O Brasil está preparado para envelhecer?
18 julho 2026 às 13h15

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Etevaldo Miranda Jr.
Em poucos anos, o Brasil deixará de ser um país predominantemente jovem. Até 2030, haverá mais idosos do que crianças e adolescentes de até 14 anos. A mudança é silenciosa, porém histórica e levanta uma questão urgente: estamos preparados para envelhecer?
Sem dúvidas, o aumento da expectativa de vida é uma vitória. No entanto, mesmo com os avanços em novos tratamentos e diagnósticos, essa mudança brusca na realidade deve ser acompanhada de políticas públicas que permitam o bem estar e o envelhecimento saudável do público 60+.
A adaptação das cidades brasileiras e os serviços de saúde acontecem de forma lenta. O país envelhece antes de estruturar uma rede de apoio capaz de responder às demandas desse novo cenário.
O cenário brasileiro revela um descompasso preocupante. Enquanto a transição demográfica avança em ritmo acelerado, a adaptação das cidades e os serviços de saúde acontecem de forma mais lenta. O país envelhece antes de estruturar uma rede de apoio capaz de responder às demandas desse novo cenário.
Ruas sem calçadas livres
A população idosa no Brasil cresceu de 11,3% em 2012 para 16,6% em 2025, segundo a PNAD Contínua, reforçando a urgência de disponibilizar recursos para uma sociedade mais longeva.

No entanto, essa transformação ainda não foi acompanhada pela modificação dos espaços urbanos. De acordo com o Censo Demográfico 2022, do IBGE, apenas 18,8% dos moradores viviam em vias com calçadas livres de obstáculos, condição que compromete a mobilidade, a autonomia e a qualidade de vida na terceira idade.
Após anos trabalhando ao lado de agentes da saúde — médicos, técnicos e enfermeiros —, percebo que uma das grandes problemáticas do sistema ainda é a lógica voltada mais para reabilitação do que para medidas preventivas.
Culturalmente, o brasileiro prioriza o tratamento de doenças em vez da cautela e da promoção do bem-estar.
Mudança na forma de cuidar
Diante do envelhecimento acelerado da população, o modelo de cuidado atual se torna cada vez menos eficiente.

Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), divulgado pelo IBGE em 2019, quase metade das pessoas com deficiência no Brasil era formada por idosos, o que evidencia o aumento das limitações com o avanço da idade.
Esse cenário reforça a necessidade de investir em prevenção e autonomia.
Preparar o país para envelhecer exige uma mudança na forma de cuidar.
É preciso substituir a cultura de resposta às doenças por um padrão baseado na precaução, capaz de antecipar riscos, preservar capacidades e garantir independência. Essa transformação é urgente diante do rápido envelhecimento dos brasileiros.
Etevaldo Miranda Jr. é CEO da Cuidare, rede de franquias especializada em cuidados de pessoas.



