O padre Robson de Oliveira afirmou, durante uma missa celebrada na Diocese de Mogi das Cruzes (SP), que deixou Trindade após enfrentar um período de “tormentas” em sua vida e atribuiu à “ganância” e à “inveja” os acontecimentos que culminaram em seu afastamento de Goiás. As declarações foram feitas durante a homilia e passaram a circular nas redes sociais neste fim de semana.

Sem citar nomes, o sacerdote relembrou o período em que foi alvo da Operação Vendilhões, deflagrada pelo Ministério Público de Goiás (MPGO) em 2020, e falou sobre o sofrimento vivido na época.

“Eu me lembro, meus irmãos e minhas irmãs, alguns anos atrás, quando eu sofri um tempo de muita tormenta na minha vida, e vocês sabem muito bem disso. Alguém falou assim: ‘Coitado desse padre, eu tenho muita dó dele’. Eu nunca tinha ouvido isso na minha vida. Aliás, eu escutei muita coisa que eu nunca tinha ouvido”, afirmou.

Na sequência, ao explicar por que não participa da Festa do Divino Pai Eterno deste ano, em Trindade, Padre Robson disse que sua ausência não foi uma escolha pessoal.

“Hoje eu não estou lá em Trindade celebrando a festa do Divino Pai Eterno, como está acontecendo. Não é porque eu quero, não é porque eu escolhi esse caminho. Foi porque houve tormentas pesadas na minha vida. Ganância, inveja e tanta coisa me tiraram de lá”, declarou.

O sacerdote ainda completou que o episódio marcou profundamente sua trajetória e afirmou acreditar que suas palavras repercutiriam em Goiás.

“Sim, passei por isso, meus irmãos e minhas irmãs. Sou doutor em tormentas. Tenho certeza que isso que eu estou falando agora repercutirá por lá, porque é assim que é a vida”, completou.

Apesar das referências ao período em que deixou Trindade, Padre Robson também ressaltou o carinho que mantém pela cidade e pelos romeiros que participam da tradicional festa religiosa.

“Nós estamos nesse momento na Festa do Divino Pai Eterno. Você que participa, você que vai a Trindade, reze por nós que estamos aqui. Eu sou trindadense. Adoro aquela cidade, amo. Cresci subindo e descendo a ladeira do santuário, quando ainda nem tinha asfalto ali. Que Deus abençoe todos os romeiros e devotos do Divino Pai Eterno. Viva o Divino Pai Eterno!”, concluiu.

Relembre o caso

Ex-reitor do Santuário Basílica do Divino Pai Eterno, em Trindade, Padre Robson também foi fundador e presidente da Associação Filhos do Pai Eterno (Afipe). Em agosto de 2020, ele foi alvo da Operação Vendilhões, conduzida pelo Ministério Público de Goiás, que investigava supostos desvios de recursos provenientes de doações de fiéis, além de suspeitas de apropriação indébita, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro.

A operação resultou no afastamento do sacerdote das atividades ligadas ao Santuário e provocou ampla repercussão em Goiás.

Nos anos seguintes, porém, a defesa obteve decisões favoráveis na Justiça. O Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) determinou o trancamento das investigações por entender que não havia configuração dos crimes apontados pelo Ministério Público.

Em 2022, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) arquivou definitivamente o processo, decisão que transitou em julgado. Posteriormente, o Supremo Tribunal Federal (STF) manteve o encerramento das ações criminais e cíveis relacionadas ao caso, consolidando o fim das investigações contra o sacerdote.

Leia também: Goiás já registrou mais de 150 terremotos desde 1826; veja qual cidade teve o maior abalo sísmico