Limpa Gyn fortalece coleta seletiva e amplia qualidade dos recicláveis destinados às cooperativas em Goiânia
22 abril 2026 às 16h25

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A coleta seletiva em Goiânia tem registrado avanços nos primeiros meses de 2026, com aumento no volume de materiais recicláveis encaminhados às cooperativas e melhora na qualidade dos resíduos recebidos. Dados apresentados pelo Consórcio Limpa Gyn, responsável pelos serviços de limpeza urbana na capital, indicam que mudanças operacionais e novos projetos vêm impactando diretamente o trabalho das organizações que atuam na triagem e comercialização dos materiais.
Atualmente, Goiânia conta com cooperativas e associações de catadores integradas ao sistema municipal de coleta seletiva, responsáveis por separar e destinar resíduos como papel, plástico, vidro e metais. Essas entidades exercem papel estratégico na gestão de resíduos sólidos e na geração de renda para dezenas de trabalhadores da capital.
Segundo representantes das cooperativas, um dos principais avanços percebidos nos últimos meses é a melhora na qualidade do material recebido. Isso significa menor índice de rejeitos — quando resíduos orgânicos ou lixo comum são descartados junto aos recicláveis — e maior presença de itens com valor comercial, como alumínio, ferro e determinados tipos de plástico.
Na Cooperativa Fênix Carrossel, a avaliação é de que houve crescimento tanto no volume quanto na qualidade dos materiais destinados à unidade. Para a presidente Lorena Zemir Souza, “a coleta tem melhorado nos últimos meses, tanto em volume quanto na qualidade dos resíduos destinados à cooperativa”.
Na Cooperativa Nova Esperança, a percepção é semelhante. Integrantes relatam aumento na chegada de metais e recicláveis de maior valor agregado, fator que influencia diretamente a renda obtida com a venda dos materiais separados. Para Dayane Gonçalves, “hoje a gente percebe um aumento de materiais como metais e outros recicláveis mais valorizados, o que faz diferença direta na nossa renda”.
Outro indicador citado pelas cooperativas está relacionado ao vidro. Antes, o tempo necessário para completar uma carga para comercialização variava entre 40 e 50 dias. Agora, esse prazo caiu para cerca de 25 dias, reflexo do aumento no volume coletado e da melhor organização logística.
Parte desse resultado é atribuída ao programa SustentaGyn, iniciativa que instalou tambores em pontos estratégicos da cidade para o descarte exclusivo de vidro. Apenas nos três primeiros meses de 2026, cerca de 80 toneladas do material foram recolhidas, segundo dados do consórcio.
A coleta seletiva ainda enfrenta desafios em Goiânia. De acordo com especialistas em gestão ambiental, um dos principais entraves continua sendo a baixa adesão da população à separação correta dos resíduos dentro de casa. Quando recicláveis são misturados com lixo orgânico, parte significativa do material perde valor ou precisa ser descartada.
Além da coleta, ações educativas também vêm sendo utilizadas como estratégia para ampliar a participação popular. Entre elas está o projeto Eco Escolas, desenvolvido em unidades da rede municipal. A iniciativa estimula estudantes e famílias a separar resíduos recicláveis em casa e encaminhá-los às escolas, que recebem premiações ao atingir metas de arrecadação.
Para Claubi Teixeira, presidente da cooperativa Beija-Flor, o diálogo entre os setores também avançou. “Hoje já temos uma relação mais próxima, com abertura para diálogo e construção de melhorias. O aumento de materiais como vidro e sucata já é visível”, afirmou.
Para especialistas, programas desse tipo ajudam a consolidar hábitos sustentáveis desde a infância e fortalecem a cultura da reciclagem no longo prazo.
Dados nacionais mostram que o desafio ainda é amplo. Segundo a Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema), o Brasil gera mais de 80 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos por ano, mas recicla apenas uma parcela reduzida desse total. Nesse cenário, cooperativas de catadores seguem como protagonistas no processo de reaproveitamento de materiais.
Em Goiânia, o avanço da coleta seletiva depende da integração entre poder público, empresas responsáveis pelo serviço, cooperativas e população. Para a gestora ambiental Letícia Marcelina Loures, “esse esforço conjunto é essencial para promover resultados sustentáveis, com impactos ambientais, sociais e econômicos positivos”.
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