Macalé protocola renúncia à vice-presidência: “Não preciso da Ordem para ser reconhecido”

Derrota ao mandato-tampão foi a “gota d’água”: advogado diz ter cumprido sua missão, se afasta da OAB Forte e reitera críticas à atual gestão

De saída, Sebastião Macalé garante: "Cumpri meu dever" | Foto: Fernando Leite / Jornal Opção Online

De saída, Sebastião Macalé garante: “Cumpri meu dever” | Foto: Fernando Leite / Jornal Opção Online

“Cumpri meu dever e deixo minha marca”. Assim resumiu Sebastião Macalé sua decisão de renunciar a vice-presidência da seccional goiana da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-GO). Após cinco anos no cargo, o advogado protocolou o pedido na manhã desta quinta-feira (12/2). Em entrevista ao Jornal Opção Online, ele se mostrou desapontado com os rumos que a instituição têm tomado.

Derrotado pelo então diretor-tesoureiro, Enil Henrique de Souza Filho, para o mandato-tampão que vai até o fim deste ano, Macalé conta que faz parte do grupo agora chamado de OAB Forte desde sua fundação. “Participei do processo de construção da própria Ordem. Sem arrogância, eu sei que tudo que está aí tem a minha contribuição”, sustenta ele.

No entanto, o advogado acredita que a última eleição lhe mostrou o caminho que deve seguir: “Tudo tem começo, meio e fim. Me afasto deste segmento que ajudei a construir. Estou renunciando à OAB. Estou me afastando da OAB Forte”.

Questionado se a derrota seria um dos motivos da renúncia, Macalé reconhece que sim, mas que esta teria sido apenas “a gota d’água”. “Cumpri meu dever na OAB, saio em paz. Dentro das minhas limitações, fiz o que pude para esta instituição que respeito e tenho um carinho muito grande. Não tenho arrependimentos”, ressaltou.

Ainda sobre a direção da instituição, o advogado lembra que nas últimas eleições diretas, quando Henrique Tibúrcio foi reeleito presidente, ele não queria ser candidato a vice na chapa: “Foram falar até com a minha mãe para me convencer”. Dessa forma, Macalé explica que não gostaria de permanecer no cargo apenas pela vaidade da posição. “Não preciso da Ordem para ser reconhecido. Hoje eu posso fazer o que quiser, sou respeitado. Não preciso fazer nome”, garante ele.

Macalé reiterou as críticas que fez no dia da eleição, enfatizando que cumpriu 90% da agenda do então presidente e que insiste em apontar incoerências da Ordem. “Uma entidade que cobra transparência do Executivo, do Legislativo e do Judiciário, mas não faz o mesmo dentro da própria casa. Por que não colocam as contas da OAB à disposição?”, questiona.

“Quando eu apresentei minha candidatura à presidência, fui categórico ao dizer que não tenho nada a esconder. Se temos endividamento, por que não mostramos? Se o Governo Federal mesmo tenta fazer os ajustes necessários, o que nos impede de fazer o mesmo? É uma obrigação ética”, lamenta o advogado e arremata: “Se há descontrole financeiro, tem que apresentar isso”.

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