Ofício de Raizeiras e Raizeiros do Cerrado é reconhecido como patrimônio cultural do Brasil
12 junho 2026 às 15h03

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O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) reconheceu oficialmente o Ofício de Raizeiras e Raizeiros do Cerrado como patrimônio cultural do Brasil. A decisão foi aprovada durante a 113ª reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, realizada nesta quarta-feira, 10, em Brasília, e garante a inscrição da prática no Livro de Registro dos Saberes da instituição.
O registro reconhece conhecimentos e modos de fazer transmitidos entre gerações, relacionados ao uso de plantas medicinais, à preparação de remédios naturais e aos cuidados tradicionais de saúde desenvolvidos por comunidades do bioma Cerrado.
Presente em territórios quilombolas, indígenas, assentamentos rurais e periferias urbanas, o ofício é marcado pelo protagonismo feminino. Mães, avós e madrinhas são responsáveis por preservar e transmitir técnicas que unem conhecimento sobre plantas medicinais, espiritualidade e conservação ambiental.
Entre as práticas valorizadas estão as chamadas caminhadas experienciadas, em que o aprendizado ocorre diretamente no território por meio da identificação e coleta das espécies medicinais. Os remédios, como garrafadas, xaropes, pomadas e chás, são preparados em farmacinhas caseiras ou comunitárias, muitas vezes utilizadas como alternativa de atendimento à saúde em locais com acesso limitado aos serviços públicos.
O reconhecimento também reforça a relação entre o ofício e a conservação ambiental. O Cerrado abriga centenas de espécies com propriedades medicinais utilizadas pelas raizeiras e pelos raizeiros, tornando a preservação do bioma essencial para a continuidade desse patrimônio imaterial.
Segundo relatos presentes no dossiê que embasou o registro, a destruição da vegetação compromete não apenas a biodiversidade, mas também a transmissão dos conhecimentos tradicionais às novas gerações.
O documento elaborado para o reconhecimento aponta ainda que praticantes do ofício enfrentam episódios de criminalização e dificuldades para exercer suas atividades. Casos de fiscalização e questionamentos sobre a produção artesanal de remédios naturais são citados como ameaças à continuidade da tradição.
Para o Iphan, o registro representa um reconhecimento da importância histórica, cultural e social desses saberes, além de contribuir para sua valorização e salvaguarda como parte do patrimônio cultural brasileiro.
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