Goiânia pode ganhar memorial permanente em homenagem às vítimas do césio-137
06 junho 2026 às 09h57

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Mais de três décadas após o acidente com o césio-137 que marcou a história de Goiânia, uma proposta busca criar um espaço permanente de memória para as vítimas da tragédia. O projeto de lei que institui o Memorial às Vítimas do Acidente Radiológico com o césio-137 foi aprovado em segunda votação pelos deputados estaduais e agora aguarda sanção ou veto do governador.
A proposta, apresentada pelo deputado estadual Karlos Cabral (PSB), prevê a construção de um monumento em forma de obelisco na capital. Entre os locais sugeridos estão a Praça do Trabalhador e o Setor Aeroporto, região onde ocorreu o acidente em setembro de 1987.
Além da instalação do memorial, o texto estabelece que o dia 13 de setembro passe a ser uma data de homenagem às vítimas, com a realização de solenidades cívicas e militares junto ao monumento. A proposta prevê a participação de representantes dos três poderes, além de integrantes da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros.
Segundo a justificativa do projeto, o objetivo é criar um marco físico que preserve a memória das vítimas e mantenha vivo o debate sobre uma das maiores tragédias da história do estado.
Maior acidente radiológico do país
O acidente com o césio-137 teve início em 13 de setembro de 1987, quando um aparelho de radioterapia abandonado em uma clínica desativada foi desmontado por catadores de materiais recicláveis.
No interior do equipamento havia uma cápsula contendo césio-137, substância altamente radioativa. Sem conhecer os riscos, as pessoas que tiveram contato com o material acabaram espalhando a contaminação por diferentes pontos da cidade.
O brilho azul emitido pela substância despertou curiosidade e atraiu dezenas de pessoas, ampliando a exposição à radiação. O episódio mobilizou autoridades brasileiras e organismos internacionais em uma operação sem precedentes para identificar, monitorar e descontaminar áreas atingidas.
Mais de 100 mil pessoas passaram por exames para verificar possíveis contaminações. Segundo dados oficiais, mais de seis mil apresentaram algum nível de exposição ao material radioativo.
Memória e preservação histórica
Considerado o maior acidente radiológico já registrado fora de uma usina nuclear, o caso transformou a vida de centenas de famílias e deixou marcas permanentes na história de Goiânia.
Caso a proposta seja sancionada, o memorial passará a integrar os espaços de preservação da memória coletiva da capital, funcionando como homenagem às vítimas e como símbolo de conscientização sobre os impactos humanos e ambientais provocados pelo acidente.



