Na reta final da campanha, o senador e candidato à reeleição pelo PSD, Vanderlan Cardoso, aposta no histórico de entregas aos municípios e na atuação no Senado para conquistar um novo mandato. O parlamentar destaca a passagem por comissões importantes, como a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), que já presidiu, e a participação em debates sobre temas de interesse de Goiás. “Não é desprezando ninguém, mas compare o que eu fiz com o que os outros fizeram”, afirma, em entrevista ao Jornal Opção.

Vanderlan também minimiza a queda registrada nas pesquisas de intenção de voto e argumenta que levantamentos para o Senado costumam apresentar maior imprecisão. Integrante da base governista, o senador reafirma o apoio à reeleição de Daniel Vilela, rebate declarações de Gustavo Gayer e diz manter apoio não apenas entre o eleitorado evangélico, mas também entre integrantes de outras religiões.

Ton Paulo – Ao longo das últimas pesquisas de intenção de voto, o senhor sempre apareceu pontuando muito bem. Às vezes, tecnicamente empatado com Gracinha Caiado, às vezes em segundo e raramente em terceiro. Agora, nessa última Quaest, Gracinha aparece com 21% das intenções de voto, Zacharias e Gayer tecnicamente empatados em segundo, e logo depois vem o senhor. Houve, portanto, ainda que pequena, uma queda. Como o senhor avalia esses números? Acredita que Zacharias e Gayer conseguiram avançar um pouco sobre o seu eleitorado?

Na verdade, a pesquisa para o Senado é um pouco mais complicada para os institutos fazerem. Mas, se você pegar essa Quaest que mencionou, a margem de erro é de seis pontos, três para baixo e três para cima. Quando você faz esse comparativo, podemos estar em segundo lugar. Estamos com 8%, mas podemos estar com 6% ou 14%.

E tem candidato que está pontuando com 13% e que, considerando a margem, pode estar com 7%. Então, é muito difícil. Eu pego como base a campanha de 2018, que também era muito marcada pela margem de erro. Chegamos em primeiro lugar, embora sempre aparecêssemos em quarto ou quinto.

Em 2022, foi da mesma forma. Marconi Perillo aparecia disparado na frente e Wilder Morais chegou em primeiro lugar. Então, não é fácil fazer pesquisa para o Senado.

Geralmente, os institutos de pesquisa erram muito nas pesquisas para o Senado. Mas o importante é que estamos trabalhando, percorrendo o Estado e fazendo muitas reuniões. Temos muitos apoios, principalmente de prefeitos, prefeitas e vereadores. Nossa campanha também tem as próprias informações, que são um pouco diferentes desses levantamentos, mas respeito todos.

Não estou aqui para criticar um ou outro. Vamos ver, no domingo, quem estará mais bem pontuado. O fato é que vejo, e é o que os analistas falam, que hoje a disputa para o Senado está muito embolada.

João Paulo Alexandre – Desde que começamos a acompanhar as eleições deste ano, ouvimos de integrantes da base e cientistas políticos que o fato de haver vários candidatos ao Senado dentro da base acaba prejudicando vocês, porque há uma dispersão maior dos possíveis votos. Como o senhor avaliou essa abertura para quatro nomes: Gracinha, o senhor, Mendanha e Zacharias?

Desde o início, tenho falado em várias entrevistas: no meu caso, como tenho muito serviço prestado em todo o Estado e também para o Brasil, não importa a quantidade de candidatos. Até favorece. Quanto mais candidaturas houver, melhor para nós.

Em qualquer município do Estado a que vou, tenho o que mostrar. Posso dizer: “Veja isso, aqui nós fizemos isso”.

IMG_1374
Senador e candidato à reeleição, Vanderlan Cardoso | Foto: Rosi Campos/Jornal Opção

São ações nos municípios, máquinas, equipamentos, asfalto, agricultura familiar, ajuda ao homem do campo, institutos federais, universidades, ensino superior e pesquisa. Então, temos o que mostrar. Para mim, não faz sentido ficar lamentando, como vi em algumas discussões. Graças a Deus, isso acabou dentro da base.

Ton Paulo – Recentemente, entrevistamos o deputado e candidato ao Senado Gustavo Gayer, que afirmou que o senhor “perdeu o voto evangélico”. Como avalia essa afirmação?

Vindo de quem veio, não levo a sério. Nós fazemos levantamentos, inclusive por religião. Sou muito bem avaliado em todas: entre católicos, evangélicos e espíritas, porque não entro nessa questão ideológica de religião. Nunca entrei.

Fui prefeito e fui prefeito de todos [em Senador Canedo]. Tive parceria com os espíritas, que fazem um trabalho social muito grande; parceria com os católicos em todos os sentidos, em tudo o que nos apresentaram, principalmente nas obras sociais.

E com os evangélicos foi do mesmo jeito. Não preciso ficar dizendo: “Tenho 30 anos, sou evangélico, assembleiano, isso ou aquilo”. É o meu testemunho que fala por mim.

Então, quando esse cidadão fala isso, não fala com propriedade. As igrejas são independentes, não têm cabresto eleitoral.

Um pastor ou outro pode apoiar este ou aquele candidato. Temos pastores evangélicos que apoiam Gustavo Mendanha, que apoiam Zacharias Calil e que também me apoiam. Temos, inclusive, pastores que me apoiam e apoiam Gayer. Nem por isso vou dizer que ele não tem voto no meio evangélico. É uma democracia. Vivemos em uma democracia.

Ton Paulo – Qual é a sua estratégia, nessa reta final de campanha, para angariar mais votos?

Minha estratégia vem sendo construída ao longo de quase oito anos. Não é apenas na época de eleição que estamos presentes nos municípios, nos institutos federais e nas universidades. Trabalhamos durante todo esse período, não apenas agora.

Vamos continuar até o dia da eleição, ou até quando a lei permite, que é sábado, fazendo nossas minicarreatas, visitas e reuniões. Vamos intensificar a presença em algumas regiões às quais ainda precisamos ir e que ainda não visitei nesta campanha.

Principalmente com essas minicarreatas, reuniões e entrevistas em rádio. Entrevistas como esta são muito importantes para nós nesta reta final.

Ton Paulo – Qual é a avaliação do senhor sobre a recente proibição das bets no Brasil?

Avalio que foi um erro gravíssimo a autorização dessas bets. É jogo, e isso está destruindo muitas famílias. Tenho amigos que estão endividados por causa de jogos como o Tigrinho e as bets. Tenho funcionários nas empresas, não apenas em Goiás, mas também na Bahia, em Minas Gerais e em vários lugares do Norte, que estão endividados por causa desses jogos. Sou contrário a todo tipo de jogo.

IMG_1422
Senador e candidato à reeleição, Vanderlan Cardoso | Foto: Rosi Campos/Jornal Opção

Minha família sofreu muito porque meu pai era jogador. Meu pai jogava baralho com frequência, e havia apostas. Então, tenho um trauma em relação ao jogo. Sou contra qualquer tipo de jogo.

O presidente ter acabado com essas bets por decreto vem tarde, mas antes tarde do que nunca.

Ton Paulo – O senhor é empresário. Qual é a sua posição sobre o fim da escala 6×1 de trabalho?

Sou favorável. A questão do emprego no Brasil mudou muito ao longo do tempo. Então, é preciso haver uma flexibilização para o trabalhador. Já estamos adaptando nossas empresas. Tenho quase três mil funcionários e começamos esse processo há quase cinco anos. Não adianta não oferecer ao trabalhador uma condição melhor de trabalho. Um dia a mais de descanso melhorou muito a situação para nós dentro da empresa.

Estamos fazendo essa adaptação há cinco anos. A grande maioria das nossas empresas já trabalha nessa escala.

João Paulo Alexandre – Outro tema que tem ganhado destaque é a questão envolvendo o STF. Isso, inclusive, tem se tornado pauta política e alimentado um discurso de mudança no Senado. Para além do impeachment dos ministros, como Alexandre de Moraes, gostaria de saber o que o senhor avalia que pode ser feito em relação ao STF caso volte a ocupar uma cadeira no Senado.

Já venho defendendo há muito tempo, inclusive em pronunciamentos, que os ministros tenham mandatos. Não pode um ministro ser indicado e permanecer ad eternum no cargo.

Defendo que sejam mandatos e que haja também uma lista tríplice do próprio Judiciário. Não pode ser simplesmente um presidente dizer: “Este é meu advogado”, “este é meu amigo” ou algo do tipo e fazer a indicação.

estabeleci um desafio para mim: sendo reeleito, vou trabalhar para ser presidente do Senado. Não tenho nenhum processo no STF

Então, defendo mandato e uma lista tríplice composta por pessoas qualificadíssimas. Com relação ao impeachment de ministro, é interessante ver alguns candidatos falando que vão assinar pedidos de impeachment. Eu já venho fazendo isso há muito tempo.

O problema é que isso não é pautado pelo presidente do Senado. Por isso, estabeleci um desafio para mim: sendo reeleito, vou trabalhar para ser presidente do Senado. Não tenho nenhum processo no STF. Temos um candidato que tem 12 processos no STF. Como ele vai assinar alguma coisa ou pedir impeachment de ministro do STF? Esse filme já vimos. Eu não tenho nenhum processo.

Já fui presidente e vice-presidente de algumas das comissões mais importantes do Senado Federal. Então, só me falta agora ser presidente do Senado. É um desafio para mim, e quero ficar na história do meu Estado e deste país como o presidente do Senado que limpou a pauta do Senado Federal.

Inclusive em relação a impeachment de ministro do Supremo. E não é apenas o senhor Alexandre de Moraes. Não podemos ficar tapando o sol com a peneira. Há outros ministros que, na minha avaliação, estão cometendo irregularidades e precisam sofrer impeachment ou, pelo menos, passar pelo processo de impeachment.

João Paulo Alexandre – O senhor, hoje, apoia o projeto de reeleição de Daniel Vilela. Por que Daniel Vilela, na sua visão, é a melhor escolha para Goiás? E como o senhor tem enxergado os movimentos tanto de Wilder quanto de Marconi?

Procurei fazer uma avaliação de Daniel Vilela. Se voltarmos um pouco, em 2018, eu disse ao partido em que estava, o PP, e ao meu presidente, Alexandre Baldy, que só seria candidato ao Senado na chapa com o MDB, devido à proximidade. Então, percorri o Estado inteiro com Daniel Vilela, pedindo voto para ele, e ele pedindo voto para mim para o Senado.

Ele não foi eleito. Quem era o adversário? Ronaldo Caiado. Em 2022, Daniel já era vice de Ronaldo Caiado, porque cada eleição tem uma história. Já disputei eleições contra Marconi Perillo e também já tive o apoio de Marconi Perillo. Wilder é um amigo.

Não tenho problema nenhum com Wilder. Mas tomei a decisão de apoiar Daniel Vilela, que considero o melhor projeto para o Estado de Goiás neste momento. É Daniel Vilela. Por isso, estou percorrendo o Estado.

João Paulo Alexandre – Nos bastidores, algumas pessoas já disseram sentir falta de um posicionamento claro de apoio de Dona Izaura a Daniel Vilela. Sabemos que, hoje, ela é a primeira suplente de Wilder e, caso ele seja eleito, ela poderá assumir o mandato no Senado durante quatro anos. Como o senhor responde a essas críticas?

Às vezes, as pessoas não conhecem minha esposa. Ela é a primeira suplente de Wilder. Se ela fosse para a campanha de Daniel Vilela, soaria muito falso. Isso eu já conversei com o próprio Daniel Vilela.

Para nós, é muito claro: Dona Izaura está participando da minha campanha, não da campanha de Wilder. Se ela estivesse com Wilder Morais, estaria participando da campanha dele.

IMG_1386
Senador e candidato à reeleição, Vanderlan Cardoso, em entrevista ao Jornal Opção | Foto: Rosi Campos/Jornal Opção

Ela está participando e me ajudando na minha campanha. Agora, ela já deixou claro, para mim e para Gracinha Caiado, que o segundo voto dela é em Gracinha. Soaria muito falso ela dizer que está torcendo por Daniel Vilela sendo a primeira suplente de Wilder Morais.

Ton Paulo – Então, ela mantém a neutralidade que o senhor já havia mencionado?

Mantém a neutralidade. Quem acompanha as redes sociais dela vê que ela mantém o mesmo posicionamento. Ela está fazendo campanha para o senador Vanderlan, que é o esposo dela.

Ton Paulo – Voltando ao seu projeto como senador municipalista, como o senhor se considera, consegue elencar o histórico de contribuições para os municípios ao longo desse tempo de mandato?

Nós demos muito resultado para o Estado de Goiás. A vinda da Codevasf para Goiás foi um trabalho nosso, um dos primeiros que fizemos no Senado Federal. A Codevasf já investiu em Goiás mais de R$ 1,2 bilhão.

Foram pontes, máquinas e equipamentos para os municípios. Pode chegar a qualquer município, por menor que seja, que haverá máquinas e equipamentos via Codevasf. Pontes como a do Lago dos Tigres, de quase 500 metros de comprimento, que era uma reivindicação de quase 50 anos da população daquela região de Britânia, Santa Fé e Jussara.

São quase 100 pontes feitas via Codevasf. Só o senador Vanderlan entregou mais de 2,5 mil máquinas e equipamentos aos nossos municípios. Milhões de metros quadrados de asfalto foram feitos nos municípios, além de galerias de águas pluviais e investimentos em arranjos produtivos locais, como em Flores de Goiás, com o Polo de Fruticultura.

Goiás já é um grande produtor de mel devido ao trabalho feito via Codevasf, por meio dessas emendas. Então, são muitas as conquistas que tivemos. Também avançamos nos institutos federais, tanto na área do agro como da indústria, com recursos para mais salas de aula, mais laboratórios e custeio, além do ensino superior nas nossas universidades.

São quase 100 pontes feitas via Codevasf. Só o senador Vanderlan entregou mais de 2,5 mil máquinas e equipamentos aos nossos municípios

A Universidade Federal de Catalão era um campus. Nós a transformamos em universidade de fato e de direito. Foi um trabalho do senador. E há outras quatro espalhadas pelo país: em Pernambuco, Piauí, Mato Grosso e Tocantins.

Todas essas universidades eram campi, e foi um trabalho nosso transformá-las em universidades. Se hoje o hospital municipal de Catalão foi passado para a universidade, é porque hoje ela é uma universidade, tem CNPJ, orçamento próprio e funcionários. Foi um trabalho nosso.

Mas há uma coisa que me orgulha muito. Muitas vezes fui criticado quando falei que destinaríamos recursos aos municípios para a realização de cirurgias eletivas, porque, durante a pandemia, tudo ficou parado. Já entregamos recursos para mais de 80 mil cirurgias eletivas.

Eu e Gustavo Mendanha, se pegarmos o nosso histórico, somos como dois irmãos que brigam muito, mas que também têm momentos de paz. Gustavo Mendanha me ajudou a chegar ao Senado Federal

É por isso que estamos apresentando outros projetos e estendendo esse trabalho para outras áreas. Ajudamos muito o Estado, inclusive a nossa capital. Se voltarmos um pouco ao período da pandemia, o senador Vanderlan foi quem mais conseguiu colocar respiradores em Goiás, em uma época em que um respirador era disputado. Foi o senador Vanderlan.

Também conseguimos muitos recursos extras, durante a pandemia, para os municípios. Foi um trabalho nosso. Agora, existem novos desafios para um segundo mandato. Um deles é o projeto de autonomia orçamentária e financeira do Banco Central, que é um projeto do senador Vanderlan. Nele, protegemos o PIX. Você vê que querem mexer nisso. Até os Estados Unidos querem tomar o nosso PIX.

Estou garantindo isso no projeto de emenda à Constituição. Já foi aprovado na CCJ do Senado e está no plenário. Quero ver se ainda neste ano conseguimos aprová-lo no plenário para seguir para a Câmara dos Deputados. Na CCJ, aprovamos por unanimidade. Veja o tamanho desse projeto.

João Paulo Alexandre – Após atritos públicos, como está, hoje, sua relação com o também candidato ao Senado Gustavo Mendanha?

Eu e Gustavo Mendanha, se pegarmos o nosso histórico, somos como dois irmãos que brigam muito, mas que também têm momentos de paz. Gustavo Mendanha me ajudou a chegar ao Senado Federal.

Quando assumi, um dos primeiros municípios que atendi foi Aparecida de Goiânia, e ele era prefeito. O Hmap, por exemplo, só foi entregue ao Albert Einstein porque colocamos lá hemodinâmica e UTI coronariana, naquele hospital que é um dos mais modernos do país. São recursos do senador Vanderlan.

Colocamos máquinas, equipamentos, recursos para custeio da saúde e UBS ainda no governo dele, trabalho que foi intensificado agora com Leandro Vilela.

João Paulo Alexandre – A política é feita de possibilidades. Caso o senhor não seja reeleito, quais são seus planos para o futuro?

Hoje, não penso nisso. O futuro a Deus pertence. Não fico pensando em qual será o próximo projeto. Vamos passar por essa etapa. Estou trabalhando para ser eleito. Se acontecer outra coisa, será da vontade de Deus, porque Ele sempre quer o melhor para nós.

Sou muito tranquilo em relação a isso. Não fico lamentando nem chorando por uma coisa ou outra. Já ganhei e já perdi eleição. Vou fazer 64 anos, tenho cinco netos e não quero parar de forma alguma. Gosto de produzir, gosto de fazer e gosto de ajudar as pessoas. Em qualquer área em que estiver, quero me destacar. Em qualquer lugar. É o que Deus quiser. E, onde Ele me colocar, sempre conseguimos alcançar posições de destaque.

No nosso Estado de Goiás, não estou aqui desprezando ninguém, mas compare o que o senador Vanderlan fez nesses quase oito anos com o que outros fizeram. É simples assim.