Filho atraiu pai para emboscada, matou com tiro na cabeça e tentou vender Hilux por R$ 15 mil; aponta investigação
16 junho 2026 às 14h55

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O assassinato do servidor da Polícia Civil de Goiás João Lourenço de Oliveira, de 64 anos, foi premeditado pelo próprio filho, segundo apontam as investigações. De acordo com o delegado João Paulo Ferreira Mendes, responsável pelo caso, Flávio Lourenço, de 43 anos, alugou uma arma de fogo na véspera do crime, atraiu o pai para uma emboscada e o matou com um tiro na cabeça após ele se recusar a entregar uma caminhonete Toyota Hilux.
Segundo o delegado, a motivação seria patrimonial. “Ele queria mais precisamente a caminhonete que era do pai, que, segundo ele, seria uma cota de uma herança a que teria direito”, afirmou em entrevista ao Jornal Opção. Antes do homicídio, Flávio também teria pedido um Pix de R$ 4 mil ao pai e, diante da resistência, decidiu executar o plano.
Conforme a investigação, o suspeito foi até a casa do pai acompanhado de João Lucas, apontado como comparsa. No imóvel, rendeu a vítima e chegou a realizar uma transferência bancária de R$ 3 mil para sua própria conta. Quando João Lourenço recusou entregar o veículo, foi baleado enquanto estava sentado.
“O pai estava na cadeira quando ele efetuou o disparo. Depois enrolou o corpo em cobertas e lençóis da residência, colocou na carroceria da caminhonete e o levou para uma área próxima à saída para Trindade, onde ocultou o cadáver”, relatou o delegado.
Caminhonete avaliada em R$ 90 mil era oferecida por R$ 15 mil
Após o crime, Flávio e o comparsa seguiram para Bela Vista de Goiás com dois veículos. O objetivo era vender rapidamente a Hilux, avaliada em aproximadamente R$ 90 mil, por apenas R$ 15 mil. “Ele estava com muita pressa de obter dinheiro e se desfazer de qualquer vestígio do crime”, explicou João Paulo Ferreira Mendes.
A negociação chegou a avançar, mas um possível comprador em Goiânia desconfiou do preço extremamente baixo e das circunstâncias envolvendo o veículo, desistindo da compra ao suspeitar que se tratava de produto de crime.
Ação conjunta levou à prisão de seis pessoas
O rastreamento da caminhonete contou com atuação conjunta da Polícia Civil e do Batalhão de Choque da Polícia Militar. Segundo o tenente Brunner Ramos, uma mulher foi localizada conduzindo o veículo na GO-020, enquanto outro homem fazia a escolta em um automóvel diferente.
“Ela alegou apenas que estava tentando vender a caminhonete e desconhecia qualquer situação de crime. Só que uma caminhonete de cerca de R$ 90 mil sendo negociada por R$ 15 mil gera muita desconfiança”, afirmou o oficial.
As diligências levaram os policiais até Bela Vista de Goiás, onde foram encontradas peças do veículo e outros envolvidos no esquema, incluindo o homem que teria alugado a arma utilizada no homicídio.
Ao todo, seis pessoas foram presas: Flávio e João Lucas responderão por latrocínio; três suspeitos foram autuados por receptação; e outro homem foi preso por dar abrigo a um dos investigados e por posse irregular de arma de fogo.
Durante o interrogatório, o comportamento do filho da vítima chamou a atenção dos investigadores. “O que nos impressionou foi a tranquilidade. Ele deu uma narrativa com riqueza de detalhes, explicou horários, onde alugou a arma e como tudo aconteceu. Não percebemos demonstração de arrependimento durante o depoimento”, afirmou o delegado.
Ainda segundo João Paulo, Flávio declarou que mantinha apenas uma relação distante com o pai e não relatou conflitos familiares graves que justificassem o crime. “Isso demonstra uma frieza extrema na execução e na premeditação do homicídio e da ocultação do cadáver”, destacou.
João Lourenço havia desaparecido no sábado e seu corpo foi localizado na segunda-feira, 15, após o avanço das investigações e as informações obtidas pelas forças de segurança. O caso segue sob apuração para esclarecer todos os detalhes da participação dos envolvidos.
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