Câncer raro atinge 12 jovens na mesma região e famílias querem respostas
17 agosto 2026 às 18h03

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A concentração de casos de um câncer raro entre crianças e jovens em uma pequena região da Califórnia, nos Estados Unidos, levou uma família a pedir uma investigação das autoridades locais. Ao menos 12 moradores de Ladera Ranch foram diagnosticados com sarcoma de Ewing, tipo raro de câncer que pode atingir ossos e tecidos moles.
Os casos chamaram a atenção dos pais de Lillian Dalton, conhecida como Lilly, que cresceu em Laguna Niguel, no Condado de Orange, a poucos quilômetros de Ladera Ranch. Aos 21 anos, apenas três dias depois de se formar na universidade, ela descobriu que tinha um tipo extremamente raro de câncer.
O pai da jovem, Brian Dalton, afirma que a quantidade de diagnósticos em uma área relativamente pequena merece ser investigada e defende que as autoridades apurem a existência de algum fator ambiental ou de outra possível causa em comum.
“É inacreditável que tantos casos raros de câncer surjam em uma comunidade tão pequena. São cerca de 10 quilômetros de onde está o surto da doença no bairro em que Lilly cresceu”, afirmou.
Apesar da proximidade geográfica, até o momento não há evidências de que a doença diagnosticada em Lilly tenha relação com os casos de sarcoma de Ewing registrados em Ladera Ranch.
Diagnóstico raro
Lilly concluiu o curso de História na Universidade de Loyola, em Nova Orleans, em 2024. Pouco depois da formatura, começou a sentir fortes dores abdominais. Inicialmente, os médicos suspeitaram de gastrite, e a jovem foi liberada após receber medicação.
Com a piora dos sintomas, ela retornou ao hospital. Exames identificaram uma massa no fígado. Lilly voltou para a Califórnia, onde passou por uma avaliação mais detalhada e recebeu indicação para uma cirurgia de retirada do tumor.
Durante o procedimento, porém, os médicos encontraram outras formações menores. Os tumores foram removidos e encaminhados para análise.
O diagnóstico definitivo veio em setembro de 2024. Especialistas classificaram a doença como tumor desmoplásico de pequenas células redondas (DSRCT, na sigla em inglês), um tipo extremamente raro e agressivo de câncer.
Segundo o relato da família, diante da raridade das características encontradas, os médicos consideraram o DSRCT a classificação mais próxima para o câncer apresentado pela jovem.
Tratamento agressivo
Após o diagnóstico, Lilly foi encaminhada ao Instituto de Câncer Huntsman, em Salt Lake City, onde iniciou um tratamento intensivo com quimioterapia. Como a resposta não foi satisfatória, a equipe médica optou por uma cirurgia combinada à quimioterapia intraperitoneal hipertérmica, conhecida como HIPEC.
O procedimento envolveu uma grande incisão abdominal para a retirada dos tumores visíveis. Durante a cirurgia, cerca de 30 pequenas formações foram encontradas e removidas.
Na sequência, os médicos aplicaram quimioterapia aquecida diretamente na cavidade abdominal, procedimento utilizado para tentar eliminar células cancerígenas que eventualmente não fossem identificadas durante a cirurgia.
A recuperação foi difícil. Lilly permaneceu internada por 23 dias e, posteriormente, passou por novas sessões de quimioterapia e radioterapia com prótons. Mesmo com os diferentes tratamentos, a doença continuou avançando.
A família ainda tentou incluí-la em um ensaio clínico, mas não encontrou uma alternativa capaz de interromper a progressão do câncer.
Com o avanço da doença, Lilly foi encaminhada para casa para receber cuidados paliativos. Segundo a família, ela morreu duas semanas depois.
“Minha filhinha, Lillian, era a menina perfeita. Sei que todos os pais provavelmente diriam isso, mas ela realmente era”, afirmou Brian Dalton à revista People.
Antes de morrer, Lilly também utilizou as redes sociais para compartilhar informações sobre o câncer e conscientizar outras pessoas sobre a doença.
Família pede investigação
A informação sobre os 12 casos de sarcoma de Ewing registrados entre crianças e jovens de Ladera Ranch chamou a atenção da família Dalton. A proximidade entre a comunidade onde ocorreram os diagnósticos e a região onde Lilly cresceu levou os pais a defenderem uma investigação das autoridades de saúde.
A família quer saber se existe algum fator em comum que possa ajudar a explicar a concentração de casos. Até o momento, porém, não foi estabelecida relação causal entre o câncer diagnosticado em Lilly e os casos de sarcoma de Ewing.
A ocorrência de diferentes casos de câncer em uma mesma região pode motivar investigações sobre possíveis fatores ambientais, genéticos ou outras características compartilhadas pela população. A proximidade geográfica, entretanto, não é suficiente para comprovar que as doenças tenham uma origem comum.
Ainda assim, os Dalton consideram que o número de diagnósticos registrados em uma área relativamente pequena justifica uma investigação por parte das autoridades de saúde do Condado de Orange.
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