Uma pesquisa sobre as pinturas rupestres de Huashan, no sul da China, encontrou indícios de que sangue humano pode ter sido utilizado na produção das imagens. Pesquisadores analisaram amostras coletadas em três pontos do complexo arqueológico e identificaram proteínas sanguíneas em uma camada localizada entre o pigmento vermelho e a superfície de calcário. As pinturas têm pelo menos 2 mil anos.

O pigmento vermelho utilizado nas representações teria como base a hematita, mineral encontrado em argilas. Para fazer a tinta aderir à rocha, os antigos artistas teriam utilizado uma mistura de cal, fosfato de cálcio e sangue. Segundo os pesquisadores, as proteínas sanguíneas contribuíram para a formação de uma estrutura mineral que ajudou a fixar o pigmento ao calcário.

A descoberta oferece novas pistas não apenas sobre os materiais utilizados, mas também sobre as técnicas empregadas pelas populações responsáveis pelas pinturas. A composição pode, inclusive, ajudar a explicar como as imagens resistiram por milhares de anos às condições ambientais da região.

Possível relação com rituais de fertilidade

Uma das hipóteses levantadas pelo estudo é que parte do sangue utilizado na preparação da tinta possa ter sido obtida de mulheres durante ou após o parto. Os pesquisadores consideram que a escolha desse material poderia estar relacionada a rituais associados à fertilidade e à maternidade.

A interpretação, no entanto, ainda é uma hipótese e não permite concluir que essa era, de fato, a origem do sangue ou a finalidade de seu uso pelas populações responsáveis pelas pinturas.

Além do possível significado ritual, a presença do sangue pode ter desempenhado uma função prática. A composição identificada pelos pesquisadores ajuda a explicar a preservação das imagens ao longo de milhares de anos, apesar da exposição a condições como umidade elevada, chuvas e variações de temperatura.

A reação entre a cal e o dióxido de carbono teria produzido carbonato de cálcio. Ao mesmo tempo, as proteínas presentes no sangue podem ter favorecido a formação de cristais minerais, reforçando a ligação entre a hematita e a superfície rochosa.

Para os pesquisadores, os resultados indicam que a produção das pinturas de Huashan envolvia técnicas mais elaboradas do que a simples aplicação de pigmentos sobre a pedra. A combinação de diferentes materiais sugere o domínio de métodos capazes de aumentar a aderência e a durabilidade das representações.

O estudo foi publicado no Journal of Archaeological Science e acrescenta novas informações sobre os materiais e as técnicas empregados na produção da arte rupestre da China antiga.

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