Maioria dos casos de câncer de pulmão é descoberta tarde; até 85% dos diagnósticos ocorrem em estágio avançado
07 agosto 2026 às 15h21

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Uma tosse que insiste em não passar, falta de ar progressiva ou rouquidão persistente. Sintomas frequentemente associados a gripes, alergias ou bronquites podem esconder um diagnóstico muito mais grave: o câncer de pulmão. A semelhança com doenças respiratórias comuns é um dos fatores que contribuem para o diagnóstico tardio da doença, realidade enfrentada pela maioria dos pacientes brasileiros.
Em alusão ao Agosto Branco, mês dedicado à conscientização sobre o câncer de pulmão, a pneumologista cooperada da Unimed Goiânia, Dra. Heloisa Costa, alerta que a persistência dos sintomas deve servir como sinal de atenção.
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), apenas cerca de 15% dos casos são identificados em estágio inicial. Dados do Observatório de Oncologia mostram que entre 85% e 93% dos pacientes chegam aos serviços especializados quando a doença já está em fase avançada, reduzindo significativamente as possibilidades de cura.
A diferença no prognóstico é expressiva. Quando descoberto precocemente, o câncer de pulmão apresenta taxa de sobrevida de 56% após cinco anos. Considerando todos os estágios da doença, esse índice cai para apenas 18%.
“O principal alerta é quando os sintomas persistem ou pioram com o passar das semanas. Tosse por mais de três semanas, falta de ar progressiva, dor no peito, rouquidão, catarro com sangue e cansaço sem causa aparente precisam ser investigados”, orienta a médica.
Tabagismo continua sendo o principal fator de risco
Embora o cigarro seja responsável pela maioria dos casos, a especialista ressalta que o câncer de pulmão não é uma doença exclusiva de fumantes.
“Cerca de 10% a 20% dos diagnósticos ocorrem em pessoas que nunca fumaram. Nesses casos, a doença pode estar relacionada ao tabagismo passivo, à poluição do ar, à exposição ao gás radônio, ao amianto, à sílica e até a alterações genéticas”, explica.
De acordo com o INCA, o Brasil deve registrar aproximadamente 35,3 mil novos casos de câncer de pulmão, traqueia e brônquios por ano durante o triênio 2026-2028. A doença permanece como a principal causa de morte por câncer no país.
Rastreamento pode aumentar as chances de cura
Para pessoas com maior risco, o diagnóstico precoce depende do rastreamento. Segundo a pneumologista, a recomendação é direcionada principalmente a pessoas entre 50 e 80 anos que fumam ou deixaram o cigarro recentemente.
“O exame indicado é a tomografia computadorizada de tórax de baixa dose, capaz de identificar tumores ainda muito pequenos, antes mesmo do aparecimento dos sintomas”, afirma.
Ela destaca que muitos pacientes demoram a procurar atendimento por acreditarem que a tosse ou a falta de ar fazem parte de problemas respiratórios recorrentes ou do próprio hábito de fumar.
“Não é normal conviver com sintomas persistentes. Quanto mais cedo o câncer é identificado, maiores são as chances de cura e menores são as consequências do tratamento. Quem fuma ou fumou por muitos anos deve conversar com o pneumologista sobre a necessidade do rastreamento”, conclui.
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