Justiça arquiva caso e rejeita acusação sobre negociação de carros de luxo que envolvia Lucas Lucco
24 julho 2026 às 09h56

COMPARTILHAR
A Justiça de Goiás rejeitou a acusação apresentada pelo Ministério Público (MP) contra o empresário Eliel Levistone Silva e Souza no caso que ganhou repercussão nacional durante as investigações sobre negociações de carros de luxo envolvendo o cantor Lucas Lucco. A decisão é do juiz Luís Henrique Lins Galvão de Lima, da 7ª Vara Criminal de Goiânia.
Com a decisão, o processo criminal nem chegou a ser aberto. Como o Ministério Público não recorreu, o caso foi encerrado em definitivo. Ao analisar o pedido do MP, o juiz concluiu que não havia elementos suficientes para justificar a abertura de um processo criminal contra o empresário.
Na decisão, afirmou que não existia uma base mínima de provas para dar continuidade ao caso e destacou que levar o investigado a julgamento, nas condições apresentadas, significaria submetê-lo a um processo sem fundamentos consistentes e sem perspectiva de surgirem novas provas capazes de mudar o cenário.
O magistrado também entendeu que parte dos fatos investigados já não poderia mais ser usada para embasar uma ação criminal porque o prazo legal para a vítima formalizar a representação havia expirado. Segundo o advogado de defesa de Eliel Levistone, Pedro Paulo de Medeiros, a Justiça concluiu que não havia os requisitos necessários para aceitar a acusação apresentada pelo Ministério Público.
De acordo com ele, alguns fatos já estavam abrangidos por outro crime e, além disso, não existiam provas mínimas que justificassem o início do processo. Para o advogado, a decisão é ainda mais favorável ao empresário do que uma absolvição.
“A Justiça concluiu que sequer existiam os requisitos legais para dar início ao processo criminal. Não houve produção de provas nem julgamento porque o magistrado entendeu, desde o início, que não havia fundamento suficiente para abrir a ação. É uma situação jurídica diferente da absolvição, porque o processo nem chegou a existir”, afirmou.
Pedro Paulo também destacou que a decisão se tornou definitiva porque o Ministério Público optou por não apresentar recurso. “O próprio MP decidiu não recorrer. Com isso, a decisão tornou-se definitiva e o arquivamento encerrou esse processo criminal”, disse.
Na decisão, o juiz rejeitou integralmente a acusação e determinou o arquivamento do caso. Como o Ministério Público não apresentou recurso, a decisão passou a valer em definitivo em 7 de julho. O Jornal Opção procurou a assessoria de imprensa do cantor, mas não obteve resposta até a publicação da matéria. O espaço segue aberto.
Entenda
O caso ganhou repercussão nacional em julho de 2025, quando a Polícia Civil de Goiás (PCGO) indiciou o cantor Lucas Lucco, o pai dele e um homem que se apresentava como advogado por supostas fraudes em uma negociação envolvendo carros de luxo. A investigação foi conduzida pela 3ª Delegacia Distrital de Polícia (DDP) de Goiânia.
Segundo a Polícia Civil, um empresário procurou a corporação alegando ter sido prejudicado durante uma troca de veículos de alto padrão. De acordo com o delegado Manoel Borges, responsável pelo inquérito à época, o grupo teria omitido que dois modelos Porsche Panamera oferecidos na negociação ainda possuíam financiamento em aberto.
Em troca, o empresário entregou uma Porsche GT4, acreditando que os veículos estavam livres de pendências. Ainda conforme a investigação, o empresário só descobriu posteriormente que os carros estavam inadimplentes junto à instituição financeira, o que motivou a apuração dos crimes de estelionato, associação criminosa, falsidade ideológica e falsidade documental.
Na época, a defesa de Lucas Lucco afirmou que o cantor e o pai colaboraram com as investigações desde o início e sustentou que ambos também foram vítimas do esquema. Segundo os advogados, um falso advogado teria arquitetado a fraude, utilizando documentos falsificados e até uma assinatura digital falsa do artista para realizar as negociações.
A Polícia Civil informou ainda que o suposto advogado também foi investigado por fraude processual, por supostamente utilizar documentos falsificados em procedimentos perante o Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO). Agora, a Justiça de Goiás rejeitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público contra o empresário Eliel Levistone Silva e Souza, investigado no mesmo caso.
Leia também:



