Câncer de pulmão vai além do cigarro e pode atingir quem nunca fumou, alerta pneumologista
13 agosto 2026 às 16h44

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“O câncer de pulmão permanece como uma das principais causas de morte por câncer no mundo e tem no diagnóstico precoce um dos fatores decisivos para aumentar as chances de cura. Durante o Agosto Branco, campanha dedicada à conscientização e prevenção da doença, especialistas reforçam que sintomas como tosse persistente, falta de ar, dor no peito e perda de peso sem explicação não devem ser ignorados. O alerta vale inclusive para quem nunca fumou, já que entre 10% e 20% dos casos atingem pessoas sem histórico de tabagismo.
Segundo a pneumologista Heloisa Cosa, cooperada da Unimed Goiânia, embora o cigarro continue sendo o principal fator de risco, outras formas de exposição também podem contribuir para o desenvolvimento da doença. Entre elas estão a fumaça de outras pessoas, a poluição do ar, o gás radônio, o contato ocupacional com substâncias como amianto e sílica e alterações genéticas.

“Por isso, ninguém está totalmente livre do risco. Se surgirem sintomas persistentes, eles devem ser investigados, independentemente de a pessoa fumar ou não”, afirma.
No Brasil, dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca) apontam que aproximadamente 85% dos casos de câncer de pulmão estão relacionados ao consumo de produtos derivados do tabaco. A doença também está entre as neoplasias mais letais, situação relacionada, entre outros fatores, à descoberta em estágios mais avançados.
Isso ocorre porque os sinais iniciais podem passar despercebidos ou ser confundidos com problemas respiratórios comuns. Tosse persistente por mais de três semanas ou que apresenta mudança de característica, falta de ar progressiva, dor no peito, rouquidão, presença de sangue no catarro, perda de peso sem explicação e cansaço excessivo estão entre os sintomas que merecem atenção.
“O mais importante é observar quando um sintoma não melhora ou se torna persistente. Nessas situações, vale procurar avaliação médica”, explica Heloisa.
Rastreamento pode identificar doença antes dos sintomas
Além da atenção aos sinais apresentados pelo organismo, o rastreamento pode contribuir para o diagnóstico precoce entre pessoas que apresentam maior risco de desenvolver câncer de pulmão.
De acordo com Heloisa, a tomografia computadorizada de tórax de baixa dose é indicada principalmente para pessoas entre 50 e 80 anos que fumam atualmente ou que deixaram o cigarro, desde que apresentem histórico significativo de tabagismo, geralmente equivalente a 20 anos-maço ou mais.
O exame utiliza uma quantidade reduzida de radiação e pode identificar alterações ainda pequenas nos pulmões, inclusive antes do surgimento de sintomas.
“Quando o câncer é descoberto nessa fase inicial, as chances de cura aumentam significativamente”, destaca a médica.
A indicação do rastreamento, entretanto, deve ser avaliada individualmente por um profissional de saúde, considerando idade, histórico de tabagismo e outros fatores de risco.
Cigarro eletrônico também preocupa
A popularização dos cigarros eletrônicos, especialmente entre os jovens, acrescentou uma nova preocupação às discussões sobre saúde pulmonar. Apesar da percepção de que esses dispositivos seriam menos prejudiciais que o cigarro convencional, a pneumologista alerta que o uso não é livre de riscos.
“O cigarro eletrônico não é inofensivo. Embora muitas pessoas acreditem que ele seja mais seguro, ele contém substâncias que podem causar inflamação pulmonar, dependência de nicotina e expõem o organismo a compostos potencialmente cancerígenos”, afirma.
Além dos cigarros convencionais e eletrônicos, a exposição à fumaça passiva e à poluição atmosférica também deve ser considerada. Em determinadas atividades profissionais, o contato frequente com amianto, sílica, arsênio, diesel e outros produtos químicos pode aumentar os riscos à saúde pulmonar.
Parar de fumar continua sendo principal medida de prevenção
A conscientização sobre esses fatores ganha destaque durante o Agosto Branco, campanha voltada à prevenção e ao diagnóstico precoce do câncer de pulmão. O mês também inclui o Dia Nacional de Combate ao Fumo, celebrado em 29 de agosto.
Para Heloisa, abandonar o cigarro é uma das principais medidas para diminuir o risco da doença. Os benefícios também alcançam quem fumou durante muitos anos e decide interromper o hábito.
“Nunca é tarde para abandonar o cigarro. Mesmo quem fumou por muitos anos reduz o risco de câncer de pulmão e de outras doenças após interromper o tabagismo”, ressalta.
Outras medidas preventivas incluem evitar a exposição à fumaça de terceiros, não utilizar cigarros eletrônicos, adotar equipamentos de proteção em ambientes profissionais com substâncias de risco, praticar atividades físicas, manter uma alimentação equilibrada e acompanhar a saúde respiratória.
A especialista reforça que reconhecer mudanças persistentes no organismo e procurar avaliação médica pode fazer diferença no tratamento.
“O câncer de pulmão tem muito mais chance de cura quando é descoberto cedo. Não ignore uma tosse persistente, falta de ar ou qualquer sintoma que não melhora”, alerta Heloisa.
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