Governo anuncia ação contra alta dos combustíveis; Sindiposto aponta dependência de refinarias e distribuidoras
14 maio 2026 às 08h27

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Em mais uma tentativa de conter a alta dos combustíveis no país, o Governo Federal anunciou nesta quarta-feira, 13, uma nova medida provisória que prevê benefícios tributários sobre gasolina e diesel. A proposta autoriza a compensação de tributos federais, como Cide, PIS/Pasep e Cofins, cobrados sobre os combustíveis, numa tentativa de reduzir os impactos da disparada do petróleo provocada pela crise no Oriente Médio.
Apesar do anúncio, o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sindiposto), Márcio Andrade, alerta que a redução só chegará efetivamente ao consumidor caso toda a cadeia do setor adote a medida, desde refinarias e importadores até distribuidoras e postos.
Ao Jornal Opção, o presidente explicou que o benefício anunciado pelo governo não será direcionado aos postos de combustíveis, mas, sim, aos produtores e importadores. “O posto não vai ser beneficiado em momento nenhum. O benefício está lá no início da cadeia. Para isso chegar ao consumidor, é necessário o produtor e o importador aderirem ao programa, depois repassarem às distribuidoras, que farão o repasse aos postos, para, então, o consumidor sentir a redução”, afirmou.
Segundo ele, existe uma interpretação equivocada de que a simples decisão do governo automaticamente reduziria os preços nas bombas. “O consumidor imagina que o presidente anuncia a redução e o posto baixa o preço no outro dia. Mas existem dois elos no meio dessa cadeia que precisam fazer a parte deles”, explicou.

Márcio Andrade lembrou ainda que uma medida semelhante já havia sido aplicada anteriormente no diesel, mas acabou não surtindo efeito no mercado. “O governo federal deu cerca de 60 centavos de desconto e alguns estados entraram com mais 60 centavos. Daria R$ 1,20 de redução, mas nenhuma distribuidora ou produtor aderiu. Então, essa redução simplesmente não chegou ao consumidor”, disse.
O presidente do Sindiposto Goiás reforçou que, historicamente, quando as distribuidoras reduzem os preços para os postos, os valores costumam ser repassados ao consumidor final. “O posto está pronto para reduzir. Claro que o mercado é livre, mas, normalmente, quando há redução no custo vindo da distribuidora, isso é repassado”, afirmou.
O preço da gasolina em Goiás
Enquanto o governo tenta frear novos aumentos, Goiás já sente os impactos da instabilidade internacional. Segundo Andrade, nos últimos dez dias as distribuidoras elevaram significativamente os preços da gasolina para os postos. “Tivemos reajustes de aproximadamente 50 a 60 centavos por litro no custo da gasolina para os postos. Isso explica porque alguns consumidores já encontraram gasolina acima de R$ 7 em Goiás”, pontuou.
De acordo com ele, o cenário ainda é consequência direta das tensões no Oriente Médio e das dificuldades logísticas provocadas pelo fechamento do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte mundial de petróleo. “O mercado inteiro está sofrendo os reflexos dessa guerra. O Brasil sente menos porque a Petrobras ainda absorve parte desses reajustes, mas o país continua dependente da importação de combustíveis”, explicou.
Andrade também rebateu críticas frequentes direcionadas aos postos e afirmou que os empresários do setor não são responsáveis pela formação do preço final dos combustíveis. “O posto é apenas a ponta final da cadeia. Quando o combustível chega até ele, praticamente o preço já está formado pelo produtor, importador e distribuidora. O posto apenas acrescenta seus custos operacionais”, afirmou.
Segundo o presidente do sindicato, o aumento dos combustíveis também impacta diretamente os próprios empresários do varejo. “Para o posto não é vantagem vender combustível caro. Quanto mais acessível estiver o preço, maior é o consumo. O posto ganha na quantidade vendida, não no preço alto”, concluiu.
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