagem marcada para Miami, nos Estados Unidos.
Para os investigadores, havia risco de que ele deixasse o país antes da conclusão das diligências. Além da retenção do documento, foram autorizadas buscas pessoais e apreensão de celulares, computadores, contratos, registros financeiros e demais documentos relacionados à investigação.
Defesa nega irregularidades
A defesa de Thiago Miranda afirma que o publicitário não praticou qualquer ato ilícito e sustenta que toda sua atuação ocorreu dentro da legalidade.
Em nota, os advogados afirmam que a existência da investigação não autoriza conclusões antecipadas sobre culpa e que Miranda permanecerá à disposição das autoridades para prestar os esclarecimentos necessários.
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