O deputado estadual Talles Barreto (UB) está em seu quarto mandato e tenta, hoje, a reeleição. Foi líder do governo Caiado na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) e é líder do governo Daniel Vilela atualmente.

Nesta entrevista ao Jornal Opção, o parlamentar elogia os feitos do ex-governador Caiado em Goiás, sobretudo na segurança pública, e diz que Daniel “fará ainda mais”. Barreto também se refere ao ex-governador Marconi Perillo como uma pessoa que tem legado, mas que “não se atualizou”, e diz apostar em uma vitória de Daniel no 1º turno.

Ton Paulo – O senhor está hoje no quarto mandato como deputado estadual e pleiteia o quinto. O que fez o senhor decidir por esse projeto de permanecer na Alego e não, quem sabe, disputar uma vaga na Câmara Federal ou no Senado? E durante discussões passadas envolvendo o TCM, o senhor chegou a anunciar uma possível aposentadoria da política. O que fez o senhor decidir, por fim, disputar esta eleição?

Deus. Deus me iluminou e me abençoou. É importante afirmar: eu não sou, eu estou no quarto mandato, com muito orgulho e muita satisfação. E tive, neste quarto mandato, a oportunidade de ser líder de um governo que chegou a 88% de aprovação.

Fui líder do Ronaldo e hoje sou líder do Daniel. Falo isso tranquilamente. Como vivo tudo muito intensamente, a partir do momento em que me foi dada a oportunidade de ser líder do governo, aprofundei meu conhecimento sobre todos os órgãos do Estado. Hoje, modéstia à parte, ninguém conhece melhor as forças de segurança.

Falo da Polícia Civil, Polícia Penal, Polícia Técnico-Científica, Polícia Militar e Corpo de Bombeiros. Fui para dentro das escolas conhecer e conversar. Tenho muito orgulho da rede que temos. Fui para dentro da Goinfra acompanhar as obras, verificar quais estavam paradas e como estavam avançando.

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Deputado Talles Barreto, em entrevista ao Jornal Opção | Foto: Hely Junior/Jornal Opção

Fui para a área social com a Dona Gracinha, viver aquele processo. Então, hoje, discuto de forma muito contundente qualquer pauta de governo. E, modéstia à parte, muitas pautas importantes não estão sendo discutidas em virtude da polarização.

Todo mundo só fala de Bolsonaro, só fala de Lula. As discussões e os debates na Alego, na sala de comissões, diminuíram demais. Depois da Covid, com a redução das sessões presenciais, que acabaram se concentrando nas terças e quartas-feiras, tudo acabou virando uma polarização.

Acho que a Assembleia é maior do que isso. Como disse na sua pergunta, fiz um propósito na minha vida: não ser somente um deputado de emendas. Nunca fui apenas um deputado de emendas, mas quero fazer a diferença na vida das pessoas.

Por exemplo, temos a pauta do autismo, das doenças neurológicas, da ELA e da saúde mental, diante do impacto que os problemas de saúde mental têm hoje sobre as pessoas. Precisamos começar a discutir isso

Daí veio a minha maior motivação para disputar esta eleição. Quero fazer deste próximo mandato, caso Deus e o povo goiano me deem essa oportunidade, um mandato diferenciado. Quero buscar, levar e discutir essas questões, utilizar as nossas comissões e as avaliações que temos para fazer a diferença na vida dos goianos. A ideia é discutir Goiás, não o processo nacional. Vamos discutir Goiás e os problemas que tivemos. Percorri praticamente 140 municípios nos últimos 30 dias.

Ton Paulo – O senhor foi líder do governo Caiado e agora é líder do governo Daniel Vilela. Daniel está há seis meses no governo e o senhor acompanhou de perto as articulações do Executivo com o Legislativo. Como avalia o nível do diálogo entre os dois Poderes? Houve um diálogo benéfico à população?

Boa pergunta. Até porque havia uma incógnita entre o povo goiano. O doutor Ronaldo sempre foi muito rígido, muito duro. Ele foi um governador que mudou a história de Goiás. E, quando se falava no Daniel, as pessoas perguntavam: “Será que ele vai ser como o Caiado? Será que vai dar continuidade ao trabalho do Caiado?”.

Falo isso de boca cheia: o Daniel está sendo magnífico. Está mostrando disposição, energia e postura, reunindo a simplicidade com a postura de um governador.

Ton Paulo – Na segurança pública, o senhor acredita que Daniel manterá a linha de Caiado, caso seja reeleito?

Acho que vai fazer ainda mais. Tenho essa sensibilidade. Fizemos um programa de mais de R$ 500 milhões anuais em benefícios às forças de segurança, que são as melhores do Brasil.

Elogio muito todas as forças, em especial a Polícia Penal, que, para mim, é motivo de muito orgulho. Antigamente, chegávamos aos presídios e o crime organizado estava lá dentro. PCC, Comando Vermelho. Isso se refletia nas ruas, nos supermercados, nos motéis. Hoje não existe mais isso.

O trabalho conduzido pelo Josimar Pires e pelo Firmino foi excepcional. Hoje vemos uma cadeia que não tem cheiro, em que o preso, o reeducando, tem prazer em trabalhar para reduzir sua pena. Ele não tem tomada dentro da cela, não precisa lavar a própria roupa porque há lavanderia e tem alimentação adequada. Então, acho que é um conjunto.

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Deputado Talles Barreto, em entrevista ao Jornal Opção | Foto: Hely Junior/Jornal Opção

Na saúde, por exemplo, descentralizamos o atendimento de Goiânia. Anápolis também avançou. Hoje temos UTIs em Uruaçu, Águas Lindas, Formosa, Luziânia, Itumbiara, Catalão, Quirinópolis, São Luís dos Montes Belos e Cidade de Goiás. O Estado está se transformando, está no caminho certo. E aquela dúvida que existia em relação ao Daniel, sobre se daria continuidade ao trabalho do doutor Ronaldo, está totalmente superada. Ele está muito preparado.

Acho que isso ficou evidente desde o primeiro debate. O primeiro debate mostrou a simplicidade e a forma correta dele de agir. Daniel não ficou preso ao Palácio. Por sinal, nem morando no Palácio ele estava.

Daniel anda de botina, de camisa suada, trabalhando, dedicando-se e se esforçando. Tem postura, tem berço. Então, estou muito feliz e tenho certeza de que estamos trabalhando para ganhar no primeiro turno. Até porque o maior responsável por isso é o próprio Daniel.

Ton Paulo – Acompanhamos a trajetória de Daniel na eleição e também a dos demais adversários. Temos Wilder Morais e Marconi Perillo, que aparecem atrás de Daniel nas pesquisas de intenção de voto. Qual é, na sua avaliação, o diferencial de Daniel em relação a esses candidatos?

Falo tranquilamente: cada um tem a sua história. Ninguém pode simplesmente criticar a história do Marconi, que teve a sua contribuição.

Mas ficou no passado. Na minha visão, faltou uma atualização. A bajulação em torno dele ficou muito grande. Marconi contribuiu, fez seu papel, mas perdeu o timing do processo, na minha visão.

O Wilder, até hoje, não sintonizou. Ele precisa se inteirar, dentro das pautas importantes, sobre o que é uma máquina pública, o que é um governo, quais são as medidas necessárias e o que precisa ser feito

Não quer dizer que eu esteja certo. O Wilder, até hoje, não sintonizou. Ele precisa se inteirar, dentro das pautas importantes, sobre o que é uma máquina pública, o que é um governo, quais são as medidas necessárias e o que precisa ser feito.

Wilder precisa apresentar começo, meio e fim. Não apresenta. Sinto que há uma lacuna. Não estou o desmerecendo, ele é senador da República. Na minha visão, hoje temos esses candidatos e também temos muito respeito pelo Luiz César Bueno. Goiás é um Estado muito tradicional, extremamente voltado ao agronegócio e à industrialização. O PT nunca teve uma força tão pungente aqui.

Deputado Talles Barreto, em entrevista ao Jornal Opção | Foto: Hely Junior/Jornal Opção

Mas Luis César também tem sua história. Acho que Wilder deveria ter uma noção maior do que está vivendo. O que é o Estado? O que é uma máquina pública? Como podemos buscar soluções para os problemas? Marconi já tem essa experiência.

Marconi tem seu legado, ninguém pode tirar o legado do Marconi. Faltou, talvez, uma atualização diante da evolução que as coisas tiveram. Na minha visão, deveria ter voltado com menos bajulação e mais consciência. Talvez as medidas e decisões que tomou desde a primeira derrota pudessem ter sido diferentes se estivesse em outro espaço. Mas ele tem a sua contribuição.

Eu nunca poderia falar mal do governador Marconi, porque ele também tem uma parcela de contribuição. No meu discurso de posse, quando fiz o discurso pela oposição, disse que os outros também contribuíram. Wilder contribuiu, Marconi contribuiu. Qual foi a contribuição do doutor Ronaldo? Fantástica.

Ton Paulo – Durante o processo de escolha do vice de Daniel, vimos uma disputa muito apertada. Os principais nomes cotados na época eram Luiz do Carmo, que acabou escolhido, e o ex-deputado Zé Mário Schreiner, presidente licenciado da Faeg. Zé Mário acabou escolhido para coordenar a campanha de Daniel. Estamos a poucos dias da votação. Como o senhor avalia o trabalho feito por Zé Mário à frente da campanha?

São duas pessoas pelas quais tenho muito carinho. Uma tem um cunho religioso muito forte e a outra tem uma ligação muito forte com o agro. Hoje, Zé Mário faz um trabalho maravilhoso por meio da Faeg, do Senar e do Ifag.

O que eles estão fazendo para transformar vidas é algo incrível. Estão chegando à ponta, à agricultura familiar, aos assentados, àquelas comunidades às quais o poder público nunca chegou.

Por meio dessa linha de trabalho do Zé Mário, estamos criando condições para que os filhos possam permanecer na agricultura familiar. Você vê a plantação de manga, de açaí, de maracujá. Hoje produzimos o melhor mel do mundo, vendido para a Índia e para a China.

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Então, o Estado, por meio da Emater, da Agrodefesa e do Sistema S, com a atuação de Zé Mário, está mudando a vida de muita gente. Tenho muita satisfação. Eu o defendi muito, mas isso é página virada.

Luiz do Carmo tem seu papel, já foi senador da República. É uma pessoa extremamente agradável. E hoje acho que a maior missão do Zé Mário, que também é a minha, é ganharmos a eleição no primeiro turno.

É nisso que estamos trabalhando diuturnamente, para que, sob a coordenação de Zé Mário, possamos entregar ao Daniel a vitória no primeiro turno.