Governo quer acelerar venda de imóveis e privatização de empresas

Secretária Ana Carla Abrão explica que, apesar do ajuste, medidas precisam ser aprofundadas para evitar a crise — que só está piorando

Secretária Ana Carla Abrão: mais celeridade ao ajuste | Foto: Ascom / Sefaz

Secretária Ana Carla Abrão: mais celeridade ao ajuste | Foto: Ascom / Sefaz

A secretária da Fazenda, Ana Carla Abrão, confirmou que o governo pretende acelerar a privatização de empresas públicas e a desimobilização (venda de imóveis) nos próximos meses. A expectativa é que, com a instauração do comitê emergencial, as ações do ajuste fiscal, proposto no começo do ano, possam ter mais eficácia.

Isso porque a crise se abateu de vez em Goiás, e o cenário não é de recuperação. Apesar de haver um trabalho para melhorar a receita do Estado e diminuir as despesas, a conta ainda não fechou. “A situação está piorando”, avaliou a economista.

Com a expectativa de fechar a equação positivamente no próximo ano, a Secretaria da Fazenda atendeu a determinações do governador Marconi Perillo (PSDB) e reuniu diversos entes do governo estadual no final do último mês. “Criamos uma força-tarefa, que terá reuniões semanais para levantar todas as ações e instrumentos necessários para fazer com que as medidas do ajuste aconteçam efetivamente”, explicou.

Apesar dos esforços empenhados desde o começo do ano, Ana Carla explica que uma boa parte das ações propostas para superar a crise não foram efetivamente implantadas. “Faz parte do processo… Não aconteceram no ritmo e no timing que a gente gostaria, ou precisava que tivesse acontecido, para que a situação não se agravasse”, complementou.

Uma das explicações para tais entraves é a própria burocracia do poder público. Segundo ela, algumas das ações dependem de alterações em leis, o que leva a uma série de estudos por parte da Procuradoria Geral do Estado (PGE), da Casa Civil e da própria Sefaz. “Temos a receita para virar o jogo e superar esse período de dificuldade. O problema é grave, mas temos alternativas para ir reequilibrando. Precisamos de celeridade”, justificou. Dai a formação do comitê.

Ação

Metrobus será privatizada, mas subsídio do governo continuará | Foto: Governo de Goiás

Metrobus será privatizada, mas subsídio do governo continuará | Foto: Governo de Goiás

Ante um cenário menos promissor no âmbito nacional — a secretária acredita que a instabilidade econômica do Brasil tende a piorar –, o governo “engatou a primeira marcha” e pretende dar mais agilidade e celeridade a ações que vão trazer, de fato, recursos para o Tesouro — ou reduzam, efetivamente, gastos.

Para tanto, a intenção do Estado é, primeiramente, acelerar a venda de empresas estatais, como Celg TeleCom, Goiás Gás e Metrobus — a Iquego não entra no pacote. Além disso, a alienação de imóveis será prioridade do comitê. “Conseguimos um resultado fantástico em julho que foi de um incremento de 68 milhões de reais na arrecadação do ICMS. Queremos que as outras medidas também comecem a surtir efeito”, justificou a secretária.

Na outra ponta, para reduzir gastos, o Estado pretende expandir o ponto eletrônico em toda a administração pública. Ana Carla reconhece que a medida é polêmica e, além disso, operacionalmente cara. “A maior parte dos funcionários públicos trabalha, cumpre as horas, mas existe uma outra que não faz isso. Que não cumpre. Até por justiça aos que cumprem, a gente precisa moralizar isso”, defendeu.

Questionada sobre a possibilidade de novos cortes no funcionalismo e redução de gratificações, a secretária se esquivou afirmando que a intenção do governo de Goiás é “valorizar, sempre, os funcionários, pois sabe da importância dos mesmos”. No entanto, o comitê trabalhará com “racionalidade” e vai, sim, averiguar se “há excessos”.

 

 

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