Nos últimos dias, Goiás vem registrando altas temperaturas e um clima extremamente seco. Em algumas cidades, os termômetros já ultrapassaram os 40 °C. Diante desse cenário, cuidar da pele se torna fundamental para minimizar os problemas provocados pela baixa umidade do ar. Os cuidados vão desde a ingestão adequada de água até evitar banhos muito quentes e prolongados.

Em entrevista ao Jornal Opção, a dermatologista Bruna Alarcon destaca que o período de baixa umidade do ar contribui significativamente para o ressecamento da pele. Isso acontece devido à maior perda de água pelo organismo durante esse período, o que compromete a hidratação da pele e pode deixá-la com um aspecto acinzentado.

Para além da alteração estética, o ressacamento também impacta na barreira cutânea, que é responsável por proteger o organismo de agentes externos. Com essa fragilidade, produtos que são usados comumente no dia a dia podem passar a provocar irritações.

“Esse ressecamento vai quebrar o que a gente chama de barreira natural da pele. Então, a gente fica mais propenso aos agentes externos, como, por exemplo, um sabonete que às vezes você usava e ficava bem com ele, mas agora, com a barreira cutânea prejudicada, aquele sabonete provoca, às vezes, até um eczema, que a gente chama de dermatite”, destaca.

A dermatologista destaca ainda que pessoas que já convivem com doenças dermatológicas, como dermatite atópica, podem sofrer ainda mais durante esse período. Em alguns casos, o quadro pode evoluir para vermelhidão, coceira e até feridas, exigindo tratamento específico.

Bruna Alarcon afirma que pequenos hábitos podem fazer a diferença durante o tempo seco | Foto: arquivo pessoal

Alteração de hábitos

A médica aponta ainda que a mudança no tempo também pode exigir alterações na rotina de cuidados. Produtos com características naturalmente irritativas, como ácido retinoico, tretinoína e adapaleno, podem ser bem tolerados durante períodos de maior umidade, mas provocar mais irritação quando o ar está seco.

Mas a profissional destaca que isso não deve ser abandonado e, sim, realizar alguns ajustes na aplicação. “Você usava toda noite, agora a gente vai usar só três vezes na semana. O hidratante que você usava antes era esse, agora a gente usa um outro hidratante. Justamente para ajudar a equilibrar toda essa balança que o efeito da baixa umidade do ar provoca na nossa pele”, pontua, reforçando que a reação não deve ser confundida necessariamente com alergia.

A dermatologista destaca que o consumo de água deve ser ampliado. Apesar de ser algo óbvio, há muitas pessoas que tomam a quantidade abaixo da recomendada por dia. Ela cita algumas alternativas, como chás, sucos e água de coco para auxiliar na ingestão adequada de líquidos. “É muito importante que a gente faça essa reposição dessa água perdida na forma de ingestão de líquidos claros. A gente fala da água, mas tem pessoas que gostam do chá, gostam de um suco, água de coco”, explica.

Consumo de água deve ser reforçado neste período seco | Foto: Smart Fit

O jeito do banho também impacta na pele

Outro fator destacado pela dermatologista é a forma de tomar banho. Segundo Bruna Alarcon, banhos muito quentes e prolongados podem prejudicar ainda mais a pele, que já está fragilizada pela baixa umidade do ar. Por isso, ela recomenda optar por água morna e reduzir o tempo de banho.

Ela também fala sobre o uso da bucha vegetal, que é prejudicial para a barreira natural da pele. Segundo ela, esfregar todo o corpo pode aumentar a agressão à pele, especialmente quando o hábito está associado a banhos demorados e água quente. Ela orienta a restrição do uso da bucha às regiões que realmente necessitam de maior limpeza, como pés e axilas, ou quando hovuer sujeira visível. Nas demais partes do corpo, o sabonete aplicado com as mãos já é o suficiente.

Bucha vegetal pode impactar na barreira cutânea | Foto: divulgação

Body Splash hidrata?

A dermatologista destaca que, apesar da popularidade, o produto não deve ser visto como uma alternativa para hidratar a pele. A finalidade dele é de proporcionar fragrância.

Bruna explica que, por terem formulações leves e veículos aquosos, o potencial de hidratação do body splash é reduzido. Pessoas com determinadas sensibilidades também podem apresentar intolerância às fragrâncias presentes nesses produtos.

Essa tendência atual do body splash é mais voltada para efeito mesmo cosmético de cheiro, de ser agradável no odor. Mas, para hidratação, a gente geralmente nem tem esses produtos no consultório e nem recomenda. O poder dele de hidratar é muito pequeno. Então, eles são usados mais com o intuito de fragrância, de um odor agradável mesmo.

É a dica de sempre: abusar do protetor solar. Ela lembra que o Brasil possui alta incidência de radiação ultravioleta e que, em determinadas épocas do ano, essa exposição pode ser ainda maior.

Mas a profissional faz um alerta sobre o uso indiscriminado de cosméticos indicados por amigos, conhecidos ou conteúdos encontrados na internet. Além de especificidades particulares de cada pele, a compra de diversos produtos podem não trazer resultados e ainda resultar em um gasto desnecessário. “Cada pele é de um jeito. Cada pele tem uma necessidade específica. E eu vejo, às vezes, muitas pessoas comprando diversos produtos, gastam até muito recurso, muito dinheiro, e chegam no consultório e falam: ‘Olha, eu já tentei isso e isso não resolveu’”, ressalta.

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