Justiça revoga prisão de investigados na Operação Simulatio; defesa confia no esclarecimento dos fatos
17 agosto 2026 às 19h27

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A Justiça de Goiás revogou, no sábado, 15, a prisão preventiva dos empresários Mário César de Paiva e Paulo Fernandes Marçal Filho e do funcionário Glauco Rezende Ribeiro, investigados na Operação Simulatio, deflagrada pelo Ministério Público de Goiás (MP-GO) na última segunda-feira, 11. Em nota divulgada à imprensa, a defesa dos três classificou a decisão que determinou a soltura como “acertada e devidamente fundamentada” e reafirmou confiança no Poder Judiciário.
A decisão foi proferida pelo juiz substituto em segundo grau Ricardo Silveira Dourado, que acolheu pedido apresentado pela defesa. Entre os argumentos analisados estão a ausência de fatos recentes que justificassem a manutenção das prisões, o intervalo entre a autorização das medidas cautelares e o cumprimento dos mandados, além de questões de saúde apresentadas por dois dos investigados.
Em manifestação, o advogado Thales José Jayme afirmou que os investigados cumprirão integralmente as medidas cautelares impostas pela Justiça e permanecerão à disposição das autoridades responsáveis pela investigação.
“As medidas cautelares fixadas na decisão judicial serão integral e rigorosamente cumpridas pelos investigados”, afirma a defesa.
O advogado também sustenta que o avanço das investigações permitirá uma análise mais aprofundada dos fatos e das provas reunidas pelo Ministério Público.
“A defesa reafirma sua confiança na Justiça e no devido processo legal e entende que, no decorrer das investigações, mediante a análise técnica, imparcial e aprofundada dos fatos e das provas, será demonstrada a inocência dos investigados”, diz a nota.
Defesa nega irregularidades
A Operação Simulatio apura suspeitas de fraudes em processos de contratação pública envolvendo empresas fornecedoras de contêineres e estruturas modulares. Segundo o MP-GO, os contratos investigados, firmados entre 2021 e 2025, somam R$ 273,2 milhões. Desse montante, R$ 88,3 milhões já teriam sido liquidados.
Mário César é proprietário da César Sistemas Construtivos Ltda. e apontado pelos investigadores como suposto líder do esquema. A investigação estima possíveis desvios de R$ 14,8 milhões.
Também são investigadas empresas de Goiás e São Paulo que, conforme a apuração, teriam participado de uma suposta simulação de concorrência e dado suporte à empresa apontada como principal contratada.
A defesa, entretanto, nega a existência de fraude em licitações e afirma que os fatos serão esclarecidos ao longo da investigação.
Ao revogar as prisões, o magistrado considerou, entre outros pontos, o período transcorrido desde a decisão que autorizou as medidas cautelares. As ordens judiciais haviam sido expedidas em maio deste ano pela juíza Ana Cláudia Veloso Magalhães, do 1º Juízo das Garantias da Comarca de Goiânia.
Para Ricardo Silveira Dourado, a demora no cumprimento dos mandados, sem a ocorrência de fatos novos que indicassem a necessidade das prisões, poderia enfraquecer os fundamentos para a manutenção das medidas.
“A demora estatal no cumprimento do mandado, quando desacompanhada de qualquer acontecimento novo que justifique a preservação da medida, pode revelar que a urgência e a indispensabilidade que legitimariam a prisão não se mantiveram com a intensidade inicialmente presumida”, afirmou.
As investigações são conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial do Patrimônio Público (Gaepp) do MP-GO e envolvem suspeitas relacionadas a contratos públicos celebrados em dez municípios, além da Agência Goiana de Infraestrutura e Transportes (Goinfra).
Além das prisões e dos mandados de busca, a Justiça autorizou medidas como a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático dos investigados. Quatro gestores municipais também foram afastados dos cargos.
Condições de saúde foram apresentadas pela defesa
No pedido de liberdade, o advogado Thales Jayme também apresentou documentos médicos referentes aos investigados. Segundo a documentação apresentada pela defesa, Mário César possui hipertensão arterial, insuficiência renal, elevação da creatinina, síndrome vasovagal, problemas na coluna, dores crônicas e apneia.
A defesa chegou a solicitar cela especial em razão das condições de saúde apresentadas.
Paulo Fernandes Marçal Filho é sócio da DSI Containers e aparece na investigação em razão de sua participação em contrato firmado entre a Goinfra e a César Sistemas, no qual teria atuado como representante da empresa.
Já Glauco Rezende Ribeiro é descrito pelo MP-GO como funcionário de confiança de Mário César e, segundo a investigação, teria atuado na interlocução com servidores públicos.
Na nota divulgada após a soltura, Thales Jayme afirmou que a defesa continuará acompanhando o caso e que, neste momento, pretende preservar informações específicas relacionadas à investigação.
“A defesa seguirá atuando com serenidade, responsabilidade e respeito às instituições, preservando, neste momento, o necessário sigilo quanto aos aspectos específicos do procedimento investigativo”, concluiu.
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