Márcio Corrêa sobe o tom contra Wilder Morais e manda candidato ao governo “ir trabalhar”
05 setembro 2026 às 16h29

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O prefeito de Anápolis, Márcio Corrêa (PL), intensificou o confronto com o senador Wilder Morais (PL), pré-candidato ao governo de Goiás, na noite desta sexta-feira, 4. Em vídeo publicado nas redes sociais, o prefeito respondeu à declaração de que seria um político “sabor direita” com uma série de provocações ao correligionário. Entre elas, “sabor Cachoeira”, “sabor Messias”, “sabor rabo preso” e “sabor preguiça”.
A reação ocorreu após Wilder criticar Márcio durante sabatina ao portal Mais Goiás. O prefeito aproveitou a resposta para questionar a atuação do senador em episódios que, segundo ele, contrariam o discurso da direita, como a articulação em torno da indicação de Alexandre de Moraes ao Supremo Tribunal Federal (STF) e a ausência na votação que rejeitou o nome de Jorge Messias para a Corte.
“Podia ter citado aí ‘sabor Cachoeira’, ‘sabor Morais’, ‘sabor Messias’, ‘sabor rabo preso’, ‘sabor preguiça’. Mas o seu sabor, senador, é sabor amargo da derrota, por essas atitudes”, afirmou Márcio. Em seguida, disse que Wilder deveria dedicar mais tempo à apresentação de propostas para Goiás. “O senhor tinha de gastar esse tempo para apresentar propostas e projetos consistentes que resolvam a vida do cidadão”, declarou.
A referência a Carlinhos Cachoeira remete à trajetória de Wilder na política goiana. Gravações da Polícia Federal divulgadas no âmbito da Operação Monte Carlo registraram conversas em que o contraventor Carlos Augusto Ramos atribui a si próprio participação na ascensão política do senador. Em um dos diálogos, Cachoeira afirma ter sido responsável pela indicação de Wilder à suplência e por sua nomeação para uma secretaria.
Wilder assumiu uma cadeira no Senado em 2012, após a cassação do mandato de Demóstenes Torres. Na conversa, o então suplente reconhece a importância de Cachoeira em sua trajetória. O episódio voltou ao debate político após a operação policial revelar a proximidade entre os dois.
Já a menção a “sabor Messias” está relacionada à votação de 29 de abril deste ano, quando o Senado rejeitou a indicação de Jorge Messias ao STF. Escolhido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o então advogado-geral da União enfrentava resistência da oposição e precisava de maioria absoluta para ser aprovado.
Wilder não compareceu à sessão. O registro oficial do Senado aponta sua ausência na votação. Posteriormente, o senador publicou um vídeo comemorando a rejeição do indicado de Lula, o que provocou críticas de setores da direita. Para Márcio, o episódio evidencia uma contradição entre o discurso de oposição ao governo federal e a atuação parlamentar.
Em 2017, Wilder também participou da articulação política que antecedeu a indicação de Alexandre de Moraes ao STF. O senador chegou a receber, em sua embarcação no Lago Paranoá, em Brasília, um jantar com a presença do então indicado e de parlamentares envolvidos na análise de seu nome. O encontro foi tratado à época como uma espécie de minissabatina.
Anos depois, Moraes se tornou um dos principais alvos do bolsonarismo no Supremo e passou a relatar processos envolvendo Jair Bolsonaro (PL) e seus aliados. A lembrança do jantar é utilizada por Márcio para questionar a coerência da atuação de Wilder com o discurso que hoje sustenta sua pré-candidatura ao governo estadual.
“Projeto falido”
Além das críticas à atuação parlamentar de Wilder, Márcio atacou a postura do senador na campanha. O prefeito afirmou que o adversário precisa se aproximar da população e deixar de lado uma atuação restrita a ambientes de conforto.
“Não vai pôr botina só no dia do debate, não, e ficar usando sapatinho caro no ar-condicionado. Vai pôr botina, trabalhar, dialogar com a população”, cobrou.
Em outro trecho, classificou a candidatura de Wilder como “projeto falido” e “barco que está afundando”. “Todo dia é um desembarcando por causa dessas atitudes imaturas”, declarou.
A crise entre os dois políticos se agravou após Márcio anunciar, em 22 de agosto, apoio à reeleição do vice-governador Daniel Vilela. A decisão contrariou a direção do PL em Goiás e resultou na abertura de processo ético-disciplinar contra o prefeito.
Principal gestor municipal do partido no Estado e prefeito de Anápolis, terceiro maior colégio eleitoral de Goiás, Márcio afirma que mantém apoio a nomes identificados com a direita, como Flávio Bolsonaro, Gustavo Gayer e Major Vitor Hugo.
“Enquanto eu fico trabalhando aqui pela população e, fora do horário, apoiando os candidatos verdadeiramente de direita, vai honrar esse partido”, provocou.
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