A negociação que poderia resultar na formação de um dos maiores grupos pecuários do mundo foi oficialmente encerrada. A JBJ Agropecuária, do empresário José Batista Júnior, o Júnior Friboi, e a Fazenda Conforto comunicaram ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) a desistência da operação que previa a aquisição dos ativos da propriedade rural localizada em Nova Crixás, no norte de Goiás.

Em documento protocolado na segunda-feira, 15, as empresas informaram que decidiram encerrar, de forma consensual, as tratativas relacionadas ao negócio. Com a decisão, o processo que analisava a operação no Cade deverá ser arquivado.

A proposta de compra havia sido anunciada no fim de abril e envolvia a incorporação de toda a estrutura da Fazenda Conforto, incluindo terras, imóveis, equipamentos, instalações produtivas e demais ativos ligados à atividade agropecuária. O negócio era considerado um dos mais relevantes do agronegócio brasileiro nos últimos anos.

Embora as empresas não tenham detalhado os motivos da desistência, a decisão ocorre pouco mais de um mês após o Cade determinar que a operação fosse analisada pelo rito ordinário, procedimento mais rigoroso e demorado. Inicialmente, os grupos defendiam que a transação fosse enquadrada no rito sumário, reservado para operações consideradas de menor impacto concorrencial.

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Nos bastidores do setor, a avaliação é que a indefinição sobre os prazos da análise e a possibilidade de imposição de restrições pelo órgão regulador pesaram na decisão de interromper as negociações.

A Fazenda Conforto é uma das maiores operações pecuárias do país. Instalada em uma área de aproximadamente 12 mil hectares, possui capacidade para cerca de 76 mil cabeças de gado em confinamento e movimenta aproximadamente 175 mil animais por ano. Além da pecuária, a propriedade também desenvolve atividades agrícolas, com produção de grãos e áreas irrigadas.

Já a JBJ Agropecuária integra o grupo empresarial liderado por Júnior Friboi e atua em diversas frentes do agronegócio, incluindo criação e confinamento de bovinos, produção de grãos, fabricação de insumos para nutrição animal, genética bovina e comercialização de carnes.

Caso fosse concluída, a operação ampliaria significativamente a capacidade produtiva das empresas e consolidaria um dos maiores projetos de produção de gado do Brasil. Com a desistência, os dois grupos permanecem atuando de forma independente.

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