Um político deve servir ao partido ou apenas a si? Deve servir a si, é claro, mas também ao partido.

O senador Wilder Morais serve a si ou ao PL de Flávio Bolsonaro? Mais a si.

Se pensassem mais no partido, teria aceitado compor com o governador Daniel Vilela, do MDB.

Optou, porém, pelo projeto pessoal, em detrimento do projeto coletivo, o partidário.

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Marconi Perillo e Wilder Morais: o senador já foi aliado do ex-governador | Foto: Divulgação

Numa composição com Daniel Vilela e com o ex-governador Ronaldo Caiado, o PL poderia sair maior, elegendo um senador e vários deputados estaduais e federais.

Major Vitor Hugo e Gustavo Gayer são os nomes eleitoralmente mais fortes do PL. Por que tem o apoio do presidente do PL, Wilder Morais? Não. Porque contam com o apoio do prefeito de Anápolis, Márcio Corrêa, do PL

Hoje, dado ao fato de ter um candidato a governador fraco — figura em terceiro lugar , na pesquisa do instituto Quaest, com apenas 12% das intenções de voto —, o PL tende a eleger apenas dois ou, no máximo, três deputados federais. Os nomes mais cotados são Major Vitor Hugo, Magda Mofatto e Fred Rodrigues.

Se o partido eleger apenas dois, Fred Rodrigues corre o risco de perder a eleição (até porque não tem mais o apoio do deputado federal Gustavo Gayer).

Gustavo Gayer figura em segundo lugar na pesquisa de intenção de voto da Quaest na disputa por uma vaga no Senado.

Major Vitor Hugo e Gustavo Gayer são os nomes eleitoralmente mais fortes do PL. Por qual motivo?

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Márcio Corrêa e Gustavo Gayer: bolsonaristas e aliados | Foto: Divulgação

Por que têm o apoio do presidente do PL, Wilder Morais? Não. Porque contam com o apoio do prefeito de Anápolis, Márcio Corrêa, do PL.

Gustavo Gayer sabe que, para ser eleito senador, não pode confiar apenas na sua popularidade nas redes sociais. Precisa, isto sim, conquistar o apoio de prefeitos, ou seja, de bases políticas no interior.

Márcio Corrêa tem caminhado com Gustavo Gayer em vários municípios do interior — fechando acordo com políticos e membros da sociedade civil. A aliança com o prefeito de Anápolis — cidade que tem o terceiro maior eleitorado de Goiás — robusteceu a campanha do candidato a senador.

Com duas bases fortes, Goiânia e Anápolis, Major Vitor Hugo tende a obter uma grande votação. Ele é o candidato bancado por Márcio Corrêa em Anápolis.

Curiosa ou sintomaticamente, os dois principais bolsonaristas de Goiás — Major Vitor Hugo, o primeiro-amigo de Jair Bolsonaro, e Gustavo Gayer, o segundo-amigo de Jair Bolsonaro em Goiás — são apoiados por Márcio Corrêa.

Major Vitor Hugo e Márcio Corrêa: aliados políticos que defendem o bolsonarismo | Foto: Divulgação

Noutras palavras, Márcio Corrêa apoia aqueles candidatos que são realmente bolsonaristas — casos de Flávio Bolsonaro, para presidente da República, Major Vitor Hugo e Gustavo Gayer.

Em Goiás, pelo menos, o PL está se apequenado. Se ficar sem o prefeito Márcio Corrêa, poderá se tornar um nano partido. Valdemar Costa Neto, Gustavo Gayer e Major Vitor Hugo sabem disso. Aliás, até Wilder Morais sabe

Qual é o candidato consistente a deputado federal do grupo de Wilder Morais? Não se sabe. Mas, se existir, terá dificuldade de ser eleito. Porque, se tem dinheiro (65 milhões em bens, declarou ao Tribunal Superior Eleitoral, TSE), o senador não tem voto. Voto “seu”, digamos.

Wilder Morais é um empresário bem-sucedido, na área da construção civil e shoppings, e, como tal, figura mais no centro político do que no espectro da direita. A tendência de parte substancial dos empresários é permanecer no centro, nunca no front da direita. É o caso.

O senador não é, a rigor, bolsonarista. Para se cacifar nas campanhas, alinha-se com os bolsonaristas, mas tem pouco a ver com eles. Por isso, seguindo a lógica do realismo, não faz críticas duras ao Supremo Tribunal Federal e tampouco ao ministro Alexandre de Moraes.

Marcio Corrêa e Flávio Bolsonaro e Gustavo Gayer Foto Divulgação
Marcio Corrêa, Flávio Bolsonaro e Gustavo Gayer: o verdadeiro bolsonarismo | Foto: Divulgação

Só três prefeitos (de alguma expressão) do PL estão realmente na campanha de Wilder Morais. Os demais não o apoiam ou estão indiferentes à sua candidatura a governador. O popularíssimo prefeito de Novo Gama, Carlinhos do Mangão, eleito e reeleito, não o apoia. Assim como vários outros.

A rigor, Gustavo Gayer e Major Vitor Hugo até estão na campanha de Wilder Morais, mas sem entusiasmo algum. Porque sabem que, se cuidarem da campanha do “fragilizado” senador, perderão votos e correrão riscos. Então, estão cuidando de suas campanhas e da dos verdadeiros aliados.

Se eleito senador, Gustavo Gayer tende a assumir a presidência do PL em Goiás. Aí, possivelmente, o partido voltará a crescer. Porque deixará de ser o PWM — Partido do Wilder Morais. Votará a ser o Partido Liberal.

Em Goiás, pelo menos, o PL tem se apequenado. Se ficar sem Márcio Corrêa, poderá se tornar um nano partido. Valdemar Costa Neto, Gustavo Gayer e Major Vitor Hugo sabem disso. Aliás, até Wilder Morais sabe. (E.F.B.)