Porto da Flórida pode abrir nova rota para minerais críticos de Goiás e do Brasil aos EUA
05 setembro 2026 às 14h54

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A aproximação entre a mineração brasileira e o mercado norte-americano deve ganhar força com a participação do SeaPort Manatee no Braminvest 2026, que será realizado nos dias 17 e 18 de novembro, no Centro de Convenções de Goiânia. O porto de águas profundas localizado na Flórida será patrocinador do evento e chega ao encontro com um projeto que pode criar uma nova rota comercial para minerais críticos produzidos no Brasil, inclusive em Goiás.
O SeaPort Manatee está estruturando o Florida Strategic Minerals Gateway, iniciativa que pretende transformar parte da área do porto em um hub voltado à industrialização de minerais críticos. A proposta vai além da utilização da estrutura como ponto de entrada de minério brasileiro nos Estados Unidos e prevê a instalação de indústrias relacionadas ao processamento desses materiais.
Segundo o presidente-executivo do Braminvest, Getúlio Faria, o projeto ainda está em fase de desenvolvimento e não existem, até o momento, negociações concretas entre o porto e mineradoras brasileiras. A participação no evento em Goiânia, justamente, deve servir para aproximar potenciais parceiros e apresentar a iniciativa a empresas e investidores interessados no segmento.
“O porto tem uma área muito grande e eles pretendem criar um hub de industrialização de minerais críticos, instalar indústrias relacionadas a essa área no Porto de Manatee”, afirma Faria. De acordo com ele, representantes do empreendimento norte-americano estão buscando parceiros para viabilizar o projeto e devem aproveitar o Braminvest para apresentar oficialmente a proposta.
A movimentação ocorre em um momento de disputa internacional por minerais considerados estratégicos para setores como tecnologia, energia, defesa e transição energética. O Brasil possui reservas e projetos relacionados a minerais como terras raras, nióbio, níquel, lítio, cobre e grafita, enquanto os Estados Unidos buscam diversificar suas cadeias de fornecimento e reduzir a dependência de determinados mercados.
Goiás no radar
Para Goiás, a iniciativa pode representar uma oportunidade de ampliar a inserção internacional de sua produção mineral. O Estado possui projetos relacionados a minerais estratégicos e pode utilizar a estrutura norte-americana como uma alternativa para acessar o mercado dos Estados Unidos.
Wilson Antonio Borges, sócio de Getúlio, ressalta, porém, que os efeitos não devem ser imediatos. A implantação do Florida Strategic Minerals Gateway ainda está sendo estruturada e não há previsão para a chegada do primeiro carregamento de minerais críticos brasileiros ao porto.
A perspectiva, segundo o executivo, é de médio prazo. A criação de uma conexão direta com uma estrutura especializada em minerais críticos poderia permitir que empresas goianas encontrem novos compradores, investidores e parceiros industriais fora dos mercados tradicionais.
“É uma parceria que pode beneficiar o Estado de Goiás, aproximando empresas mineradoras que produzem minerais críticos e estratégicos para serem beneficiados no Porto de Manatee”, afirma Wilson Antonio Borges.

Para o presidente do Braminvest, um dos principais ganhos potenciais está justamente na diversificação dos destinos da produção mineral goiana. Atualmente, a China ocupa posição de destaque no comércio internacional de diversos minerais estratégicos. A criação de novas rotas pode diminuir a concentração das exportações brasileiras em poucos mercados.
Faria avalia que o projeto pode contribuir para que produtos minerais de Goiás sejam beneficiados e comercializados em outros países. “É um aporte importante e até uma forma de os produtos de Goiás serem beneficiados em outros países, não só na China”, destaca.
Zona de livre comércio
Outro elemento que pode aumentar a atratividade do SeaPort Manatee para empresas brasileiras é sua condição de Free Trade Zone (FTZ). Nesse modelo, mercadorias estrangeiras podem ser armazenadas, transformadas ou reexportadas sob regras tributárias específicas, com possibilidade de diferimento ou suspensão de determinados encargos de importação enquanto permanecem dentro da zona.
Ainda não há, contudo, uma estimativa oficial de quanto uma mineradora brasileira poderia economizar utilizando a estrutura em comparação com uma operação convencional de exportação para os Estados Unidos. De acordo com Faria, os detalhes econômicos da operação ainda estão em estudo.
A expectativa é que os benefícios tributários associados à zona de livre comércio sejam um dos elementos capazes de tornar o porto competitivo para a cadeia mineral. O modelo também pode facilitar operações de processamento e posterior distribuição dos produtos para o mercado norte-americano.
O SeaPort Manatee está localizado na entrada da Baía de Tampa, na costa oeste da Flórida, e é considerado um ponto estratégico para as relações comerciais com a América Latina. O porto é apontado como o porto de águas profundas dos Estados Unidos mais próximo do Canal do Panamá ampliado.
A estrutura movimentou 11,8 milhões de toneladas de cargas em 2025 e, segundo os dados apresentados pelo Braminvest, possui impacto econômico anual estimado em US$ 7,3 bilhões e é responsável por mais de 42 mil empregos.
Industrialização é prioridade
A aproximação com o porto norte-americano também se encaixa em uma das principais propostas do Braminvest: estimular a industrialização dos minerais estratégicos no próprio Brasil. Para Faria, o desafio do setor não deve ser apenas aumentar a quantidade de minério exportado, mas também desenvolver uma cadeia capaz de agregar valor à produção.
O Braminvest 2026 terá entre seus temas justamente a industrialização de minerais críticos, além de rodadas de negócios, apresentação de projetos e comercialização de bens minerais. A expectativa é reunir investidores, mineradoras, compradores, startups e empresas de tecnologia de diferentes países.
“O Braminvest tem como um dos principais objetivos fomentar a industrialização de minerais críticos no Brasil, inclusive em Goiás”, afirma Faria.
A intenção é atrair empresas interessadas em instalar ou ampliar operações de processamento mineral no País. O movimento não está restrito ao território brasileiro: a organização também pretende aproximar projetos de outros países latino-americanos de investidores e compradores internacionais.
O evento terá participação de representantes de mais de 20 países, entre eles Estados Unidos, China, Canadá, Austrália, Chile, Alemanha, Singapura, Indonésia, México e Índia. Entre os minerais que estarão no centro das discussões estão ouro, prata, cobre, lítio, níquel, nióbio, grafita, urânio, fosfato, potássio, manganês e terras raras.
A participação do SeaPort Manatee, portanto, coloca Goiás no centro de uma discussão que ultrapassa a simples exportação de commodities. A eventual criação de um corredor entre a produção mineral brasileira, a infraestrutura portuária da Flórida e a indústria norte-americana pode abrir espaço para novos investimentos, processamento de minerais e formação de cadeias internacionais de valor.
Para Faria, o Braminvest pretende justamente funcionar como esse ponto de encontro entre capital, ativos minerais, compradores e parceiros estratégicos. A expectativa é que a presença do porto norte-americano permita transformar a aproximação inicial em projetos concretos nos próximos anos.
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