A Universidade de São Paulo (USP) anunciou o nascimento do primeiro porco clonado no Brasil e na América Latina. Esse é considerado um marco inédito na ciência brasileira. O animal foi gerado após seis anos de estudo no laboratório do Instituto de Zootecnia da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios.

Essa é uma iniciativa voltada ao desenvolvimento do xenotransplante, técnica que busca utilizar órgãos de animais em humanos. A meta dos cientistas é produzir, no futuro, órgãos como rim, coração, córnea e pele para transplantes, reduzindo a fila de espera no sistema de saúde.

Os pesquisadores analisam essa clonagem como processo bastante complexo. Mesmo o Brasil já dominando técnicas semelhantes em outras espécies bovinos e equinos, os porcos apresentam desafios biológicos específicos. Ainda assim, o animal nasceu saudável, com cerca de 1,7 kg, após uma gestação de quatro meses.

A engenharia genética foi a principal responsável no auxílio da clonagem. Por meio disso, foi possível tornar os órgãos compatíveis com o corpo humano. Foi utilizado a ferramenta CRISPR, foram desativados genes responsáveis pela rejeição imunológica e inseridos genes humanos, aumentando as chances de sucesso em futuros transplantes.

Os animais gerados no projeto serão mantidos em instalações de alta biossegurança, desenvolvidas especificamente para esse tipo de pesquisa. O objetivo é evitar qualquer risco de transmissão de doenças e garantir condições adequadas para estudos clínicos.

Além do impacto na saúde, o domínio dessa tecnologia é visto como estratégico. Especialistas apontam que, caso países como Estados Unidos e China avancem primeiro nessa área, nações que não dominarem o processo poderão se tornar dependentes da importação de órgãos.

A expectativa é que o Brasil se consolide como referência em xenotransplante na América Latina, ampliando o acesso a tratamentos e contribuindo para o avanço da medicina regenerativa nos próximos anos.

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