Marconi: “Governadores estão impacientes. União não tem mais como nos agradar”

Goiano participou de evento nacional do PSDB e lamentou atual situação do País. Estados estão prejudicados com falta de crédito 

Governador discursa durante o encontro | Foto: Eduardo Ferreira

Governador discursa durante o encontro | Foto: Eduardo Ferreira

O governador Marconi Perillo (PSDB) participou, na manhã desta quinta-feira (17/9), do Seminário “Caminhos para o Brasil”, promovido pelo diretório nacional do PSDB e pelo Instituto Teotônio Vilela (ITV).

Durante o encontro, realizado em Brasília, o tucano goiano lamentou a atual situação do País e se mostrou preocupado com os rumos que o Brasil toma. Para ele, os Estados estão ficando cada vez mais prejudicados e não há recursos federais para investimentos. O quadro desagrada governadores e prejudica a população.

Com o objetivo de debater a crise econômica, o presidente nacional da legenda, senador Aécio Neves (MG), reuniu importantes economistas, parlamentares e demais lideranças políticas no encontro que foi realizado em uma das salas de reuniões das comissões do Senado.

Além do ex-governador mineiro e do presidente do ITV, o suplente de Senador José Aníbal, discorreram sobre o momento e sugeriram caminhos para vencer a crise os economistas Armínio Fraga e Gustavo Franco, os ex-presidentes do Banco Central, o pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas Samuel Pessoa e o técnico de planejamento e pesquisa do IPEA Mansueto Almeida.

“O PSDB acerta em convidar quatro grandes economistas brasileiros, lúcidos e preparados para examinar o momento atual do País, apresentar um diagnóstico e principalmente lançar um olhar para o futuro do ponto de vista do desenvolvimento e do crescimento”, comentou o governador de Goiás durante entrevista coletiva à imprensa.

Marconi disse que são grandes as incertezas sobre o presente e o futuro da economia do País. “Nós precisamos que o governo consiga empreender reformas e mudanças profundas para que o Brasil volte a ter um círculo virtuoso de desenvolvimento e crescimento”, relatou.

Todos os dados e as estatísticas que foram apresentados no seminário, segundo o governador, demonstram que o crescimento do Brasil nos últimos anos foi muito menor do que o registrado em outros países de importância econômica equivalente. “O nosso crescimento está muito aquém do crescimento de outros países da América Latina, por exemplo”, completou.

Marconi comentou ainda que, apesar das reformas e dos cortes que foram feitos na administração estadual, as dificuldades são muito grandes. “Faltam recursos para investimentos”, alertou.

Sobre a volta da CPFM, imposto sobre movimentações financeiras que o governo federal quer ressuscitar, lembrou que sempre foi contra o aumento de impostos, posição que defendeu como senador.

“Eu e meu partido sempre fomos contra o aumento da carga tributária. É evidente que, à medida que haja a possibilidade de compartilhamento desta receita entre Estados e municípios, haverá um envolvimento maior dos governadores e dos prefeitos e uma disposição renovada de debater o assunto no Congresso Nacional”, declarou.

Ajustes
Marconi cumprimenta o senador e presidente do partido, Aécio Neves | Foto: Eduardo Ferreira

Marconi cumprimenta o senador e presidente do partido, Aécio Neves | Foto: Eduardo Ferreira

Único governador a falar no seminário, Marconi Perillo ocupou a tribuna respaldado pelo senador e presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, como o administrador que se antecipou à crise e promoveu os maiores ajustes para adequar a máquina pública à realidade atual.

“Com isso, Goiás saiu na frente e manteve os investimentos. Goiás é um Estado que, apesar da crise, cresce”, elogiou o presidente.

Em seu discurso, Marconi demonstrou preocupação e algum ceticismo em relação ao futuro próximo da economia brasileira. “Vivo um momento de perplexidade. Parece-me que nós estamos vivendo em outro mundo, um mundo de fantasia, porque temos certeza de que tudo o que está sendo proposto vai chegar à Câmara dos Deputados e não vai a lugar nenhum. O presidente da Câmara tem dito claramente que lá não passa nada. Enquanto isso o governo vai apresentando projetos e propostas que nós sabemos que não vão passar”, atentou.

Ele afirmou já ter feito os cortes necessários e que analisa outros ajustes. “Nós só temos dez secretarias em Goiás. Eliminei mais de dez mil cargos no ano passado já prevendo a crise. Agora estamos enviando à Assembleia Legislativa o projeto que cria a Lei de Responsabilidade Fiscal Estadual, algo que merece ser analisado por outros governantes. Vamos limitar ainda mais os gastos públicos”, informou, ao defender que o PSDB encampe um movimento para criar uma Lei de Responsabilidade Fiscal que “limite os gastos da União. Essa é uma anomalia na LRF. Ela tem que envolver a União”.

O governador endossou a posição de Armínio Fraga que defendeu, em sua palestra, mudanças na estabilidade do emprego dos funcionários públicos. “Salvo uma ou outra carreira de Estado, não é mais possível continuar com o regime estatutário de contratação de servidores”, declarou.

Ele falou também sobre a gestão da saúde pública nos governos do PSDB. “Em Estados como Goiás, São Paulo e Minas, as OSs estão cumprindo bem o seu papel. Os hospitais se livraram da burocracia da Lei 8.666 e, consequentemente, de contratar pessoal pela lei estatutária. Agora, quem trabalha, fica”.

Sem respaldo

No discurso, o governador voltou a dizer que os Estados estão em dificuldade para realizar novos investimentos e, como agravante, lembrou que o governo Federal cortou o crédito.

“O Governo Federal não tem mais como agradar os governadores. A cada dia que passa eu percebo os governadores mais impacientes porque não conseguem mais nenhum centavo da União”, lamentou.

Por fim, o tucano goiano disse que o que mais o preocupa é a falta de perspectiva para o futuro: “O que mais me preocupa é que eu não vejo saída diante desta situação. Tenho lido muito sobre o que está acontecendo e não tenho visto possibilidade de nós avançarmos em nada que possa representar fôlego para o governo federal e consequentemente para os governos estaduais”.

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