Neste ano, Goiás exportou US$ 456,9 milhões, frente aos US$ 228,3 milhões exportados para o país asiático em 2019

Goiano Edival Lourenço Jr | Foto: divulgação

De janeiro a maio de 2020, Goiás acumulou US$ 3,1 bilhões em exportações totais, de acordo com informações divulgadas pelo Ministério da Economia, por meio do Comex Stat. Neste ano, Goiás exportou US$ 456,9 milhões, frente aos US$ 228,3 milhões exportados para o país asiático em 2019, ou seja, variação de 100,1%.

O grande responsável por isso é o agronegócio. O setor exportou 83.02% do total das vendas para o exterior no mês de maio. Lembrando que naquele mês, o estado estava passando por medidas de isolamento social para contenção da pandemia de Covid-19. Ainda assim, somente o agronegócio vendeu US$ 683 milhões.

O açúcar tomou lugar do álcool etílico no volume de vendas. Este caiu 76,1%, enquanto aquele produto subiu 294% quando comparado com mês de maio do ano passado. Isso sinaliza capacidade de adaptações, conforme as mudanças verificadas no cenário internacional.

Crescimento chinês

Segundo o superintendente de Comércio Exterior da Secretaria de Desenvolvimento e Inovação (SEDI), Edival Lourenço Júnior, lembra que os primeiros casos de Covid-19 começaram na China ainda em dezembro e em janeiro implantou medidas muito severas de isolamento social, que durou três meses. Por isso, o mês de maio já aparece como retomada da economia no país asiático.

Edival salienta que a retomada chinesa é feita no formato em V. Ou seja, depois da queda, em função das medidas de isolamento social, um aumento brusco na atividade produtiva. A pujança da economia explica parte desta retomada, mas também o ato de os chineses de poupar, entre outros motivos.

Goiás como celeiro

Deste modo, há um reflexo positivo na economia goiana. Já que o estado é um celeiro de alimentos, de grãos, proteínas vegetal e animal, e alimentador da indústria chinesa de maneira geral.

O superintendente de comércio exterior ainda salienta que em períodos que a China esteve em disputa econômica com os Estados Unidos, o Brasil se mostrou um fornecedor muito confiável e estável.

“A guerra comercial amenizou, as disputas são outras. A China volta a comprar commodities agrícolas dos EUA, mas até o momento não impactou a venda dos mesmos produtos por parte do Brasil. Goiás tem mostrado a capacidade de agregar valor e diversificar, buscando novos compradores, mas a China segue sendo a principal compradora de nossos produtos”, aponta Edival.

Futuro

Segundo Edival Lourenço Júnior, o futuro do comércio exterior goiano passa pela diversificação. É preciso diversificar, não somente os compradores, como os produtos a serem vendidos. Além disso, é preciso agregar valor.

“Quando se compara um hectare de soja com um de fruticultura, este último consegue agregar dezenas de vezes mais valor. E fomentamos isso no estado. Ainda assim é importante ressaltar que somos um grande vendedor de commodities e que, a partir delas, podemos focar na automação e indústria 4.0 aplicado a partir do que já temos. E já estamos nesse caminho. Sinal disso é recorde histórico de nosso superávit”, salienta.

Acumulado

Ao todo, o agronegócio corresponde a 79,02% das exportações goianas no acumulado de janeiro a maio, em um valor de US$ 2,4 bilhões. Considerando todos os setores, no mesmo período, foi importado US$ 1,3 bilhão, resultando em um saldo positivo de US$ 1,7 bilhão.

No acumulado de 2020, o complexo soja impulsionou o desempenho do Estado de Goiás, atraindo US$ 1,5 bilhão (63,84% do total de exportações do agro). Em seguida, destaque para o complexo carnes (bovina, avícola, suína e outras), que exportou US$ 575,4 milhões no período.