Goiás aparece entre os estados brasileiros com melhor desempenho na condicionalidade III do VAAR/FUNDEB, indicador do Ministério da Educação (MEC) que mede a redução das desigualdades raciais e socioeconômicas na aprendizagem. Dados apresentados com exclusividade ao Jornal Opção pela pasta mostram que somente 17% dos municípios goianos não conseguiram atingir os critérios exigidos em 2026, percentual inferior à média nacional e considerado positivo pelo governo federal.

O resultado coloca Goiás em posição de destaque justamente no indicador considerado atualmente o mais difícil do novo Fundeb. A Condicionalidade III avalia não apenas desempenho escolar, mas a capacidade das redes municipais de reduzir desigualdades históricas entre estudantes pretos, pardos e indígenas (PPI) e alunos em situação de maior vulnerabilidade socioeconômica.

Apesar do desempenho acima da média nacional, os dados mostram que o desafio da equidade educacional ainda persiste em parte significativa das redes municipais goianas. Dos 246 municípios do estado, 68 apresentaram dificuldades em pelo menos um dos critérios analisados pelo MEC, o equivalente a 27,6% das cidades goianas.

O levantamento detalha ainda que:

  • 26 municípios não conseguiram reduzir simultaneamente as desigualdades raciais e socioeconômicas;
  • 37 apresentaram dificuldades especificamente no indicador racial;
  • 7 não avançaram no indicador socioeconômico.
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MEC afirma que a condicionalidade III segue como “o maior desafio para Prefeituras e Governos Estaduais estarem plenamente habilitados ao recebimento dos recursos” | Créditos: Carlos Dias/MEC

Os dados fazem parte do cálculo da Condicionalidade III do VAAR-Fundeb para o exercício financeiro de 2026. Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), foram utilizados dados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) de 2019 e 2023. No caso dos municípios, a análise considera estudantes da rede municipal do 5º e 9º anos do ensino fundamental com resultados válidos em língua portuguesa e matemática.

Critério é considerado o maior desafio do novo Fundeb

A Condicionalidade III do VAAR é apontada hoje pelo próprio Ministério da Educação como o principal obstáculo para estados e municípios conseguirem acessar integralmente os recursos da complementação da União ao Fundeb.

Dados apresentados pelo MEC mostram que cerca de 1.914 redes municipais brasileiras — aproximadamente 34% do total do País — ainda não conseguem atender ao critério relacionado à redução das desigualdades educacionais.

O tema foi debatido na última segunda-feira, 18, durante o evento “Rotas da Equidade – Como alcançar a condicionalidade III do VAAR”, realizado pelo MEC em Brasília. O encontro reuniu prefeitos, secretários municipais de educação e representantes de redes de ensino que ainda enfrentam dificuldades para cumprir os critérios exigidos pela política federal.

Durante o evento, o ministério apresentou diagnósticos sobre desigualdades educacionais e lançou materiais técnicos voltados à formulação de políticas públicas de equidade racial e socioeconômica.

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Segundo dados apresentados pelo MEC, a complementação VAAR alcançou R$ 7,5 bilhões em 2026 – Foto: Carlos Dias/MEC

Em documento da “Edição Especial Equidade Racial”, o MEC afirma que a condicionalidade III segue como “o maior desafio para Prefeituras e Governos Estaduais estarem plenamente habilitados ao recebimento dos recursos”.

Segundo o ministério, o cumprimento da meta depende de um conjunto amplo de fatores administrativos, pedagógicos e institucionais, incluindo gestão escolar, distribuição de professores, formação continuada e implementação de políticas permanentes de equidade.

O diagnóstico apresentado pelo governo federal também aponta problemas estruturais recorrentes nas redes de ensino brasileiras, como concentração de professores menos experientes em escolas com maior presença de estudantes negros, alta rotatividade docente, baixa representatividade racial em materiais didáticos e ausência de práticas pedagógicas voltadas ao enfrentamento do racismo.

Zara Figueiredo defende mudança estrutural nas redes municipais

Em entrevista ao Jornal Opção, a secretária de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão do MEC (Secadi), Zara Figueiredo, afirmou que apenas programas de formação docente não são suficientes para reverter os indicadores de desigualdade.

“O programa de formação de professor é importante, mas é insuficiente. O que é que as redes precisam fazer? Nesse referencial de equidade que nós entregamos hoje, tem 30 recomendações práticas e efetivas”, afirmou.

Segundo a secretária, os municípios precisam estruturar políticas permanentes de gestão voltadas à equidade educacional.

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Secretária de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão do MEC (Secadi), Zara Figueiredo | Foto: Divulgação/MEC

“Você tem que ter um desenho de gestão que significa uma concepção de equidade para organizar as turmas, como é que você analisa os dados das avaliações dos alunos, como é que você aloca professor. Os melhores professores, com mais tempo de formação, precisam estar onde estão as turmas de alunos mais frágeis”, disse.

Zara Figueiredo também defendeu que os municípios institucionalizem políticas permanentes de formação continuada. “É preciso ter uma política de formação para as redes que cuide de todos esses aspectos que nós discutimos aqui. E não pode ser só teórico”, afirmou.

Segundo ela, o MEC elaborou materiais para auxiliar estados e municípios na adoção de medidas práticas voltadas à redução das desigualdades. Entre eles estão os Referenciais de Implementação de Equidade na Educação, os Cadernos de Gestão das Modalidades Educacionais, as devolutivas da Política Nacional de Equidade, Educação para as Relações Étnico-Raciais e Educação Escolar Quilombola (PNEERQ) e o Protocolo de Identificação e Resposta ao Racismo.

“O debate que fazemos aqui é o que está na Constituição, ou seja, como o Ministério da Educação, junto com estados e municípios, pode entregar uma educação com garantia de qualidade para todos”, declarou.

Complementação do VAAR ultrapassa R$ 7,5 bilhões

Os dados apresentados pelo MEC mostram crescimento acelerado da complementação VAAR/FUNDEB nos últimos anos. Em 2026, o valor total da política alcançou R$ 7,5 bilhões em todo o País.

O montante representa crescimento expressivo em relação aos primeiros anos da política:

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Segundo o MEC, o valor médio recebido pelos municípios beneficiados em cada estado foi de aproximadamente R$ 1,76 milhão.

Criado pela Emenda Constitucional 108/2020 e regulamentado pela Lei nº 14.113/2020, o novo Fundeb ampliou a participação financeira da União no financiamento da educação básica. Uma das principais mudanças foi justamente a criação da Complementação-VAAR, voltada às redes que conseguem melhorar aprendizagem ao mesmo tempo em que reduzem desigualdades educacionais.

Goiânia lidera previsão de repasses em Goiás

Entre os municípios goianos, Goiânia aparece com a maior previsão de recebimento da complementação VAAR/FUNDEB em 2026. A capital deverá receber R$ 40,5 milhões da União.

Os dados mostram que Goiânia apresentou crescimento tanto no indicador racial quanto no socioeconômico entre 2019 e 2023. No indicador racial, o município saiu de 44,93% para 54,81%. Já no indicador socioeconômico, a evolução foi de 40,38% para 49,14%.

Mesmo sem atingir o indicador relacionado ao avanço do atendimento educacional, Goiânia permaneceu habilitada na Condicionalidade III. A capital possui população estimada em 1,5 milhão de habitantes, PIB per capita de R$ 52,7 mil e população quilombola estimada em 158 pessoas.

Em nota enviada ao Jornal Opção, a Secretaria Municipal de Educação afirmou que a Rede Municipal de Goiânia vem desenvolvendo ações voltadas à promoção da equidade educacional, entre elas o projeto “Farol da Equidade”, criado para identificar desigualdades de aprendizagem e implementar práticas pedagógicas voltadas à redução das diferenças relacionadas a raça, etnia e condição socioeconômica.

Segundo a pasta, o programa realiza avaliações de Língua Portuguesa e Matemática com estudantes do 1º, 2º, 4º e 8º anos do ensino fundamental. A partir dos resultados, são identificados os alunos com maior defasagem de aprendizagem para desenvolvimento de ações de recomposição pedagógica. “O acompanhamento é contínuo e todos os dados do programa são registrados. As escolas também realizam interação com as famílias e ações articuladas com a Gerência de Inclusão, Diversidade e Cidadania”, informou a secretaria.

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A capital deverá receber R$ 40,5 milhões da União | Foto: Reprodução

Sobre os R$ 40,5 milhões previstos da complementação VAAR/FUNDEB, a prefeitura afirmou que os recursos serão destinados integralmente ao custeio da folha de pagamento dos profissionais da educação.

“Considerando a robustez da Rede Municipal de Educação, que conta com aproximadamente 20 mil profissionais, os recursos do Fundeb, incluindo a complementação VAAR, são integralmente aplicados no custeio da folha de pagamento dos profissionais da educação”, informou a pasta.

Segundo a prefeitura, o município ainda complementa os gastos da educação com recursos próprios e do Fundo Municipal de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino (FMMDE), garantindo investimentos em infraestrutura, ampliação de vagas, programas pedagógicos e fortalecimento da gestão escolar.

A Secretaria Municipal de Educação também explicou ao Jornal Opção os motivos pelos quais Goiânia não atingiu o indicador relacionado ao avanço do atendimento educacional.

De acordo com a pasta, houve em 2025 um reordenamento da Educação de Jovens e Adultos (EJA) em parceria com o Governo de Goiás, transferindo o segundo segmento da modalidade para a rede estadual. Com isso, houve redução no número de turmas e matrículas registradas pela rede municipal.

Apesar disso, a prefeitura afirma que houve crescimento em outras áreas, principalmente na educação infantil e no atendimento em tempo integral. “O indicador de atendimento tende a avançar novamente a partir deste ano”, afirmam.

Entre as ações apontadas pela prefeitura como responsáveis pelo crescimento nos indicadores racial e socioeconômico estão a implementação do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas (Neabi), cursos de formação voltados à promoção da igualdade racial e produção de materiais pedagógicos voltados à educação étnico-racial.

A secretaria também citou programas como “A Cor da Cultura”, “Literatura Infantil e Educação Étnico-Racial” e “Mídia e Violência”, além de campanhas de autodeclaração racial e projetos interdisciplinares em escolas e centros municipais de educação infantil.

Embora Goiânia não possua escolas específicas para comunidades quilombolas ou indígenas, a prefeitura afirma que desenvolve políticas públicas voltadas ao enfrentamento das desigualdades raciais e promoção da equidade dentro da rede municipal.

Segundo a gestão, somente em 2026 a Secretaria Municipal de Educação ofertou mais de cinco mil vagas em cursos de formação continuada para profissionais da educação. As capacitações incluem programas próprios da rede e parcerias com instituições como Fundação Abrinq, Sebrae, Fundação Roberto Marinho e Instituto Promover (IPHAC).

Aparecida mantém habilitação dentro da margem de erro

Aparecida de Goiânia também aparece entre os municípios habilitados e deverá receber R$ 34,6 milhões em complementação VAAR em 2026. Embora tenha registrado leve queda nos indicadores analisados pelo MEC, o município permaneceu dentro da margem de erro técnica considerada pelo ministério, o que garantiu sua permanência entre as redes habilitadas.

No indicador racial, Aparecida saiu de 43,62% para 42,15%. Já no socioeconômico, os índices passaram de 38,92% para 36,99%. A cidade possui população estimada em 556 mil habitantes e uma comunidade quilombola certificada.

Em entrevista ao Jornal Opção, a secretária de Educação de Aparecida de Goiânia, Núbia Farias, afirmou que a rede municipal trabalha alinhada às diretrizes estabelecidas pelo Ministério da Educação para garantir o cumprimento das condicionalidades do VAAR. “Então, nós trabalhamos em rede juntamente com o MEC. O que o governo federal determina e propõe, nós procuramos seguir e cumprir para que a gente caminhe de uma forma correta”, afirmou.

Segundo a secretária, um dos pilares adotados pelo município foi o fortalecimento da gestão democrática nas escolas, com seleção técnica de gestores escolares. “Essa é a forma democrática que a gente tem para assumir a gestão. O gestor passa por curso de capacitação, apresenta plano de trabalho e a comunidade escolar participa desse processo”, disse.

Nubia Farias, secretária de educação l Foto: Reprodução

Núbia Farias também destacou ações voltadas à alfabetização infantil e ao fortalecimento do Indicador Criança Alfabetizada (ICA). Segundo ela, o município conseguiu antecipar metas previstas inicialmente apenas para o fim da década. “A nossa meta era chegar a 75% de crianças alfabetizadas até 2028 e alcançar 80% até 2030. Nós já conseguimos atingir os 75% antes do prazo e acreditamos que podemos chegar a 80% ou mais”, afirmou.

A secretária ressaltou ainda que a prioridade da rede não está apenas nos indicadores numéricos, mas na garantia de aprendizagem efetiva. “Os números são importantes, são indicadores, mas o nosso objetivo mesmo é que as crianças sejam leitoras, que estejam alfabetizadas e avancem na vida estudantil com sucesso”, declarou.

Outro ponto destacado pela gestora foi o trabalho de busca ativa escolar voltado à permanência de estudantes em situação de vulnerabilidade social. “Para nós, não é só encontrar a criança. É fazer com que ela permaneça na escola. Isso reduz desigualdade social e fortalece o indicador de equidade dentro das unidades escolares”, explicou.

Segundo Núbia, a estratégia envolve atuação conjunta entre escolas, famílias, conselho tutelar, Ministério Público, Cadastro Único e programas sociais. A secretária também afirmou ao Jornal Opção que o município vem ampliando investimentos em educação digital e conectividade nas escolas da rede municipal.

“Nós já estamos trabalhando o documento da educação digital alinhado à BNCC e ao currículo estadual. Estamos mudando também nossa conexão de internet nas escolas para melhorar essa estrutura e avançar com mais eficiência”, disse.

A gestora ainda destacou ações específicas voltadas às comunidades quilombolas presentes no município. Segundo ela, as escolas desenvolvem projetos ligados à valorização da identidade racial, da cultura quilombola e do enfrentamento ao racismo.“Nós tivemos casos de crianças que não gostavam do próprio cabelo ou da sua negritude e hoje já aceitam sua identidade. Trabalhamos essa valorização dentro das unidades escolares”, afirmou.

Anápolis, Trindade e Senador Canedo ficam fora da habilitação

Entre os maiores municípios goianos, Anápolis, Trindade e Senador Canedo aparecem entre as redes que não conseguiram atingir integralmente os critérios exigidos pelo MEC para permanecer habilitadas na condicionalidade III do VAAR/FUNDEB em 2026.

Em Anápolis, os dados apontam retração tanto no indicador racial quanto no socioeconômico. O índice relacionado à desigualdade racial caiu de 60,12% para 52,95%, enquanto o indicador socioeconômico recuou de 51,18% para 45,30%.

Com o resultado, o município perdeu habilitação para receber recursos da complementação VAAR no próximo ciclo.

A cidade, que possui população estimada em 420 mil habitantes e PIB per capita superior a R$ 51 mil, cumpriu critérios administrativos importantes, como seleção técnica de diretores escolares, participação mínima no Saeb e alinhamento curricular à BNCC, mas não conseguiu avançar nos indicadores ligados à aprendizagem com equidade.

O Jornal Opção entrou em contato com a Prefeitura de Anápolis, mas não obteve retorno até o fechamento desta reportagem. O espaço segue aberto para manifestação.

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Prefeitura de Anápolis | Foto: Guilherme Alves/ Jornal Opção

No caso de Trindade, o município terminou inabilitado após registrar queda no indicador socioeconômico considerada fora da margem de erro adotada pelo MEC. Embora tenha permanecido relativamente estável no indicador racial, a cidade apresentou retração de 53,19% para 50,39% no desempenho relacionado às desigualdades socioeconômicas.

Além disso, Trindade também não atingiu indicadores relacionados à seleção técnica de gestores escolares e avanço da aprendizagem, fatores que contribuíram para a perda da habilitação no VAAR/FUNDEB em 2026.

Em nota enviada ao Jornal Opção, a Secretaria Municipal de Educação de Trindade afirmou que os dados analisados pelo Ministério da Educação ainda utilizam como base indicadores de 2023, período em que as redes públicas de ensino enfrentavam reflexos significativos da pandemia de Covid-19.

Segundo a pasta, os impactos atingiram principalmente estudantes em situação de maior vulnerabilidade social, afetando frequência escolar, aprendizagem e indicadores de desigualdade educacional. “A gestão compreende que esse resultado deve ser analisado dentro do contexto pós-pandêmico, marcado por desafios sociais e educacionais que afetaram principalmente os estudantes em situação de maior vulnerabilidade”, afirmou a secretaria.

A prefeitura também destacou que os resultados mais recentes das avaliações realizadas em 2025 já apontam crescimento da rede municipal em diversos indicadores educacionais. De acordo com a nota, os dados preliminares divulgados pelo MEC em abril demonstram avanço das ações pedagógicas e das estratégias de recomposição das aprendizagens implementadas pelo município.

A Secretaria Municipal de Educação afirmou ao Jornal Opção que mantém investimentos em políticas de equidade educacional, alfabetização, formação continuada de professores, acompanhamento pedagógico e fortalecimento da gestão escolar.

Entre as ações destacadas pela pasta estão:

  • programas de alfabetização e recomposição das aprendizagens;
  • formação continuada de professores e gestores;
  • monitoramento sistemático dos indicadores educacionais;
  • fortalecimento da gestão pedagógica nas unidades escolares;
  • ações de busca ativa e permanência escolar.

Sobre os indicadores relacionados à seleção técnica de gestores escolares e ao avanço da aprendizagem, a secretaria reconheceu a necessidade de aprimoramento dos processos adotados pela rede municipal. “Já estão em andamento discussões técnicas, adequações normativas e estratégias voltadas ao fortalecimento da gestão educacional e ao monitoramento dos resultados de aprendizagem”, informou.

Entrada da cidade de Trindade vista de cima | Foto: Reprodução

A prefeitura também afirmou que realiza estudos para mensurar os possíveis impactos financeiros da não habilitação preliminar ao VAAR/FUNDEB, buscando preservar investimentos e ações da rede municipal de ensino. “A Prefeitura de Trindade reafirma o compromisso com uma educação pública de qualidade, inclusiva e socialmente referenciada, mantendo o foco na redução das desigualdades educacionais e no fortalecimento das aprendizagens”, concluiu a secretaria.

Já Senador Canedo apresentou uma das maiores retrações entre os municípios analisados no estado. O indicador racial caiu de 33,41% para 26,81%, enquanto o socioeconômico passou de 31,56% para 23,29%.

O município também não atingiu a participação mínima exigida no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), o que agravou o cenário de inabilitação. Com isso, a cidade ficou fora da lista de municípios aptos a receber a complementação VAAR/FUNDEB em 2026.

Em nota enviada ao Jornal Opção, a Secretaria Municipal de Educação de Senador Canedo afirmou que os dados utilizados pelo Ministério da Educação para composição da Condicionalidade III do VAAR/FUNDEB têm como base os resultados do Saeb 2023, os mesmos considerados no exercício financeiro de 2025.

Segundo a pasta, o município registrou 78% de participação dos estudantes na avaliação, percentual inferior ao mínimo de 80% exigido pelo MEC. A secretaria atribui o resultado à greve ocorrida na rede municipal durante o período de aplicação do exame.

“Tal situação impactou diretamente a composição dos indicadores considerados para habilitação à complementação VAAR/FUNDEB nos exercícios financeiros de 2025 e 2026”, informou a prefeitura.

A gestão também reconheceu que os indicadores de equidade racial e socioeconômica não apresentaram evolução suficiente dentro dos parâmetros nacionais estabelecidos pelo MEC.

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Senador Canedo | Foto: divulgação

Apesar do resultado, a secretaria afirmou que o município intensificou o acompanhamento pedagógico e o monitoramento das avaliações externas, ampliando ações voltadas à recomposição das aprendizagens, alfabetização e acompanhamento do desempenho escolar.

De acordo com a nota, Senador Canedo já apresenta melhora nos índices de participação do Saeb 2025. Segundo a prefeitura, o município alcançou aproximadamente 92% de presença dos estudantes avaliados, percentual acima da meta mínima exigida pelo MEC.

A Secretaria Municipal de Educação também afirmou ao Jornal Opção que vem reforçando políticas de formação continuada de professores, estratégias de recomposição das aprendizagens e ações voltadas à promoção da equidade educacional.

“Os resultados do Saeb 2025 ainda não foram oficialmente divulgados pelo Ministério da Educação, mas os dados internos da rede apontam avanços relevantes no desempenho das unidades escolares”, informou a pasta.

A prefeitura acrescentou que acompanha os possíveis impactos financeiros relacionados à perda da complementação VAAR/FUNDEB, mas garantiu que manterá os investimentos na educação pública municipal.

“A Secretaria Municipal de Educação reafirma seu compromisso com a melhoria contínua dos indicadores educacionais, com a promoção da equidade e com o fortalecimento das políticas públicas voltadas à garantia do direito à aprendizagem de todos os estudantes da rede municipal”, concluiu a nota.

Rio Verde aparece entre os destaques positivos

Rio Verde aparece entre os municípios goianos com melhor desempenho nos indicadores avaliados pelo Ministério da Educação (MEC) e deverá receber R$ 11,5 milhões em complementação VAAR/FUNDEB em 2026.

Os dados mostram crescimento nos dois critérios analisados pela Condicionalidade III:

  • desigualdade racial: de 73,97% para 77,76%;
  • desigualdade socioeconômica: de 73,52% para 74,85%.

Com PIB per capita de R$ 98,8 mil, um dos maiores do estado, Rio Verde manteve habilitação integral na Condicionalidade III do VAAR/FUNDEB.

Em entrevista ao Jornal Opção, o prefeito de Rio Verde, Wellington Carrijo (MDB), atribuiu o desempenho a uma política contínua de valorização dos profissionais da educação, formação permanente de professores e ampliação da infraestrutura escolar. “Esses números da educação vêm em ascensão desde 2018. Já em 2017, no primeiro ano da gestão, houve várias modificações. A principal delas foi a valorização dos servidores”, afirmou.

Segundo o prefeito, os profissionais da educação de Rio Verde estão entre os mais valorizados salarialmente em Goiás. “Hoje os servidores da educação, comparado ao Estado de Goiás, estão bem valorizados. Nós obedecemos todos os pisos e reajustes nacionais. Temos professores que recebem acima de R$ 20 mil”, disse.

Carrijo destacou ainda a criação de um núcleo pedagógico permanente dentro da Secretaria Municipal de Educação voltado à formação continuada de professores e melhoria dos indicadores de aprendizagem.

Wellington Carrijo: médico e prefeito de Rio Verde, no Sudoeste de Goiás | Foto: Guilherme Alves/Jornal Opção

De acordo com o prefeito, Rio Verde lidera atualmente os índices nacionais de alfabetização entre municípios com mais de 100 mil habitantes. “Hoje Rio Verde lidera o indicador de alfabetização em nível nacional. Temos 97,1% dos nossos alunos alfabetizados. Sobral ficou em segundo lugar com 96,8%”, afirmou.

O prefeito também citou a implementação de novas disciplinas na rede municipal, como educação financeira, educação no trânsito e sustentabilidade, além da ampliação da estrutura física das escolas. “Hoje nós temos 71 unidades escolares. Já entregamos seis escolas padrão século XXI, com laboratório de informática, robótica e ginásio poliesportivo”, disse.

Segundo Wellington Carrijo, parte dos recursos da complementação VAAR/FUNDEB deverá ser utilizada em investimentos ligados à robótica educacional e melhoria da infraestrutura escolar. “A gente deve investir em material de robótica e também em estrutura física das unidades escolares”, afirmou.

O prefeito destacou ainda o lançamento do programa “Expedição do Saber”, iniciativa que levará estudantes da rede municipal para intercâmbio educacional em Portugal. “É a primeira vez na história de Goiás que um município leva alunos da rede municipal para um intercâmbio na Europa. Vamos levar 30 alunos e 10 professores para Lisboa para visitar escolas, museus e espaços culturais”, explicou.

Segundo ele, a proposta foi transformada em lei municipal e deverá continuar independentemente das próximas gestões. Questionado sobre políticas voltadas ao enfrentamento das desigualdades raciais e sociais, Wellington Carrijo afirmou que a rede municipal desenvolve ações pedagógicas permanentes sobre o tema. “A política pública de ensinamento e palestras sobre essas questões acontece em todas as escolas da rede”, declarou.

Goiás tem 26 municípios com pior desempenho simultâneo nos dois indicadores

Dos 246 municípios goianos, 26 não conseguiram reduzir simultaneamente as desigualdades raciais e socioeconômicas de aprendizagem.

A lista inclui Amaralina, Anicuns, Cachoeira Alta, Campinaçu, Campos Belos, Ceres, Diorama, Goiatuba, Hidrolândia, Itaberaí, Jataí, Jesúpolis, Maurilândia, Minaçu, Mineiros, Morrinhos, Mossâmedes, Palmeiras de Goiás, Panamá, Piracanjuba, Pires do Rio, Santa Helena de Goiás, São Luís de Montes Belos, Turvânia, Valparaíso de Goiás e Vila Propício.

Municípios apresentam dificuldades diferentes nos indicadores

Os dados do MEC mostram que os municípios goianos enfrentam dificuldades distintas em relação à redução das desigualdades.

Entre aqueles que apresentaram dificuldades especificamente no indicador racial aparecem Goiânia, Aparecida de Goiânia, Cristalina, Iporá, Niquelândia, Rubiataba, Rialma, Santo Antônio do Descoberto e Águas Lindas de Goiás.

Já no indicador socioeconômico, municípios como Goiatuba, Mineiros, Planaltina, Itapaci e Campinorte aparecem entre os que não conseguiram atingir a meta estabelecida pelo ministério.

MEC quer ampliar peso da equidade nas políticas educacionais

O secretário de Gestão da Informação, Inovação e Avaliação de Políticas Educacionais do MEC, Evânio Antônio de Araújo Júnior, afirmou que as devolutivas de equidade racial entregues aos municípios devem servir como ferramenta para formulação de políticas públicas.

“Devemos celebrar o VAAR como um dos instrumentos para mudar a realidade tão desigual que assola o nosso País. Hoje, quando entregamos essa devolutiva de equidade racial, oferecemos um instrumento a partir do qual cada gestor poderá atuar diante de sua realidade”, afirmou.

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Prefeitos, secretários e representantes de municípios receberam orientações durante o evento | Foto: Carlos Dias/MEC

O diretor de Auditoria de Políticas Sociais e de Segurança Pública do Tribunal de Contas da União (TCU), Cássio Mendes, também afirmou que o indicador reflete desigualdades históricas do Brasil.

“O VAAR III é um indicador que fala muito sobre o Brasil. Ele é reflexo do nosso passado, está presente nos números que temos hoje e diz muito sobre quem queremos ser no futuro”, declarou.

Segundo o MEC, a tendência é ampliar gradualmente o peso dos indicadores de equidade no financiamento da educação básica, utilizando critérios que levem em consideração não apenas desempenho médio, mas a capacidade das redes de reduzir desigualdades históricas dentro das salas de aula.

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