“Não precisamos de escolas de princesas, mas sim de meninas livres e independentes”

Presidente da Associação Brasileira de Mulheres da Carreira Jurídica critica falta de protagonismo feminino em diversas áreas

Presidente da ABMCJ, Laudeliina Inácio

Presidente da ABMCJ, Laudelina Inácio

Eleita presidente nacional da Associação Brasileira de Mulheres da Carreira Jurídica (ABMCJ), a delegada goiana Laudelina Inácio defendeu, em entrevista ao Jornal Opção, maior protagonismo feminino em cargos de chefia. Para ela, a igualdade de gênero é uma luta constante, mas é preciso levantar uma outra bandeira mais importante: a da valorização.

“Nosso objetivo é bem claro: brigar pelo empoderamento da mulher. Já lutamos e conquistamos muito nos últimos 30 anos, só que apesar de hoje sermos maioria nos bancos da universidades, maioria aprovada em concursos públicos, nós não conseguimos ocupar os cargos de direção”, explica.

Para ela, mesmo que pareça absurdo ter que se falar nisso, é preciso que haja uma conscientização de toda a população de que as mulheres possuem a mesma capacidade para desempenhar as mesmas funções que os homens. “Por que não assumimos diretorias na Polícia Civil? Procuradorias? Presidências de empresas? Fácil: porque a maioria dos conselhos com poder de decisão é masculina. Se nos acomodarmos, não vamos ocupar nunca”, alertou.

A presidente da ABMCJ faz questão de destacar que não é com “escolas de princesas” que as mulheres conseguirão quebrar a barreira do gênero no Brasil. “Isso é o retrocesso do retrocesso. Imagina se essas meninas não encontrarem um príncipe para ‘cuidar’? Precisamos de escolas que as ensinem a ser livres, independentes, verdadeiras. Que se preocupem com outros seres humanos. Não precisamos de escolas de princesas”, criticou.

Laudelina Inácio acredita que a única maneira para a sociedade brasileira avançar é oferecer oportunidades iguais, independente do gênero ou orientação sexual, a todos. “Temos o direito de conquistarmos nossos sonhos”, arrematou.

A ABMCJ

A Associação Brasileira de Mulheres da Carreira Jurídica do Brasil tem cerca de 3 mil associadas (entre ministras, magistradas, promotoras de Justiça, procuradoras, delegadas e advogadas), é vinculada a Fédération International des Femmes des Carrières Juridiques (FIFCJ), sediada em Paris, com estatuto consultivo junto ao conselho econômico da ONU.

No dia 21 de outubro Laudelina Inácio foi eleita presidente nacional da ABMCJ, derrotando uma desembargadora baiana. Já a advogada Larissa Junqueira Reis Bareato foi escolhida a presidente estadual.

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