Governadores se unem para criar agência de desenvolvimento do Brasil Central

Com objetivo de desenvolver a região e acabar com a guerra fiscal, líderes de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins e do DF lançam plano estratégico 

O vice-governador do DF, Renato Santana (PSD); o governador do MS, Reinaldo Azambuja (PSDB); o ministro Mangabeira Unger; o governador Marconi Perillo (PSDB); e os governadores Pedro Taques (MT) e Marcelo Miranda (TO): durante o encontro | Foto: Eduardo Ferreira

O vice-governador do DF, Renato Santana (PSD); o governador do MS, Reinaldo Azambuja (PSDB); o ministro Mangabeira Unger; o governador Marconi Perillo (PSDB); e os governadores Pedro Taques (MT) e Marcelo Miranda (TO): durante o encontro | Foto: Eduardo Ferreira

O governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), recebeu, na manhã desta sexta-feira (3/7), os governadores do Mato Grosso, Pedro Taques (PDT), Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja (PSDB), Tocantins, Marcelo Miranda (PMDB) e o vice-governador do Distrito Federal, Renato Santana (PSD), para oficializar a criação o Fórum do Brasil Central, bloco que tem como objetivo elevar a competitividade e fortalecer o desenvolvimento econômico da Região Central do País.

Ao lado do ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, Mangabeira Unger, — que é idealizador do projeto –, Marconi anunciou, também, a constituição de uma agência de cooperação interestadual. No Palácio Pedro Ludovico Teixeira, os chefes de Executivo discutiram os preceitos do documento que foi assinado por todos e destacaram as metas para os próximos meses.

Ficou definida a agenda dos próximos encontros, que serão realizados a cada dois meses: no dia 7 de agosto, a reunião será em Cuiabá (MT); no dia 4 de setembro, em Palmas (TO); no dia 2 de outubro, Campo Grande (MS); e 6 de novembro, em Brasília (DF). A expectativa é que sejam definidas no próximo encontro algumas ações a serem desenvolvidas. Até Cuiabá, os governadores firmaram o compromisso de, por meio dos secretários de Planejamento e da Fazenda (que também estavam presentes), produzirem os projetos de lei para a criação da Agência Brasil Central.

O tucano goiano anunciou, ainda, que convidará o governador de Rondônia, Confúcio Moura (PMDB), para que adentre ao bloco. “Somos vanguardistas no País. Estamos estimulando o debate sobre o federalismo e o que estamos fazendo aqui vai garantir o desenvolvimento da região”, susteou ele. Em sua fala, o ministro afirmou que esta é uma nova agenda estratégica nacional, que visa corrigir o modelo equivocado da massificação do consumo: “As circunstâncias mudaram e provaram que tal modelo era frágil. Nosso objetivo é a produção e a oferta. Não só consumo e demanda”. Para tanto, o Fórum Brasil Central deve investir em capacitação educacional e produtiva.

Marcelo Miranda agradeceu o convite do amigo e governador Marconi Perillo, brincando que o “cordão bilical” dos dois Estados não foi cortado. “Deus me deu muitas vitórias, mas o povo goiano e tocantinense têm me dado muitas. E essa é uma delas. Temos que gritar para o Brasil e defender o que é nosso”, afirmou ele. Para o peemedebista, esta é a melhor maneira de enfrentar a crise financeira: “É um momento de união. As coisas não acontecem para quem espera, acontecem para pessoas comprometidas. E é isso que estamos fazendo aqui hoje”.

Uma das falas mais contundentes do evento partiu do governador do Mato Grosso, que destacou a relevância da região e sua importância para o superávit do governo federal. “Nós ajudamos muito o Brasil. O Brasil precisa nos ajudar muito. Mas, reconheço que se ficarmos esperando o governo federal, não vamos superar essa crise. Temos que sair dessa dependência imperial”, sustentou.

Pedro Taques — ferrenho crítico do governo do PT — criticou, ainda, a condução da União para com temas relevantes aos Estados. “É possível discutir ajuste fiscal sem levar em conta a opinião dos governadores? É um absurdo. Como é possível definir qual projeto estratégico de logística sem ouvir antes os governadores. Eu não quero sair só na foto quero debater projetos para o Brasil”, completou.

Segundo o mato-grossense, o que foi firmado nesta sexta-feira (3/7) foi algo inédito na história. “Normalmente as iniciativas saem do todo para as partes, aqui as partes estão tomando iniciativa para modificar o todo”, relatou. Sobre a guerra fiscal, que prejudica a relação entre Estados, Pedro acredita que, a partir do Fórum Brasil Central, será possível acabar com tais disputas. “Precisamos de mais união. Temos que parar de competir entre nós e encontrar uma maneira de nos beneficiar mutuamente”, arrematou.

Representando o governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg (PSB), o vice elogiou a visão do governador Marconi que, segundo ele, é um levante para superar a crise. Renato lembrou que até hoje aguarda a criação da Superintendência de Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco) e que este movimento pode ser o início da instituição do órgão. “Hoje, por um esforço do governador Marconi Perillo, esse é um tema que tem grande chance de sair do papel”, elogiou.

O tucano sul-mato-grossense considera que o Agronegócio — principal atividade dos Estados — é a chave para superar a crise brasileira, mas defende a industrialização. “Temos que nos fortalecer para não sermos apenas exportadores de commodities que fortalecem a balança comercial. O grande desafio é fortalecer a economia regional, melhorando nossos potenciais e resolvermos os gargalos de logísticas. Ganharemos competitividade”, ponderou.

Confira os pontos principais da Agenda de Desenvolvimento do Brasil Central:

1. Na agropecuária: desenvolver modelo agropecuário para ampliação da produtividade de pequena e média propriedade, com ênfase no assessoramento técnico, base para o fortalecimento de uma nova classe média rural.
2. Na logística: definir projeto de integração logística para a região e inserções nacional e global. Definir ações que fomentem as indústrias e os serviços associados à logística.
3. Na industrialização: focar ações que nos levem da industrialização tradicional dos produtos agropecuários à indústria densa em conhecimento.
4. Na educação: assumir posição de vanguarda no projeto nacional de qualificar o ensino básico. Desenvolver educação básica e profissional avançadas que priorizem as capacitações genéricas e flexíveis exigidas pelas tecnologias contemporâneas.
5. No empreendedorismo: fomentar o empreendedorismo de vanguarda e definir medidas que coordenem acesso a: crédito, tecnologias, práticas avançadas e mercados nacionais e mundiais.
6. Na inovação: fortalecer o sistema de ciência, tecnologia e inovação regional, associado à prestação de serviços avançados. O tema prioritário do próximo Fórum de Governadores do Brasil Central. Será a organização desta entidade: sua forma jurídica, seu modelo de governança e sua fonte de financiamento.

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